A falácia da falta de médicos e o erro das soluções fáceis

Dr.Eduardo Neubarth Trindade, Vice-presidente do Cremers.

Dr.Eduardo Neubarth Trindade                            *Vice-presidente do Cremers

Volta e meia reaparece o discurso de que falta médico no Brasil, especialmente no interior. Essa narrativa, repetida à exaustão, serve como justificativa para a
abertura desenfreada de novas vagas e faculdades de Medicina, muitas vezes sem a mínima estrutura necessária. Os dados mais recentes mostram que essa explicação é falsa e perigosa.

O Brasil já forma médicos em número suficiente. O problema não é a quantidade de profissionais, mas a má distribuição e, sobretudo, a qualidade da formação. O resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (ENAMED) escancarou uma realidade incômoda: não adianta abrir curso de Medicina em qualquer esquina, sem hospital de ensino, sem professores qualificados e sem campo de prática adequado. Isso não forma bons médicos e tampouco resolve os vazios assistenciais do interior.

Criou-se a ilusão de que basta instalar uma faculdade para que médicos se fixem na região. A experiência mostra exatamente o contrário. Cursos frágeis geram profissionais inseguros, mal preparados e que, assim que possível, buscam centros maiores para complementar sua formação ou simplesmente abandonar a região.