Dona Santinha, mulher forte de corpo e alma. Nasceu, cresceu e estudou no interior da região sul. Atualmente mora na cidade de Pelotas, é Professora estadual aposentada.
Sua criação longe do tumulto e dos avanços tecnológicos muito ajudaram a torná-la uma pessoa serena, educada, comedida. Enfim, um bom coração. Tornou-se, com facilidade, simpática nas redondezas. Dificilmente consegue dizer não.
Reside em zona onde o acesso é fácil aos mais diversificados tipos de comércio.
Evidentemente, por ali, há uma coleção de drogarias. Ao todo são sete, parece conta de mentiroso…
Como é sabido, atualmente, a drogaria vende de tudo (pilhas, salgadinhos, baterias, chocolates, recarga para celular, biscoitinhos, chip para celular, etc.), inclusive medicamentos.
Dona Santinha foi numa das drogarias comprar sabonete. A balconista lhe oferece, com desagradável insistência, a oferta da semana “um remedinho pra cólica”. Dona Santinha não consegue dizer não. Embora com o indigno salário atrasado, está sempre “de boa”.
E assim começa uma massacrante trajetória, ao comprar um shampoo Dona Santinha enfrenta as “ofertas do dia”: um remedinho para dor de cabeça, gotinhas para indigestão, comprimidinhos para dores nas costas, cápsulas para diarréia.
Pela simpatia e assiduidade, já é tratada pelo nome “Leve um complexo vitamínico Dona Santinha, aproveite todo mundo está usando, a Sra. viu o anúncio na TV? Quem sabe gotinhas para prisão de ventre?”
Quando a oferta foi “gotinhas para uma febrezinha qualquer”, a balconista/atendente acabara de criar uma outra etiologia/causa de febre. Foi o que bastou para Dona Santinha ficar indignada. Tudo tem limite.
Foi para casa, ensacou a grande quantidade de química industrializada, voltou a drogaria e falou para o gerente:
– Bom dia Senhor, não posso ficar à mercê de sua ganância e obrigando seus funcionários a “receitar” e vender por “oferta” ou “liquidação” medicamentos como se fossem “produtos fora de moda, ou da última estação”.
Esse comportamento antiético, falta de respeito e desconsideração com seus clientes. Eu não sou paciente da balconista nem de sua drogaria!
O Sr. está desqualificando os profissionais da saúde, os medicamentos e mostra total falta de respeito com a Medicina. Portanto, além de um formal pedido de desculpas, solicito o ressarcimento do valor investido e devolvo suas “drogas”.
Passe bem, se for possível!




