Pelotas abre distribuição estadual de alimentos do PAA para cozinhas solidárias

Ato oficial contou com a presença de autoridades e ex-governantes na assinatura. (Foto: Clarissa Ribeiro/JTR)

Alimentos como cebola congelada, filé de peixe e suco integral de pêssego em lata foram entregues pela primeira vez às cozinhas solidárias do estado, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), executado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A ação, que prevê 655 toneladas desses alimentos para 148 cozinhas do Rio Grande do Sul, teve São José do Norte e Pelotas como primeiros destinos para entregas na tarde de segunda-feira (22), com a presença de representantes de cozinhas comunitárias e parceiros institucionais.

Conforme o presidente da Conab, Sílvio Porto, o programa conta com dois propósitos: assegurar a inclusão produtiva com transferência de renda para o público da agricultura familiar e promover o acesso a alimentos saudáveis às pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional. “O PAA já esteve presente nessa região por muito tempo, mas deixou de existir, retomamos ele a partir do terceiro governo do presidente Lula (PT), então agora estamos ampliando essa participação”, conta.

O prefeito Fernando Marroni (PT) ressalta esse retorno. De acordo com ele, Pelotas “foi pioneira na compra direta da agricultura familiar na minha primeira gestão como prefeito em 2001, em uma parceria com o então governador Olívio Dutra (PT). Nossa alternativa foi exigir alimento orgânico aqui da volta, e conseguimos fazer as primeiras compras diretamente da agricultura familiar – isso virou política nacional a partir do primeiro mandato do presidente Lula”, lembra.

De acordo com Porto, recentemente, esses três produtos ofertados passaram por dificuldades de comercialização. “Nós aproveitamos exatamente esse obstáculo para a junção entre o programa e as cozinhas solidárias”, relata. Ainda, ele afirma que as cozinhas foram incorporadas como política pública, em um projeto que permite a articulação entre a produção e o consumo.

Diferentes alimentos, mesmo propósito
No caso da cebola, a operação para compra foi estruturada a partir de demanda da Cooperativa dos Agricultores Familiares de São José do Norte (Cooafan), que relatou à Conab a grande quantidade de cebola in natura de boa qualidade sem comprador. Diante desse cenário, foi viabilizada a aquisição do produto e seu processamento de forma congelada, em cubos e fatiada, embalada a vácuo, ampliando sua durabilidade e facilitando a distribuição. O processamento foi realizado pela Cooperativa dos Produtores Agrícolas do Monte Bonito (Coopamb), de Pelotas, com apoio técnico da Emater/RS-Ascar.

Já o suco de pêssego, previsto para totalizar 605 mil latas – equivalente a cerca de 502 toneladas do produto – foi adquirido pela Conab juntamente à Coopamb, à Cooperativa dos Trabalhadores da Reforma Agrária Terra Livre e à Cooperativa dos Agricultores e Fruticultores da Zona Sul (Cafsul), de Pelotas, envolvendo 287 fornecedores. Segundo Porto, a compra oportuniza a valorização do produtor rural. “Estamos trabalhando muito forte, tanto na parte do crédito, coordenado pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário, como em ações de parceria com as cooperativas para distribuir esses alimentos a quem precisa”, ressalta.

O presidente da Coopamb, Nilson Scheunemann, reforça a relevância da ação executada pela Companhia. “É um privilégio estar participando de um programa tão bom, que vem para auxiliar a agricultura familiar e também fortalecer a nossa cooperativa. A gente espera que no futuro iniciativas como essas cada vez venham a aumentar mais, porque temos muita produção. Além do peixe, da cebola, temos uma grande produção de abóbora, por exemplo. Vamos tentar no futuro incluir também esses outros alimentos”, pontua.

Complementando essa perspectiva, o presidente da Cafsul, Valdemar Augusto Vahl, enfatizou o papel das políticas de preços mínimos para a regularização do abastecimento. “Com uma supersafra e dificuldade para escoar a produção, conversamos com a Conab sobre a possibilidade de produzir suco de pêssego para distribuir para a merenda escolar. Além de ajudar produzindo, é uma divulgação a mais do nosso produto aqui da região. Geralmente, quando tem muita oferta, cai o preço e a Conab entra junto para regularizar. Isso estimula o pequeno produtor a seguir produzindo”, detalha.

A distribuição de filé de peixe congelado, por sua vez, foi fornecida pela Cooperativa Agrícola Mista de Arroio Grande (Cooperag). Ao todo, foram entregues 9,4 toneladas de jundiá, violinha, tainha e traíra para 30 cozinhas de Rio Grande, Pelotas e São Leopoldo. O projeto, no valor de R$ 390 mil, reúne 26 agricultores familiares e fortalece a oferta de proteínas nas refeições servidas pelas cozinhas solidárias apoiadas pelo PAA.

655 toneladas desses alimentos irão para 148 cozinhas de São José do Norte e Pelotas. (Foto: Clarissa Ribeiro/JTR)

Iniciativas comunitárias são impactadas pelo programa
Em Pelotas, a “Cáritas Arquidiocesana” e a “Cozinha das Mais Velhas do Kilombo”, receberam as primeiras remessas de suco integral de pêssego concentrado e de filé de peixe congelado, marcando o início das operações no RS. A representante da cozinha solidária do Kilombo, Claudete Oliveira, afirma que o alimento vem para somar na rotina da iniciativa, diante da alta demanda gerada pela insegurança alimentar na cidade. “Cada dia é mais difícil. Tem gente que só come uma vez por dia e no outro dia não come mais nada, então eu acho muito importante esse projeto. Nós trabalhamos de segunda a segunda, não paramos nem em feriado. Nós não temos Natal, Ano Novo e nem Páscoa”, relata.

Para Andreia Furtado, que colabora com a Cozinha Solidária Afrika Brazil, o PAA deve agregar na produção do projeto social que atende, em média, 280 pessoas por semana. Já na iniciativa Linha Viva, cerca de 150 pessoas são atendidas semanalmente, conforme Carlos Roberto Bonemann Buchweitz. Ele reforça a necessidade do alcance do programa para além das cozinhas. “O PAA dá início, meio e fim ao alimento. Ele reforça a produção, dá subsídios e traz o meio político de garantir essas compras, trazendo uma comida saudável que contribui com qualidade nutricional e promove segurança alimentar”, completa.

Mecanização também é pauta
A programação no município incluiu a entrega de dez kits do Programa Mecaniza Mais, da Conab, para organizações de agricultores familiares de municípios como Arroio Grande e São Lourenço do Sul, além de outras cidades de diversas regiões do estado. Cada kit é composto por motocultivador, carreta agrícola, sulcador, encanteirador, semeadora-adubadora, roçadeira, rodas de ferro e colheitadeira de milho de uma linha. O objetivo é reduzir o esforço do trabalho manual e aumentar a eficiência das atividades, com potencial para ampliar em até 30% a produtividade no campo, segundo Porto. “Conseguimos disponibilizar máquinas adaptadas à realidade de comunidades quilombolas, fazendo com que as famílias possam ter melhor articulação na produção e maior inclusão no mercado”, diz.

No mesmo evento, foram assinados dois contratos do PAA, no valor total de R$ 863 mil, com a Cooperativa União dos Agricultores Familiares de Canguçu e Região (Cooperunião) e a Cafsul. Juntas, elas devem fornecer 138,6 toneladas de arroz, feijão e hortifrutigranjeiros a cozinhas solidárias do estado.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome