Possibilidades e perspectiva para a produção de morangos em Pelotas

Produção de morangos (Foto: Divulgação)

Pelotas tem se destacado na produção de morangos e, atualmente, é a 5ª maior produtora do Estado do Rio Grande do Sul. Para se ter uma rápida dimensão: são 200 estufas em sistema fora do solo produzindo a fruta; a ocorrência da 3ª Festa Municipal do Morango; e a venda direta ao consumidor por meio das Feiras itinerantes, realizadas em diversos bairros da cidade.

Tanto nas festas e feiras como nos assessoramentos técnicos que realiza, a extensão rural tem procurado dar sua parcela de contribuição para o desenvolvimento da cultura,aumento da produção, valorização dos produtores e estímulo ao consumo. Nesse sentido, apesar de estar sempre à disposição da totalidade dos produtores, desde o primeiro semestre de 2017, o Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar vem acompanhando de perto as famílias de agricultores pelotenses que decidiram formar um grupo informal, o qual já teve sua história contada em um outro artigo. Hoje, elas somam 45 e são possuidoras de 90 estufas, que produziram 180 toneladas de morango ano passado, quantidade essa absorvida com tranquilidade pelo mercado.

Aos interessados em produzir é sempre aconselhável buscar assessoramento técnico, o que pode ser feito na Emater/RS-Ascar. Isso porque há uma variedade de mudas à disposição e diversas formas de produzir, que são relatadas a seguir.

A produção no solo é realizada em Pelotas desde a década de 1970. São utilizadas mudas de variedades de dias curtos(tradicionais) e se faz necessário para uma boa produção e colheita que a área de terra utilizada esteja com as condições sanitárias favoráveis. O cultivo no solo tem um custo de produção menor, porém,entre as desvantagens, pode-se elencar a ergonômica, tendo em vista a necessidade de os agricultores trabalharem a maior parte do tempo agachados, e o fato da colheita e a comercialização serem feitas somente de setembro a dezembro.

No final dos anos de 1990, na região sul do país, deu-se início a um outro sistema de produção: o de cultivo de morangos em substrato, também chamado de cultivo fora de solo ou semi-hidropônico. A utilização desse sistema surgiu, em grande parte, devido às dificuldades de controle de pragas e doenças, de falta de mão de obra e da necessidade de redução do impacto ambiental do uso excessivo de agrotóxicos.

Em Pelotas, essa nova forma de produzir começou em 2013 e, de lá pra cá, tem ganhado a aceitação dos produtores. Ela permite maior produtividade sem a necessidade de rotação de área e a redução da penosidade do trabalho com o manejo e a colheita realizados em pé (as plantas ficam, aproximadamente, a 80 cm do solo), como também, possibilita a introdução de cultivares de morangos de “dias neutros”, o que significa poder produzir e comercializar durante os doze meses do ano.

Para a sua implantação é imprescindível a construção de uma estufa com estrutura que permita utilizar substratos e um sistema de fertirrigação, o qual pode ser de dois tipos: o sistema aberto e o sistema fechado.Quanto a esse último, advindo de pesquisas da Embrapa Clima Temperado e da Universidade Federal de Pelotas, com apoio da Emater/RS-Ascar, foi proposto aos produtores um sistema de produção fechado, no qual a água utilizada na irrigação e os fertilizantes são coletados e reaproveitados no próprio sistema.
Como é possível produzir durante o ano todo, na maioria dos casos, o retorno do investimento realizado na construção da estufa ocorre ao final do décimo segundo mês.

Mas, para que isso aconteça,é necessário o conhecimento das cultivares disponíveis e, principalmente,sobre o sistema produtivo e seu manejo, para que assim se chegue a produção de morangos com aparência e sabor desejados pelos consumidores. Hoje, a variedade San Andreas goza de boa aceitação entre os agricultores e tem apresentado boa produtividade e resistência às variações climáticas e às pragas e doença, mas existem outras, como: Albion, Aromas, Camarosa, Camino Real, Florida Festival, Ventana e Monterey. No período da safra, que geralmente ocorre na primavera, há maior oferta da fruta e concorrência entre os produtores,levando à diminuição do valor do quilo no mercado. Assim, quanto a rentabilidade anual, aqueles produtores que utilizam o sistema semi-hidropônico acabam tendo 40% a mais de retorno financeiro.

Em 2020, com a ocorrência de mais uma edição da Festa do Morango de Pelotas e sem fatores externos que venham a trazer dificuldades na produção, a estimativa é de que as famílias do grupo informal (que recebem assessoramento contínuo da Emater/RS-Ascar) disponibilizem no mercado mais de 200 toneladas da fruta in natura.

*Robson Loeck (Sociólogo e Mestre em Ciências Sociais), Rodrigo Prestes (Engenheiro Agrônomo e Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos) e Márcia Vesolosquzki (Técnico em Agropecuária) são extensionistas rurais no Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Pelotas. E-mail: [email protected]

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