
Eleito prefeito de Pelotas em 2024 com 39,6% dos votos, Fernando Marroni (PT) vem, ao longo de sua gestão ao lado da vice-prefeita Daniela Brizolara (PSOL), atuando em diversas frentes que buscam restituir o protagonismo regional para a Princesa do Sul. Entre os pilares de desenvolvimento apontados pelo gestor, estão: saúde, educação, cultura, turismo, petróleo e inovação.
Em entrevista exclusiva, Marroni destacou a projeção de uma “nova era” para o município, que se consolida pela expectativa da exploração de petróleo na Bacia de Pelotas e pelo fortalecimento da cidade como polo estadual de serviços e conhecimento. A entrevista completa pode ser conferida no canal do YouTube do JTR.
Theatro Sete de Abril

Tendo como proposta, durante a campanha eleitoral de 2024, a organização do setor e da indústria criativa — com a exploração adequada do potencial histórico do município definida como uma das prioridades do governo —, o atual prefeito cumpre parte do que foi proposto ao viabilizar a entrega do Theatro Sete de Abril, marcada para o aniversário de 214 anos da cidade, na próxima terça-feira (7), após 16 anos com as portas fechadas.
“Tivemos um esforço grande para que pudéssemos dar um presente significativo para a nossa cidade no dia do aniversário. O teatro é parte da alma de Pelotas. Foram 16 anos em que o silêncio tomou conta daquela casa e agora ela volta a abrir as suas cortinas, volta a iluminar o seu palco, e a receber cultura e todas as manifestações artísticas”, destaca.
Comportando 470 pessoas, em uma restauração completa avaliada em mais de R$ 7,6 milhões, segundo Marroni, o único item que não estará incluído na reabertura do teatro é o ar-condicionado. “A tubulação já foi instalada, mas aguardamos recursos federais para a instalação das máquinas. Mas é importante lembrar que o teatro nunca teve ar-condicionado. Portanto, dentro da sua configuração original, ele está completo e plenamente apto para funcionar. Posteriormente, queremos equipá-lo também com um sistema de som mais moderno”, esclarece.
Saúde e novos investimentos
Conforme Marroni, após ajustes técnicos realizados na estrutura, a comunidade pode contar com a inauguração do novo Hospital Regional de Pronto Socorro de Pelotas (HRPS) até o fim de 2026. Localizado na avenida Bento Gonçalves, nº 4.590, o prédio do novo HRPS será referência para 23 municípios da região Sul, e sua estrutura contará com Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), salas cirúrgicas e 121 leitos clínicos. Ao todo, a obra possui um aporte financeiro estadual no valor de R$ 74,3 milhões. “Estamos falando de uma estrutura hospitalar extremamente complexa. Não é uma obra simples. Esses ajustes fazem parte do processo. O pequeno atraso que teremos será compensado pela qualidade que será entregue”, pontua.
Tendo defendido, durante a campanha eleitoral, mais investimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e dito, ainda, que, caso eleito, levaria adiante a implantação de novas unidades no Fragata e na Zona Norte do município, Marroni mostra, em sua gestão, amplo progresso na área da Saúde. “Nós ampliamos o horário de atendimento em seis UBSs da cidade, o que fez os atendimentos saltarem de cerca de 25 mil para quase 38 mil”, ressalta.
Para o prefeito, outro avanço importante, não somente para Pelotas, mas também para a Zona Sul, é a nova Policlínica Regional, cuja licitação já foi concluída, e a obra será iniciada em breve. Segundo ele, a estrutura também deverá ficar na avenida Bento Gonçalves, próxima ao Serviço Social da Indústria (SESI). Dentre as novidades da Administração, também estão o Centro de Reabilitação e Especialidades; duas novas UBSs — uma no bairro Santa Terezinha e outra na região do Simões Lopes —; e duas novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), uma ainda para este ano, no Fragata, e outra prevista para 2027, na Zona Norte da cidade.
Marroni destaca ainda que já foram contratados novos médicos, que todas as UBSs contam com profissionais e medicamentos, e que os problemas relacionados às filas nas farmácias foram significativamente reduzidos. O prefeito também cita a criação do novo Hub da Saúde, financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) com recursos de subvenção econômica, iniciativa que, segundo ele, dará um novo impulso à tecnologia e à inovação no setor.
Defendendo a presença das universidades e centros de pesquisa, Marroni acredita que Pelotas reúne condições únicas para se tornar referência estadual em saúde, contando com importantes indústrias ligadas à área e sendo também uma das maiores geradoras de emprego da cidade. O prefeito acrescenta que a região deverá receber o novo hospital da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) em 2028. “Costumamos chamar aquela região de Vale da Saúde. Ali teremos o Hemocentro, o Hospital Pronto-Socorro e o novo hospital universitário. Estamos falando da maior obra do PAC no Rio Grande do Sul, com investimento de aproximadamente R$ 279 milhões. Teremos uma estrutura invejável e uma prestação de serviço qualificada para o Sistema Único de Saúde”, acrescenta.
Infraestrutura urbana e “Prefeitura em Ação”
Frente considerada prioritária enquanto candidato, apesar de se apoiar em projetos como o programa “Prefeitura em Ação”, envolvendo diversas secretarias e trabalhando de forma integrada para a recuperação de ruas e a ampliação do saneamento, Marroni alega que a Prefeitura está enfrentando um grande passivo de manutenção urbana, agravado pelas enchentes de 2023 e 2024.
“Precisamos resolver e, ao mesmo tempo, preparar a cidade para futuros eventos climáticos. Por isso estamos investindo em micro e macrodrenagem, limpeza urbana, desobstrução de canais e iluminação pública. Esses mutirões [Prefeitura em Ação] têm justamente esse objetivo: concentrar esforços e levar melhorias para todos os bairros da cidade”, pontua.
Segundo o prefeito, licitações para um investimento de mais de R$ 28 milhões em infraestrutura e pavimentação já estão em andamento e obras devem ter início no segundo semestre
Além dos investimentos previstos, Marroni afirma que a recuperação da malha viária segue como um dos principais desafios da Administração. Segundo ele, a situação é especialmente crítica nas ruas sem pavimentação, onde os problemas reaparecem a cada período de chuva, elevando os custos de manutenção para o município e gerando demandas constantes da população. Entre as intervenções já realizadas, ele menciona obras e serviços de manutenção em importantes corredores urbanos, como as avenidas Fernando Osório e Ferreira Viana, a rua Gonçalves Chaves e o bairro Jardim Europa, além de outras regiões da cidade.
Novo acesso à Colônia Z3

Outro ponto destacado pelo prefeito é a reconstrução dos acessos à Colônia Z3, uma das localidades mais afetadas pelas enchentes recentes. “Estamos construindo uma ponte definitiva de concreto, para que não haja mais interrupções no acesso à comunidade. É uma obra realizada em parceria com a Defesa Civil Nacional”, acrescenta.
A previsão é de que a obra seja concluída até o final de julho, em prazo inferior ao inicialmente estimado. Paralelamente, a Prefeitura busca soluções de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade da comunidade às cheias. Entre as medidas planejadas está a criação de um novo acesso pela parte alta da região, em uma cota mais elevada, evitando os impactos provocados pela elevação do nível da água e pela ação dos ventos sobre a via atualmente utilizada, que acompanha a orla. “Também já foi aprovado pelo Governo Federal um projeto de 150 moradias em área elevada. A ideia é transferir famílias que hoje vivem em áreas vulneráveis para locais mais seguros, reduzindo os impactos das enchentes da lagoa”, revela.
Laranjal
No Laranjal, região apontada por Marroni como uma das áreas com maior potencial de crescimento de Pelotas, a Prefeitura prepara um conjunto de intervenções voltadas à adaptação climática e à qualificação urbana. De acordo com Marroni, o município já obteve recursos federais para a reformulação completa do sistema de macrodrenagem do balneário, incluindo a implantação de novas casas de bombas e a recuperação do dique do Valverde, com previsão de início das obras até o final de 2026. O prefeito avalia que as medidas deverão reduzir significativamente os problemas causados pelas chuvas e pelo escoamento da água, embora reconheça que eventos extremos, como a enchente de 2024, continuarão representando um desafio para a região.
“O que fizemos em 2025 foi criar um sistema emergencial de contenção com dunas artificiais ao longo da praia. Em cerca de 72 horas conseguimos montar essa proteção com orientação técnica da universidade. Caso ocorram novamente eventos extremos, teremos condições de repetir esse procedimento para minimizar os impactos”, relata.
Marroni também destaca a balneabilidade como a principal fragilidade do Laranjal e afirma que a construção de duas novas estações de tratamento de esgoto deverá contribuir para a recuperação da qualidade da água da lagoa, eliminando o lançamento de esgoto no Canal São Gonçalo. Para o prefeito, a solução desse problema é fundamental para ampliar o potencial turístico da região, fortalecer o comércio local e impulsionar a economia.
Estradas rurais e pontes
Em um município com ampla extensão territorial e forte presença da produção agropecuária, a manutenção da infraestrutura rural também figura entre as prioridades da gestão. A Prefeitura conseguiu garantir condições adequadas para o escoamento da safra no último ano, apesar dos impactos provocados por períodos de chuvas intensas, que exigem intervenções frequentes nas vias do interior, diz Marroni.
O prefeito afirma que a capacidade de atendimento da Secretaria de Desenvolvimento Rural foi ampliada ao longo da atual administração. De acordo com ele, quando o governo assumiu, apenas uma máquina operava na zona rural. Atualmente, seis patrolas atuam simultaneamente, permitindo respostas mais rápidas às demandas das comunidades e dos produtores. Marroni destaca que, em situações consideradas normais, os serviços de recuperação costumam ser iniciados em menos de 24 horas após o registro dos problemas.
A substituição de pontes de madeira por estruturas mais resistentes também integra o planejamento da Prefeitura para o meio rural. Conforme ele, 22 pontes foram recuperadas somente neste ano, em um esforço contínuo de modernização da infraestrutura utilizada por moradores, produtores e transportadores que dependem da malha viária rural para deslocamento e escoamento da produção.
Petrobras e a Bacia de Pelotas
Destaque aguardado pela comunidade, a possível exploração de petróleo na Bacia de Pelotas foi apontada por Marroni como uma das perspectivas econômicas mais relevantes para o futuro da Princesa e da região sul do Estado.
Após reuniões recentes com a direção da Petrobras, o prefeito afirma ter recebido a confirmação de que os trabalhos relacionados à Bacia de Pelotas serão acelerados, com previsão de início da primeira perfuração exploratória em 2028. Ele destaca que, apesar dos estudos técnicos já realizados, a perfuração será a etapa decisiva para confirmar o potencial econômico e comercial da área, determinando a viabilidade efetiva da produção.
Para o prefeito, os impactos de uma eventual exploração ultrapassam a atividade petrolífera em si: “Não estamos falando apenas da Petrobras. Nenhum projeto de exploração de petróleo é realizado por uma única empresa. A Petrobras atuará em parceria com empresas internacionais e consórcios. Pelotas deverá sediar a base operacional dessas atividades, além de receber as operações das empresas terceirizadas e parceiras. Isso muda completamente a perspectiva industrial da cidade”, ressalta.
Segundo o chefe do Executivo municipal, a instalação dessa nova cadeia econômica teria potencial para alterar significativamente o perfil produtivo da cidade. Marroni destaca que Pelotas já possui diferenciais importantes, como a presença de universidades e cursos voltados à formação de profissionais em áreas relacionadas à indústria de energia, incluindo Geologia e Engenharia do Petróleo. Para ele, a existência dessa base de qualificação pode favorecer a inserção do município em futuras demandas por mão de obra especializada.
O prefeito também projeta reflexos em diversos segmentos da economia local. Entre os setores que poderão ser beneficiados estão hotelaria, alimentação, transporte, logística, manutenção industrial, prestação de serviços especializados e mercado imobiliário.
Outro ponto destacado é o papel estratégico do aeroporto de Pelotas, considerado pelo prefeito um ativo importante para atender futuras demandas de deslocamento de profissionais, equipamentos e serviços ligados à atividade offshore. Segundo ele, a Administração já trabalha na criação de uma comissão específica para acompanhar o tema, manter diálogo permanente com a Petrobras e buscar referências em cidades que passaram por processos semelhantes de transformação econômica. “Estamos falando de uma transformação capaz de alterar nossa matriz produtiva. Isso terá reflexos em diversos outros setores. Por isso precisamos estar preparados”, destaca.
Na visão do gestor, a iniciativa fortalece também a integração com o Polo Naval de Rio Grande, ampliando oportunidades para diferentes setores produtivos em toda a região sul do Estado.
BR-116 e pedágios
Ao abordar a infraestrutura regional, o prefeito relaciona o desenvolvimento econômico projetado para Pelotas à necessidade de melhorias logísticas e de mobilidade. Ele destaca a duplicação da BR-116 como uma obra estratégica para a região sul do Estado, cuja conclusão é esperada para 2027. “O debate não é simplesmente sobre existir ou não pedágio. O debate é sobre qual modelo será adotado e quais benefícios efetivos serão entregues ao usuário”, avalia.
Para Marroni, a Prefeitura tem se posicionado de forma crítica à proposta apresentada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), especialmente em relação à inclusão de custos que, em sua avaliação, deveriam ser assumidos pelo Governo Federal. O prefeito também defende a manutenção de tarifas consideradas compatíveis com a realidade regional e a não instalação de cancelas dentro dos limites do município, argumentando que a população local já convive há décadas com deficiências de infraestrutura sem o retorno proporcional dos investimentos realizados.
Assistência Social
Na área social, Marroni afirma que a gestão concentrou esforços na reestruturação da rede de atendimento a públicos em situação de vulnerabilidade. Entre as iniciativas citadas estão a recuperação dos abrigos destinados a crianças e adolescentes e a inauguração de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Infantil com leitos de internação para atendimento de crianças em situações de crise.
O prefeito reconhece, porém, que a população em situação de rua permanece como um dos maiores desafios enfrentados pelo município. Em sua opinião, a questão vai além da vulnerabilidade econômica e envolve fatores relacionados à saúde mental e à dependência química, exigindo ações permanentes de acolhimento e assistência.
Em conformidade, equipes realizam abordagens diárias junto a essa população, oferecendo encaminhamento ao Centro POP, onde são disponibilizados serviços de banho, alimentação, lavanderia, local para pernoite e acolhimento para animais de estimação. Durante períodos de frio intenso, as ações são reforçadas com novas abordagens noturnas e distribuição de cobertores para aqueles que recusam o acolhimento institucional. O prefeito afirma que o município também trabalha em programas de reinserção social e em parcerias com o Governo do Estado, embora reconheça a complexidade do tema e a inexistência de soluções imediatas.
Magistério em expansão
No âmbito da educação, o prefeito destaca a existência de mais de 3,6 mil candidatos aprovados em cadastro de reserva para diferentes áreas da rede municipal de ensino. A medida deve permitir a reposição de vagas efetivas, fortalecendo a estrutura de pessoal das escolas municipais.
Contudo, a Administração necessita de contratações temporárias para suprir afastamentos decorrentes de licenças médicas, maternidade e outras situações previstas em lei. Nesses casos, afirma, os contratos emergenciais são indispensáveis para garantir a continuidade das atividades escolares sem prejuízo aos estudantes.
Marroni também reconhece que ainda existem relatos de falta de professores e merendeiras em algumas unidades de ensino. Para solucionar essas demandas, segundo ele, a Prefeitura depende da aprovação de projetos encaminhados à Câmara Municipal solicitando autorização para novas contratações temporárias, capazes de suprir necessidades imediatas da rede.
Carnaval pelotense
“Pelotas é o berço do carnaval gaúcho. Durante muito tempo realizamos a festa fora de época, perdendo visibilidade e protagonismo. Quando o país inteiro estava vivendo o carnaval, nós estávamos assistindo de fora”, pontua.
Segundo o prefeito, a realização do evento na mesma época em que ocorrem as celebrações em todo o país contribuiu para atrair visitantes da região e de países do Mercosul, gerando impacto positivo em setores como hotelaria, comércio e serviços. Além dos efeitos econômicos, Marroni destaca a valorização do patrimônio cultural e das entidades carnavalescas locais.
Revitalização do centro
A revitalização da região central também integra os projetos estratégicos da Administração. Marroni informa que a Prefeitura mantém parcerias com entidades como Fecomércio, Sesc, CDL e Sebrae para desenvolver iniciativas voltadas à recuperação econômica e urbana do centro histórico e comercial.
Entre os projetos em andamento está a implantação de uma Escola de Gastronomia junto ao Mercado Central, além de ações voltadas à ocupação de espaços ociosos e à definição de novos modelos de gestão e manutenção para o complexo. Paralelamente, o Sebrae desenvolve estudos voltados à integração entre o centro histórico e o centro comercial, buscando ampliar a circulação de pessoas e estimular novos investimentos na região.
O prefeito também confirma que a proposta de implantação de uma rua coberta permanece em análise. Segundo ele, existem investidores interessados na iniciativa e entidades representativas do comércio acompanham as discussões, embora o projeto ainda esteja em fase de avaliação.




