Soja movimenta quase R$ 3 bilhões na economia local, regional e estadual

Produção de soja foi superior a 1,4 milhão de toneladas na região Sul, na safra 2025/2026. (Foto: Dartanhã Vecchi)

Em período de entressafra, a cultura da soja registrou uma produção superior a 1,4 milhão de toneladas na região Sul, na safra 2025/2026, distribuída entre os 22 municípios produtores, número 10,74% superior à safra anterior, quando foram produzidas pouco mais de 1,2 milhão de toneladas da oleaginosa. A cultura ocupou área de 513.327 hectares e a produtividade de referência da região ficou em 2.801 quilos por hectare ou 46,83 sacos por hectare.

O valor bruto desta safra ficou em R$ 2.823.227.200,00, ou seja, quase R$ 3 bilhões em valores, que circulam nas propriedades rurais e nas economias locais, regionais, estaduais e nacional. “Por ser uma comodity agrícola, o dinheiro é trazido de fora do Estado e do Brasil para compor a renda do produtor e das localidades da região”, destaca o extensionista da Emater Regional Pelotas, engenheiro agrônomo Evair Ehlert.

Segundo ele, a soja é de fácil comercialização, tem valores de acordo com cotações internacionais, além de se constituir em moeda de referência para vários negócios. O número de produtores é de 2.731 e está estabilizado, com alguns saindo da atividade e outros entrando. Destaque para Canguçu com 915 produtores de soja. “Sem dúvida hoje para a região sul é o principal cultivo agrícola e de geração de renda, assim como para muitos municípios com produção de grãos”, afirma.

O cultivo da soja impulsiona e melhora a cadeia produtiva da bovinocultura de corte e dos ovinos, com a melhor oferta de áreas com forragens para pastoreio, afirma. “Este pastoreio nas lavouras pós soja, é através do aproveitamento da adubação residual e o calcário utilizado como corretivo da acidez dos solos e fonte de cálcio e magnésio”, observa.

Alguns sojicultores, devido à valorização significativa dos preços da bovinocultura de corte, estão semeando plantas forrageiras como o azevém, utilizando a aviação agrícola ou os drones, para adiantarem o estabelecimento destas pastagens de inverno. Muitas áreas com as forrageiras e pastagens estabelecidas já recebem animais, bovinos de corte e ovinos para pastoreio. Os sojicultores também já iniciaram as negociações para implantar a safra 2026/2027.

Ehlert explica que o avanço do cultivo da soja na região em todos os locais como nas coxilhas e áreas de várzea, bem como na agricultura empresarial e na agricultura familiar, trouxe para a região uma forte mecanização das atividades, independente das escalas de produção. “Isto beneficiou e beneficiará todas as outras atividades pelos ganhos de escala, desempenho, produtividade e produção final”, assegura. Além disso, a mecanização promove a sucessão rural em todos os municípios, escalas e segmentos.

A soja também trouxe investimentos de secagem e armazenamento de grãos, tanto em escalas maiores como aos novos cerealistas instalados na região, quanto nas propriedades rurais. “A soja movimenta além dos mercados e serviços dos insumos diversos na cadeia produtiva, mecanização por meio dos tratores, colheitadeiras, caminhões e implementos agrícolas, serviços de oficinas, restaurantes, borracharias, peças, ramos imobiliários, de automóveis, comércio em geral, serviços como os de contadores, e tantos outros”, relata.

O agrônomo diz ainda que, da mesma forma, o cultivo da soja proporcionou avanço significativo e crescimento das empresas de serviços, defensivos, insumos e consultorias especializadas em soja. “A soja trouxe para a região toda a retomada de explorações de áreas que estavam degradadas, subutilizadas e abandonadas”, ressalta. E devido à mecanização, tamanho e dimensão dos caminhões para os fretes dos insumos e dos grãos colhidos, trouxe a manutenção mais regular das estradas rurais.

A tendência para a safra 2026/2027 é de repetir a área plantada na safra 2025/2026, diz. Mesmo que alguns produtores tenham dificuldades de continuar no negócio devido ao seu endividamento, para pagar possíveis renegociações de dívidas, precisam continuar plantando soja para pagar as suas contas. “Por isso, áreas não ficarão sem cultivar soja e haverá produtores que devem ampliar suas áreas”, aposta.

O clima é sempre um desafio a ser enfrentado em qualquer cultura e por isso, devem ser observadas técnicas e manejos para as boas práticas agrícolas no cultivo da soja, observa. As áreas de cultivo nas coxilhas devem ser beneficiadas pelas chuvas mais constantes e regulares. “A soja nas coxilhas corresponde a 75% da área cultivada’, diz. Nas áreas planas, também denominadas várzeas, os produtores deverão intensificar os sistemas de retirada da água em excesso ou sistemas de drenagem pois são consideradas de alto risco.

Outra prática adotada pelos produtores, é a proteção do solo nas lavouras de coxilhas com as técnicas do Sistema de Plantio Direto. “A previsão de chuvas mais distribuídas, regulares e com volumes condizentes ao que o ciclo produtivo da soja precisa, os produtores deverão investir mais em correção dos solos, em adubação e em defesa vegetal, devido à possibilidade de boas a ótimas produtividades, que minimamente deverão pagar os custos de produção e gerar renda líquida”, adiciona.

As áreas de soja irrigadas ainda são reduzidas e não ultrapassam os 2% da área total cultivada, quantifica o agrônomo. “Gargalos de reserva de água, licenciamento ambiental, outorga de uso da água e problemas de oferta de energia elétrica precisam ser superados para aumentar a área irrigada”, conclui.

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