Imbecil

Caro leitor(a), o vocábulo imbecil descreve como me sinto quando vejo o Presidente da República desde o início da pandemia defendendo a tese de que as atividades econômicas não podem parar. Bolsonaro foi e é contra qualquer tipo de restrição de circulação e lockdown.

Não faço juízo de valor se o presidente está certo ou errado! Contudo, me sinto um imbecil diante do silêncio de Bolsonaro e dos setores produtivos defensores da economia sobre a paralisação do país.

Imbecil II

Para quem não sabe, a terça-feira de carnaval não é e nunca foi feriado estabelecido por lei. Porém, foi convencionado, isto é, tornou-se hábito o feriado de carnaval.

Eu particularmente gosto do feriado, mas quando há carnaval!
No entanto, como posso enganar minha consciência que deseja um país melhor e fazê-la aceitar um feriado de carnaval quando não tivemos carnaval? Como enganar minha consciência se ela conhece a vida do trabalhador rural que nunca tem feriado?

Minha consciência não tem dúvidas sobre a importância de um dia nas vendas para os comerciantes que estão na iminência de fechar as portas do negócio.
Como enganar minha consciência sobre os milhões de brasileiros desempregados que sonham com um emprego?

Minha consciência sabe que empregos são gerados quando há consumo, quando o setor agropecuário produz, quando o comércio vende, quando os prestadores de serviços trabalham.

Minha consciência reconhece que, em tempos normais, fora da pandemia, os feriados são vitais para o turismo e o lazer, contemplando restaurantes, cinemas, hotéis, teatros, shoppings, vendedores ambulantes, parques, circos e outras atividades culturais.
Esse é o movimento da economia que gera impostos para o setor público, movimento financeiro com lucro para os empresários e emprego e renda para a população.

Imbecil III

Como fazer minha consciência entender que estamos vivendo uma pandemia que gerou desemprego e agora é necessário recuperar postos de trabalho se o setor público decretou ponto facultativo fazendo feriado num carnaval que não existiu?

Eu de um lado tentando convencer minha consciência de que queremos trabalhar e do outro lado os banqueiros, fazendo o que querem com o aval do governo. Os bancos em Pelotas, além de não atenderem dia 2 de fevereiro – feriado de Nossa Senhora dos Navegantes, fizeram feriadão na segunda, terça e quarta-feira pela manhã durante o carnaval que não existiu.

Retornaram na quarta-feira das 12h às 15h. E quem paga essa conta? Os bancários que trabalham sobrecarregados e o povo, que fica na fila abaixo de sol e de chuva, buscando atendimento.

Em Pelotas, no mês de fevereiro a rede bancária vai trabalhar 16 dias e meio, por isso nós cidadãos somos explorados com juros abusivos e os bancários com baixos salários.

Foto: Sérgio Corrêa

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