O tradicionalismo gaúcho como matéria escolar

Paulo Souza é colunista do Jornal Tradição Regional e estará autografando as obras nesta sexta-feira (28). (Foto: Divulgação)

O tradicionalismo gaúcho é hoje considerado por seus membros como o maior movimento cultural popular das Américas. Esta informação é veiculada nos discursos das sessões solenes que pontuam a abertura e o encerramento da maior parte de suas atividades, bem
como por políticos e demais autoridades.

O gauchismo (em suas mais variadas expressões) movimenta milhares de pessoas em suas datas comemorativas e em suas inúmeras atividades.

Por gauchismo é preciso compreender diversas manifestações culturais que têm o gaúcho como ponto de referência e que jogam sobre essas representações, exprimindo um sentimento de pertencimento.

Sua diferença com as outras dimensões do regionalismo é que o gauchismo não quer estudar ou escrever sobre o gaúcho. Ele pretende oferecer um culto às tradições por “encarnação” de uma imagem do gaúcho.

O movimento tradicionalista gaúcho ou apenas tradicionalismo, como manifestação do gauchismo, pode ser entendido como um conjunto de atividades organizadas e regulamentadas que objetiva celebrar a figura do gaúcho e seu modo de vida.

Outros aspectos da cultura regional como a culinária, as vestimentas e a utilização de inúmeros símbolos, passando por elementos do folclore como as danças tradicionais recriadas nos espaços das entidades tradicionalistas e nos concursos tradicionalistas, também são utilizadas; nesta perspectiva é necessário perceber os processos educacionais e pedagógicos do tradicionalismo, que visam a formação dos jovens tradicionalistas e de suas famílias no seio dos CTGs. Isto se dá através do tornar-se tradicionalista (participação nas atividades), cursos promovidos pelo MTG e demais instâncias tradicionalistas, além de sua inserção nas escolas, estabelecendo um novo território tradicionalista e possível reprodutor de sua filosofia e modelos comportamentais.

Na escola, o ensinar os alunos a viver as tradições do Rio Grande do Sul, de acordo com as representações percebidas, passa por uma necessidade de formação dos valores e do conhecimento da história e costumes do povo gaúcho, na perspectiva de uma valorização do civismo ao viver as tradições. “Ao se envolver com o tradicionalismo, uma atividade saudável, o aluno não se envolve com o que não deve se envolver.”

Mas, ao encerrar a minha análise, devo dizer que os governos – estadual e municipais – deveriam colocar a matéria “Estudo do Tradicionalismo Gaúcho” como obrigatória em todo Rio Grande do Sul, pelo menos em um ano do Ensino Fundamental e um ano do Ensino Médio, pois assim estariam valorizando cada vez mais o culto as nossas mais caras tradições e incentivando a prática do gauchismo.

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