Gestão da pandemia

A decisão de extinguir o sistema de bandeiras, tão exaltado pelo seu criador, o governador Eduardo Leite, permite acreditar que as bandeiras e suas cores serviram apenas para justificar e legitimar os decretos do governo gaúcho de acordo com o momento e a conveniência.

Recordando a gestão da pandemia
No início da pandemia no RS, a principal arma que todos dispúnhamos era o teste para detectar a Covid-19. Pensando nisso, o governo estadual assinou um contrato próximo de R$ 8 milhões com uma agropecuária localizada em Pelotas, que até então fazia testes apenas em bovinos.
O contrato foi questionado na justiça e tal ação fez com que o governo desistisse do mesmo. O teste era e ainda é imprescindível no combate à pandemia. Contudo, o governo não buscou outras empresas privadas para a realização dos testes.
Tal situação fez com que alguns prefeitos da região tomassem a iniciativa de contratar empresas para realização dos mesmos. Sem contar que muitos dos exames feitos pelo Estado demoraram tanto ao ponto de que, quando chegaram os resultados, os pacientes já haviam morrido.

Política na pandemia
Durante a campanha eleitoral de 2020 não houve decreto, bandeira, nem cor que impedisse as aglomerações dos candidatos e eleitores naquele período, causando aumento do número de casos e de mortes.

Natal e Ano Novo
Nas praias do Litoral Norte, no Cassino e outras praias gaúchas, decretos, bandeiras e cores não foram respeitadas. As aglomerações aconteceram durante o período de final de ano e o governo não fiscalizou. A consequência foi, novamente, o aumento do número de casos e de mortes.

O carnaval que não aconteceu
No período de carnaval que não aconteceu, o governo, ciente de que o comércio, o setor de serviços e outros tão sacrificados na pandemia precisavam trabalhar, manteve um feriado que, por lei, não é. Contudo, por costume, todo o RS parou na terça-feira de carnaval, proporcionando tempo para que irresponsáveis fizessem festas clandestinas que não foram fiscalizadas. Onde estavam o decreto e as bandeiras vigentes?

Quando leis não atendem propósitos de governos, mudam-se as leis!
O governo teve mais uma vitória, contando com boa parte dos deputados estaduais, principais responsáveis pela retirada de direitos do povo gaúcho.
Os deputados, ao extinguir o plebiscito, permitiram a venda da CEEE e, na terça-feira (27), autorizaram através de votação em 1º turno a venda da Corsan, do Banrisul e da Procergs, também sem nenhuma consulta ao povo gaúcho.

Bandeira versus decreto – terminam-se as bandeiras!
Do início do sistema de gestão do governo até esta semana, o sistema de bandeiras sinalizava os indicativos da ciência, das pesquisas, da pressão sobre o sistema de saúde, da ocupação de leitos e outros fatores que apresentam pareceres técnicos contribuindo para a gestão da pandemia.
No entanto, o governador, por meio de decreto, determinou o retorno de aulas presenciais para educação infantil, primeiros e segundos anos. O Judiciário, baseado nas regras criadas pelo próprio governo, por decisão liminar, não permitiu o retorno das atividades presenciais durante a bandeira preta.
O que o governador fez? Com o poder da caneta, passou o estado para bandeira vermelha, anunciou a extinção do sistema de bandeiras e o retorno das aulas presenciais, mesmo sabendo que, em sua terra natal, três professores voltaram às escolas e perderam a vida. Além disso, a prefeita de Pelotas relatou a difícil situação no município e a possibilidade de novas restrições.
Na quinta-feira (29), ao encerrar este conteúdo, recebi a triste notícia do falecimento de mais uma professora em Pelotas.

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