Comunismo, capitalismo e escravidão econômica

Há 60 anos, começava no Brasil a mesma conversa de hoje: “os comunistas querem tomar conta do país”! Porém, vivemos um período em que os comunistas já estão aqui e não vieram pelo regime ou sistema político, mas sim pelo capitalismo.
A China já está entranhada no Brasil através dos produtos que compramos e são produzidos no país do sudeste asiático. Os chineses compraram e fundaram empresas nas mais diversas áreas, desde a soja, empresas de comunicação até o setor de geração e distribuição de energia elétrica.
Durante a pandemia ficou mais evidente que a China tornou boa parte do mundo, incluindo o Brasil, dependente do que os chineses são capazes de fazer. Assim, compramos luvas cirúrgicas, máscaras, respiradores, muitos outros insumos para a área da saúde e agora o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), produto base para as vacinas Coronavac e AstraZeneca, produzido na China.

Capitalismo
Dito apenas isso sobre a China, é necessário perguntar: quem compra a maior parte da soja produzida no Brasil?
Outra pergunta necessária: você leitor(a) sabe que os nossos governantes usam as empresas públicas como cabides de emprego? Financiam obras para a iniciativa privada em nome do desenvolvimento, destroem as empresas do estado tornando-as inviáveis economicamente, depois dizem: “a empresa pública não presta bons serviços”. Então os mesmos líderes políticos que falam dos comunistas, em nome do capitalismo e em nome da atividade privada, vendem nossas empresas. Mas quem as compra? Os comunistas que possuem capacidade de investimento e produção para alimentar o consumo gerado pelo capitalismo.
Amigo(a) leitor(a), você já parou para refletir sobre a venda de empresas públicas? No âmbito nacional, Fernando Henrique Cardoso começou as privatizações e o país até hoje gasta mais do que arrecada. No RS, Antônio Brito privatizou tudo o que pôde, e o estado continua falido. Atualmente, Eduardo Leite é a nova versão das privatizações.

Escravidão econômica
No dia 30 de abril, um amigo proprietário de uma camioneta ano 2019, modelo flex, avaliada em R$ 78 mil, pagou a importância de R$ 2,5 mil de IPVA, mais o licenciamento. Quando comprou o referido veículo, no preço final deve ter pago entre 30% e 40% de imposto. Três anos após a compra, já desembolsou mais de 10% do valor atual do veículo somente com o IPVA.
Não bastassem os impostos citados, quando viaja, paga R$ 12,30 em cada pedágio; se estaciona no centro de Pelotas, paga R$ 4,20 por duas horas no estacionamento rotativo. Esse amigo tem em sua residência uma garagem para o automóvel, que torna a área construída da casa um pouco maior. Por consequência disso, o valor do imóvel é maior. Assim, o valor pago pelo IPTU também é maior. Sem contar o imposto que está embutido nos combustíveis, que, somente de ICMS, chega a 30%.
Concluindo esta manifestação sobre a escravidão econômica, cabe lembrar-se do proprietário de farmácia que tem que contratar segurança para não ser assaltado; lembrar do cidadão que paga pela escola particular dos filhos; das pessoas que pagam planos de saúde para não precisar ir para a fila de uma UBS às 5h da manhã; a taxa para recolhimento de lixo; a taxa para emissão de documentos. Ao fim, pagamos por tudo que o estado não oferece com a qualidade que gostaríamos de receber.
Na quinta-feira (6), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, veio lançar o edital que estabelece a concessão de exploração, uso e cuidados da floresta nacional de Canela, com mais de 500 hectares na serra gaúcha, para a iniciativa privada. Em poucos meses outras florestas e parques gaúchos seguirão o mesmo caminho.
Chegará um tempo em que governantes não terão mais o que vender, então como serão os serviços prestados pelo Estado?

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome