A mulher e a realidade da Zona Sul

Sérgio Corrêa, jornalista e radialista.

Tomando por base as teorias de dois autores clássicos da sociologia, o francês Émile Durkheim e o alemão Maximilian Karl Emil Weber, torna-se possível entender que este modelo de estado patriarcal sempre limitou a participação das mulheres em todos os espaços, principalmente no poder. Nesse cenário, torna cada vez mais importante a permanente luta das mulheres em todos os espaços de construção social.

Considerando a política e os partidos políticos como instituições sociais, para Durkheim a instituição social seria o conjunto de regras e artifícios uniformizados socialmente para conservar a organização do grupo. De qual grupo estamos falando? Dos homens que durante séculos são detentores do poder político e, como conservadores, tornaram a figura do homem na política uma tradição, sendo esta um pensamento social uniforme. Porém tudo começa a mudar quando movimento feminista sufragista brasileiro em 25 de outubro de 1927, alcança sua primeira vitória: o reconhecimento do alistamento eleitoral feminino no estado do Rio Grande do Norte.

As brasileiras que se tornaram pioneiras na luta pelos direitos das mulheres expressavam exatamente o pensamento Weberiano que as ideias, crenças e os valores eram os principais catalizadores das mudanças sociais. Weber acreditava que os indivíduos dispunham de liberdade para agir e modificar a sua realidade. A ação social seria, portanto, qualquer ação que possuísse um sentido e uma finalidade determinados por seu autor, e assim começaram as mudanças que lentamente ainda hoje continuam.

Diante do exposto através de busca de informações em municípios da Zona Sul, veremos que a luta das mulheres está apenas começando! Vamos mostrar quantos anos de existência tem os municípios desde a fundação ou emancipação e quantas mulheres foram prefeitas.

A cidade de Rio Grande tem hoje 271 anos desde sua emancipação e nunca teve uma prefeita mulher.

São José do Norte, com 191 anos, elegeu em 2016 Fabiany Zogbi, a primeira mulher prefeita do município para seu primeiro mandato de 2017 à 2020, que foi reeleita para um segundo mandato de 2021 à 2024.

Santa Vitória do Palmar tem 150 anos desde sua emancipação e nunca elegeu uma mulher prefeita.

Pelotas, atualmente com 210 anos, elegeu em 2016 Paula Mascarenhas a primeira prefeita da história do município para seu primeiro mandato, de 2017 à 2020. Posteriormente. foi reeleita para um segundo mandato de 2021 à 2024.

São Lourenço do Sul está com 138 anos e nunca elegeu uma mulher prefeita.

O município de Turuçu, com apenas 27 anos de idade desde sua emancipação, foi o precursor, elegendo Selmira Fehrenbach no ano de 2000 como a segunda prefeita na história do município para o mandato de 2001 à 2004. Ela foi reeleita para o segundo mandato de 2005 à 2008, voltando a ser eleita em 2016 para o terceiro mandato, de 2017 à 2020.

Arroio do Padre completou 26 anos da criação do município por meio de uma lei estadual, no entanto, nunca elegeu uma mulher prefeita.

O município de Capão do Leão tem 40 anos, e neste período não elegeu uma mulher prefeita.

Pedro Osório, com 63 anos, de idade entra no mesmo grupo de municípios que nunca elegeram uma mulher para o cargo de prefeita.

Cerrito, com 26 anos, também não elegeu uma mulher como prefeita.

Arroio Grande, com 207 anos, e muitas mulheres na política seguiu o mesmo caminho da maioria dos municípios da Zona Sul e nunca elegeu uma mulher prefeita da cidade.

Jaguarão, hoje com 167 anos, também nunca elegeu uma mulher para prefeita do município.

Herval tem 141 anos e durante todo este tempo também não elegeu uma mulher para o executivo municipal.

Pedras Altas, a mais jovem cidade da Zona Sul, com 23 anos, também seguiu o conservadorismo e não elegeu uma mulher prefeita.

Pinheiro Machado chegou aos 143 anos de existência e nunca elegeu uma mulher prefeita.

Santana da Boa Vista, com 58 anos, elegeu Aline Torres de Freitas como prefeita em 2008 para seu primeiro mandato de 2009 à 2012, reeleita para um segundo mandato de 2013 à 2016.

Iniciando por Rio Grande a cidade mais antiga do estado e encerrando com a Capital Farroupilha, Piratini, com 234 anos, nunca elegeu uma mulher para o cargo de prefeita.
Esta é uma pequena contribuição, mostrando a realidade da Zona Sul onde a luta das mulheres merece o apoio de todos.

Isto posto, faz-se necessário observar que dentre os mais de 20 municípios que fazem parte da AZONASUL as quatro mulheres que foram eleitas, pelo trabalho realizado ganharam a confiança da população e foram reeleitas para um segundo mandato.

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