Aprendemos ou não como mitigar os efeitos do coronavírus?

Começo descrevendo o significado da palavra mitigar, tão difundida nos discursos políticos no período de pandemia.
Mitigar: tornar mais brando, mais suave, menos intenso (dor, sofrimento etc.); aliviar, suavizar, aplacar.
Desde o início da pandemia, é de amplo conhecimento no mundo a importância do processo de testagem como ferramenta de identificação de pessoas infectadas pelo coronavírus. Citei diversas vezes aqui na coluna que os testes são armas potenciais que temos para detectar e, consequentemente, tentar combater a propagação do coronavírus e suas variantes.
Em ordem cronológica, no primeiro momento da pandemia, tínhamos apenas os testes. No entanto, em quantidades insuficientes face à demanda necessária naquele período. Hoje, dispomos de diversas vacinas. Contudo, não há doses suficientes para vacinar a totalidade da população brasileira, que dirá a população mundial!
Sempre será importante lembrar que o distanciamento social, a higienização das mãos e todos os cuidados possíveis durante os processos de interação com pessoas, objetos, alimentos, meios de transporte, ferramentas de trabalho e outros, são fundamentais para o cuidado e a proteção de cada pessoa na sua interação social com o mundo ao seu redor.
O Brasil testou muito pouco, ou melhor, quase nada. A resposta para a ridícula aplicação de testes no país justifica-se, talvez, pela aposta na imunidade de rebanho, associada ou não à teoria de que, após a contaminação se tornar comunitária, não adianta testar porque o vírus está em toda parte e torna-se impossível identificar a linha de contágio.
Na quarta-feira (26), o Ministro da Saúde anunciou que o país vai testar 20 milhões de pessoas por mês. Vamos aguardar, pois não é de hoje que cobramos mais testes aqui na coluna.

Analogia

Caro leitor (a), me valho deste espaço para, de forma simples, promover uma analogia entre o cenário atual da pandemia e uma partida de futebol. Prática essa sob a luz de algumas lições recebidas na Sociologia.
Falando de interações sociais, busco descrever as ações individuais, bem como de ações de grupos, que influenciam nos resultados obtidos pelo coletivo.
Imaginemos uma partida de futebol onde temos, numa equipe, o melhor técnico e os melhores jogadores do mundo, Neymar, Cristiano Ronaldo e Messi e uma torcida fervorosa, que grita e motiva seu time. Sem dúvida, nesse jogo veremos interações entre pessoas portadoras de capacidades individuais extraordinárias. Contudo, faz-se necessária a interação dessas capacidades individuais com o restante do grupo para a construção de um resultado coletivo.
Supondo que o técnico coloque Cristiano Ronaldo como goleiro e Neymar e Messi como zagueiros, o resultado não será o mesmo. Se o treinador colocar cada jogador na sua posição, podemos afirmar o que disse Benito Di Paula em uma de suas músicas: “tudo está no seu lugar, graças a Deus”. Porém, se a torcida, ao contrário de cumprir o seu papel torcendo ordeiramente, começar a atirar pedras e outros objetos impedindo a prática do bom futebol, o resultado, assim como o processo de interação, será outro.
Comparando a partida de futebol e suas interações com a pandemia, nota-se que equipes médicas esforçam-se, atendendo em hospitais lotados buscando salvar vidas, enquanto outras pessoas invocam o direito de ir e vir, de não usar máscara e afins, ao ponto de pessoas diagnosticadas com a Covid-19, sobretudo as assintomáticas, saírem às ruas como se não houvesse pandemia.
Apenas relembrando um fato registrado aqui na coluna noutra edição, quando um empresário ofereceu duas opções ao funcionário, trabalhar mesmo contaminado ou a demissão. O rapaz seguiu trabalhando, piorou seu estado de saúde e faleceu.
No domingo (23), o Presidente da República participou de um passeio de motocicleta no município do Rio de Janeiro, ocasionando aglomerações de pessoas sem máscara e desrespeitando o distanciamento social, como se fosse um comportamento normal durante a pandemia.
Estas atitudes estimulam indivíduos ou grupos, que passam a interagir de forma semelhante, tanto que, na madrugada de quinta-feira (27), a guarda municipal de Porto Alegre interrompeu um baile funk no bairro Sarandi, com 400 pessoas sem máscara e sem distanciamento social.
O Presidente da República simbolicamente representa o técnico que troca os jogadores de posição. Já o grupo de pessoas no baile funk se compara com a torcida atirando pedras e outros objetos no campo de jogo. Ambas as situações, com interações individuais ou de grupos, produzem os resultados negativos apresentados.
E assim seguiremos nadando contra as ondas da Covid-19!

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