Consumo em supermercados cresce no início de 2026 e é impulsionado por Páscoa e renda extra

Preço médio dos 80 itens mais consumidos pelos gaúchos chegou a R$ 296,26; laticínios puxaram alta no mês. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

*Com informações da Agência Brasil

O consumo das famílias brasileiras em supermercados apresentou crescimento de 1,92% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento das compras no mês de março, que registrou alta de 6,21% em relação a fevereiro e de 3,20% na comparação com o mesmo período do ano passado.

De acordo com a entidade, o resultado de março está ligado à antecipação das compras para a Páscoa, realizada no início de abril, além do chamado efeito-calendário, já que fevereiro tem menos dias. Outro fator relevante foi a maior circulação de recursos na economia, contribuindo para o aumento do poder de compra das famílias.

Entre os estímulos à demanda estão os pagamentos de programas sociais e benefícios trabalhistas. O Bolsa Família, por exemplo, alcançou mais de 18 milhões de lares em março, com repasses superiores a R$ 12 bilhões. Já os pagamentos do PIS/Pasep também contribuíram para injetar recursos no mercado, favorecendo o consumo.

Apesar do crescimento nas vendas, o custo da cesta de compras também subiu. O indicador Abrasmercado, que acompanha os preços de 35 produtos de largo consumo, registrou alta de 2,20% em março, elevando o valor médio da cesta para R$ 820,54.

Entre os produtos básicos, o feijão liderou as altas no mês, com aumento expressivo, seguido pelo leite longa vida. Outros itens como massas, margarina e farinha de mandioca também apresentaram elevação. Por outro lado, produtos como açúcar, café, óleo de soja, arroz e farinha de trigo registraram queda nos preços.

No grupo das proteínas, houve aumento nos preços dos ovos e da carne bovina, enquanto o frango congelado e o pernil apresentaram redução. Já entre os alimentos in natura, itens como tomate, cebola e batata tiveram fortes altas, influenciadas principalmente por fatores sazonais e pela dinâmica de oferta.

Os produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica também registraram variações positivas, com destaque para sabonete, detergente e desinfetante, embora o sabão em pó tenha apresentado leve queda.

Na análise regional, todas as regiões do país registraram aumento no valor da cesta de compras em março, com destaque para o Nordeste, que apresentou a maior variação. O Sul também teve alta, refletindo o cenário nacional de pressão sobre os preços.

Para o segundo trimestre, a expectativa é de continuidade no crescimento do consumo, impulsionado por novas injeções de recursos na economia, como a antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas e o pagamento das restituições do Imposto de Renda.

Mesmo com o cenário positivo para o consumo, o setor mantém cautela diante de possíveis pressões inflacionárias, especialmente relacionadas ao aumento dos custos logísticos e à alta do petróleo, que podem impactar os preços dos alimentos nos próximos meses.