“Coroavírus” – entre a quaresma e o abandono

Os filmes de catástrofes sobre pandemias sempre focam num cenário: a partir do momento em que a tragédia se instala, parte da população se entrincheira protegida enquanto a outra fica abandonada, feito zumbis, desassistida e em meio à miséria. Foi do que lembrei quando uma amiga advertiu: por enquanto, o coronavírus está desembarcando nos aeroportos e chegando à casa dos viajantes – onde as pessoas conseguem manter distância, usar sabonete líquido e álcool gel. Em seguida, vai chegar às favelas…

Técnicos de saúde pública advertem que os dois próximos meses devem ser de propagação e o isolamento social diminui os danos. Mas, que vai chegar em todos os cantos não há como negar, causando estragos, especialmente, entre idosos e pessoas em situação de risco. Hoje temos bom número de pessoas conscientes. Porém, existe quem ainda não alcançou a grandeza do que pode acontecer e continua fazendo “saídas”, passeando na praia, organizando churrascos e jogos de carteado…

Será um longo tempo de permanência dentro de casa. Mas precisa chegar a hora em que preparados e protegidos se volte às atividades do dia a dia. Até lá, como conservar crianças e idosos em casa? Poucos dias mostraram ser uma missão quase impossível. Embora se tenha visto exemplos de solidariedade – como o de pessoas mais jovens que se dispõem a sair às ruas para fazer as compras de quem precisa – o isolamento corrói a autoestima, chegando, em alguns momentos, à depressão.

Há casos e casos… Ouvi de conhecidos que precisam voltar para casa e para os filhos. Pais idosos são motivo de telefonema, quase sempre perguntando se precisam de alguma coisa. Atender demandas de abastecimento da casa qualquer supermercado faz com serviços de entrega. Mas, reclusos e afastados de amigos, filhos e netos perdem o direito de um tempo gasto (nem que seja em videoconferência) para serem acarinhados, ouvindo e vendo, dando gostosas risadas… interagindo e vivendo!

Um conhecido contou que pensava levar o pai para casa de repouso. Achava que ali seria cuidado e protegido. Infelizmente, não há como ter certeza, pois lugares assim abrigam pessoas na mesma situação e a proliferação do vírus pode ser fatal. Os “coroavírus” podem entrar em quarentena, mas não precisam ser abandonados… Embora não se possa conviver fisicamente, há a possibilidade de telefonemas e conversas diárias, videochamadas e troca de mensagens por redes sociais.

Autoridades dizem que as economias vão ter problemas. Mas, os otimistas acreditam na oportunidade para “desacelerar” relações, inclusive com a Terra… Idosos não vão emergir desta pandemia sozinhos. Na vizinhança, desafiam para a solidariedade: jeito de mostrar que saímos melhores, porque não deixamos para trás os “velhinhos” que são e que ainda vamos ser. Esperança e certeza de que vivemos e fazemos história!

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome