
Funcionários da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) participaram, nesta quarta-feira (17), de uma paralisação nacional convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF). Em Pelotas, trabalhadores da unidade aderiram ao movimento para cobrar avanços nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027 e reivindicar o reconhecimento da elevação de escolaridade para técnicos e assistentes.
A mobilização ocorre durante a campanha salarial da categoria. Segundo o SINPAF, a paralisação foi aprovada em assembleias realizadas em todo o país após sucessivas rodadas de negociação sem avanços considerados satisfatórios pelos trabalhadores. Entre as principais reivindicações estão a recomposição salarial, melhorias em benefícios e a valorização profissional dos empregados da empresa.
O presidente do SINPAF em Pelotas, Vanderlei Domingues Fagundes, afirma que uma das principais pautas locais é o reconhecimento da formação acadêmica adquirida pelos trabalhadores ao longo da carreira. “Uma das nossas bandeiras é a elevação da escolaridade. A Embrapa não quer reconhecer a nossa escolaridade, então estamos fazendo esse protesto e essa paralisação nacional em prol dessas reivindicações”, diz.
A demanda envolve principalmente os cargos de técnico e assistente. Atualmente, segundo o sindicato, pesquisadores e analistas possuem mecanismos de progressão relacionados à qualificação profissional, enquanto os demais empregados não recebem o mesmo reconhecimento pela conclusão de cursos de graduação ou pós-graduação. A reivindicação é discutida há anos entre sindicato e empresa e voltou a ser apresentada nas negociações do ACT deste ano.
Técnica da Embrapa há 18 anos, Amanda Barros participou da mobilização em Pelotas. Ela ingressou na empresa por concurso público após realizar estágio na instituição e atualmente atua na contratação de produtores rurais para aplicação de tecnologias desenvolvidas pela empresa.
Segundo Amanda, muitos trabalhadores buscaram formação complementar por iniciativa própria, o que acaba refletindo na qualidade do trabalho desenvolvido. No entanto, ela afirma que esse esforço não tem sido reconhecido pela empresa. “Nós evoluímos, fizemos nossos estudos por fora e a Embrapa acaba recebendo esse retorno no nosso trabalho. Mas não temos uma contrapartida de reconhecimento dessa caminhada”, relata.
A técnica também destacou a expectativa criada em torno das negociações: “já estamos há bastante tempo esperando que esse assunto entre em pauta e seja tratado com a devida importância”, afirma.
Segundo o vice-presidente do SINPAF, Rudi Lange, o reconhecimento da escolaridade dos técnicos e assistentes também beneficia a própria instituição. “Nossa escolaridade está mais elevada do que o cargo exige. Da mesma maneira que foi reconhecida a titularidade do pesquisador e do analista, gostaríamos que fosse reconhecida a elevação da escolaridade dos técnicos e assistentes. Isso eleva a qualidade do serviço que conseguimos prestar para o povo brasileiro”, declara.
Até o momento, as negociações do ACT seguem em andamento entre o sindicato e a direção da Embrapa. O SINPAF sustenta que a paralisação busca pressionar por avanços concretos nas tratativas, enquanto a empresa mantém as discussões no âmbito da mesa de negociação coletiva.



