A expectativa dos gaúchos com a eleição

Elis Radmann, cientista social e socióloga.

A vida não está fácil, mas a esperança está sempre ativa. Mais da metade dos gaúchos estão preocupados com a situação da economia, mas acreditam que a eleição poderá trazer uma nova perspectiva.

As pesquisas quantitativas e qualitativas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião têm avaliado a percepção do eleitor sobre o momento em que vivemos e a expectativa com a eleição geral de 2022.

O primeiro aprendizado nos ensina que, conscientemente, ninguém mais quer falar sobre pandemia. O eleitor está exaurido. Mas não adianta, conversa vai, conversa vem e o tema do custo de vida aparece junto com o relato da perda do poder de compra, com a pandemia sendo apontada como um dos principais vilões desse retrocesso.

Nesse momento a população está dividida, metade acredita que a eleição trará nova perspectiva e metade tem dúvida. Uns avaliam que irá ficar a mesma coisa e outros temem a piora do cenário.

Os que acreditam em dias melhores se apresentam como otimistas convictos. Esperam melhorias, acreditam que a sua escolha eleitoral irá modificar a conjuntura, creem em um dos dois candidatos que lideram as pesquisas nacionais e mantêm a polarização política.

Os eleitores de Lula mostram nostalgia relembrando o período econômico de seu mandato e acreditam que o ex-presidente poderá estabilizar a economia e diminuir as mazelas sociais. Os que apostam na reeleição de Bolsonaro defendem que o presidente poderá fazer as mudanças necessárias, que foram limitadas pela judicialização da política. Na visão desses eleitores, Bolsonaro é impedido de trabalhar, “hora pelo legislativo, hora pelo judiciário e hora pela grande mídia”.

O segundo aprendizado demonstra que a outra metade mostra ceticismo com o futuro e tem muita preocupação com a inflação e com a possibilidade de recessão econômica.
São pessoas calejadas, sofreram os impactos financeiros da pandemia, historicamente são mais descrentes com os políticos e avaliam que não há bons candidatos. Não enxergam alguém que possa efetivamente liderar o país.

Nesse grupo tem os eleitores que intencionam votar em um candidato de terceira via e aqueles que fazem o voto de rejeição: votam em Lula pensando em tirar Bolsonaro do poder ou votam em Bolsonaro para tentar manter Lula fora do poder.

É importante citar que 1 em cada 10 gaúchos está preocupado com os desdobramentos financeiros da guerra na Europa Oriental. Imagina que esse contexto de disputa irá dificultar ou inviabilizar a retomada econômica do país, ratificando a impotência da política doméstica em gerar a mudança necessária. Como argumento, cita a influência internacional do preço do petróleo no nosso cotidiano e a dificuldade de acessar os insumos para a agricultura, gerando desdobramentos diretos no custo da produção de alimentos.

As pesquisas indicam que a agenda econômica será a principal pauta das eleições de 2022. Os candidatos terão que ter a capacidade de mostrar para o eleitor o que farão para driblar a influência do cenário internacional na inflação, criar as condições para restabelecer o poder de compra da população e estancar o crescimento da miséria e da fome.

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