O novo normal

Sérgio Corrêa.

O NOVO NORMAL

Lembro-me das inúmeras vezes em que tratei aqui na coluna, sobre uma pauta que acredito ser extremamente preocupante. Volto a tratar sobre o desinteresse de grande parte da população pela política, sobre a falta de vigilância e acompanhamento do trabalho e conduta dos candidatos que elegemos.

Sempre é bom lembrar que, na última eleição, em 2018, foram eleitos o Presidente da República, os deputados estaduais, os 513 deputados federais e dois terços do senado, isto é, 54 senadores. Nesta eleição, tivemos 42 milhões de pessoas que mostraram o desinteresse e a falta de confiança na política e nos políticos, votando em branco, anulando o voto ou se abstendo de votar.

A maior parte da população brasileira não se apropria do conhecimento necessário sobre projetos de leis, assim como sobre decisões tomadas via decretos do executivo ou votadas pelo legislativo. Esta é uma geografia política que começa no município, passa pelo estado e chega a Brasília.

O NOVO NORMAL II

O desinteresse da população sobre o que acontece na política é o que mais interessa aos políticos, digo isso porque quanto menos votos válidos, melhor será, tanto para os políticos quanto para os partidos fazerem de cada eleição um negócio.

Caros amigos e amigas, vale lembrar que conflito, polarização e divisão, causa mal-estar em muitas pessoas, que acabam decidindo não opinar, não participar e até mesmo não votar, principalmente quando temos que escolher o “Menos Ruim”, expressão utilizada para identificar o que não é muito ruim, mas nem por isso deixa de ser ruim!

Vamos começar por uma lei chamada Cláusula de Varreira. Nela, em 2018, o partido tinha que conquistar 1,5% dos votos válidos. Agora, em 2022, os partidos terão que conquistar 2% dos votos válidos ou eleger, pelo menos, 11 deputados federais, distribuídos em nove estados, para não perder a verba do fundo partidário e o tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV.

Diante do exposto, de acordo com a lei da Cláusula de Barreira, quanto menos votos válidos melhor para os partidos pequenos sobreviverem e seguirem recebendo o fundo partidário, assim como negociando o pequeno tempo de propaganda no rádio e na TV.

O NOVO NORMAL III

Caro leitor, você deve estar se perguntando: porque o colunista está usando em todos os tópicos a expressão O NOVO NORMAL? A intenção é mostrar que todos nós estamos sujeitos e dependentes das decisões políticas.

O quão interessante é a influência de decisões políticas em nossas vidas. O relaxamento das normas restritivas que buscavam oferecer para população a proteção necessária contra a Covid-19 foi recebido com confiança, uma vez que, todos já viviam no limite da exaustão com o uso de máscaras e outras limitações impostas pelos decretos.

Acreditando que as decisões dos gestores públicos estão corretas, a população acaba sendo tomada por uma espécie de sensação de segurança coletiva e esquece que a Organização Mundial de Saúde ainda mantém a condição de Pandemia.

O NOVO NORMAL IV

Aqui na Zona Sul quem vem alertando para esta situação de aumento de novos casos é a Universidade Federal de Pelotas, mas parece que os gestores públicos estão fazendo vistas grossas, inclusive o executivo pelotense.

Sabemos que a roda da economia precisa girar novamente a todo vapor, mas terá como custo milhares de novos infectados?

A obrigatoriedade do uso de máscara é algo tão simples, podemos fazer tudo, frequentar qualquer lugar, está garantido nosso direito de ir e vir, basta usar máscara, mas parece tão inútil ao ponto das pessoas debocharem de quem usa.

A coluna deseja simplesmente fazer um alerta, pois decisões políticas não são decisões científicas. Da sua vida quem tem que cuidar é você!

Tome cuidado, pois quem não foi infectado pelo vírus até agora e acreditar nas decisões políticas, confiando que tudo voltou ao normal, terá as seguintes opções: seguir com todos os cuidados e não se contaminar, entrar para a estatística dos infectados ou se tornar lembrança para todos que te amam. Essa última não desejamos a ninguém!

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