Carne de cavalo, atraso na vacinação e incoerência

Sérgio Corrêa.

Carne de cavalo

O Ministério Público do Rio Grande do Sul prendeu criminosos que compravam cavalos de carroceiros ou capturavam os animais encontrados soltos pelas ruas. De posse dos equinos, levavam os mesmos para uma chácara onde eram abatidos.

Após o abate misturavam a carne de cavalo com carne bovina e suína para produzir hambúrgueres que, posteriormente eram vendidos nas tradicionais hamburguerias de Caxias do Sul.

O que o ser humano é capaz de fazer pelo dinheiro. Será que isso acontece aqui na Zona Sul também?

Pedido para atrasar a vacinação

Durante a semana que se encerra hoje, sexta-feira (19), uma notícia divulgada somente agora, causou espanto no meio político e, principalmente no PSDB nacional.

O fato aconteceu no início do ano, quando o governador Eduardo Leite, a pedido do general Eduardo Ramos, então ministro-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro, em 15 de janeiro ligou para o governador de São Paulo, João Dória, para pedir que adiasse o inicio da vacinação contra a Covid-19.

Cabe lembrar que naquelas 24 horas do dia 15, o país registrou 1.059 mortes. Com uma resposta curta e grossa, como diz o gaúcho, Dória disse o seguinte: “lamento, Eduardo, que você tenha se prestado a atender um pedido dessa natureza do general Ramos. Diga a ele que vamos iniciar a vacinação, assim que a ANVISA autorize a utilização da Coronavac. E que eu estou ao lado da vida e dos brasileiros”.

Pedido para atrasar a vacinação II

Cabe aqui uma reflexão: o que os políticos são capazes de fazer por interesses!
O presidente Bolsonaro, assim como alguns de seus apoiadores, dentre eles Roberto Jefferson, presidente do PTB, partido do vice-governador do Rio Grande do Sul, debocham, insinuam piadinhas sobre a sexualidade do governador, que diz respeito somente ao próprio, manifestam dúvidas sobre verbas utilizadas no combate à pandemia, e ainda assim, nosso governador por interesse político próprio ou do governo federal, se submeteu a um pedido para atrasar a vacina que tem salvado bilhões de vidas em todo o planeta.
A verdade é que tanto o governo Bolsonaro, quanto Eduardo Leite não queriam assistir Dória triunfar como primeiro político, governador a aplicar a primeira dose de vacina contra a covid-19 no Brasil. Sobretudo porque Eduardo é adversário direto de Dória nas prévias do Partido que acontecerão no próximo domingo, dia 2. Já para Bolsonaro, o atraso na vacinação não evidenciaria a irresponsabilidade do governo federal que não se preparou e não comprou vacinas.

Resumindo: contra a verdade não há contestação. O governador de São Paulo, João Dória, acreditou e investiu na vacina chinesa Coronavac antes de qualquer outro gestor público. Basta ver que o país começou a vacinar a população em janeiro graças ao Instituto Butantan e todos os acordos firmados por Dória com os laboratórios chineses para recebermos os primeiros lotes de Coronavac e, posteriormente, produzirmos o imunizante aqui no país.

Incoerência

Governo do estado retira aviso de alerta para a R21, região de Pelotas e outros municípios. Determina o retorno presencial de forma obrigatória aos alunos de escolas públicas e privadas e, se não bastasse, libera o acesso de torcedores nos jogos de futebol em todo o estado podendo ocupar a capacidade máxima do estádio.

Pelotas há duas semanas tinha 33 leitos de UTIs, devido ao aumento do número de casos assim como de internações, contratou mais 6 leitos, totalizando 39. Na última quarta-feira a prefeitura de Pelotas informou no painel covid, 33 pacientes internados em UTI, o que representa 84,6% de ocupação em leitos de UTI, se o executivo não tivesse contratado novos leitos, estaríamos com 33 que representaria 100% de ocupação.

Incoerência II

No auge da pandemia o governo do estado criou o sistema de bandeiras para monitorar a propagação do vírus e assim tomar atitudes no sentido de diminuir o avanço do número de casos em cada região.

Agora o próprio governo trata o Rio Grande do Sul como um lugar único, deliberando sobre flexibilizações para toda a população gaúcha, sem observar a situação de cada região. Não há como conceber que tal atitude tenha coerência.