Energia dos ventos coloca Piratini no centro do debate sobre o futuro econômico

Além dos debates sobre energia eólica, o encontro abordou temas relacionados à sustentabilidade, licenciamento ambiental, inovação tecnológica e atração de investimentos. (Foto: Divulgação)

A busca por alternativas de desenvolvimento sustentável e novos investimentos para a Metade Sul do Estado ganhou mais um capítulo na última terça-feira (2), durante o evento Piratini Energias Renováveis. Realizado na Câmara de Vereadores de Piratini, o encontro reuniu lideranças políticas, empresários, investidores e representantes do Governo do Estado para debater o avanço da transição energética e o potencial da região para receber empreendimentos ligados à geração de energia limpa.

A programação contou com a presença do prefeito Marcio Porto (MDB), da assessora da Casa Civil do Estado, Paula Mascarenhas, representando o governador Eduardo Leite (PSD), do diretor de Energia Eólica do Sindienergia-RS, Guilherme Sari, além de prefeitos, vereadores e lideranças regionais.

Um dos destaques do evento foi a assinatura da Carta de Piratini pela Transição Energética e pelo Desenvolvimento Sustentável da Região Sul do Rio Grande do Sul. O documento formaliza a criação da Frente Regional Política em Apoio aos Parques Eólicos da Região Sul, formada pelos municípios de Piratini, Pinheiro Machado, Hulha Negra, Pedras Altas, Herval, Candiota, Bagé e Aceguá.

Idealizador da iniciativa e um dos principais defensores da pauta na região, o vereador Jimmy Carter (MDB) destacou que o Rio Grande do Sul vive um momento estratégico para ampliar sua participação na matriz energética nacional. “O mundo está caminhando para a descarbonização e para a transição energética. E agora esse movimento começa a olhar com mais atenção para o Rio Grande do Sul”, afirma.

Segundo o parlamentar, a região de Piratini e Pinheiro Machado reúne algumas das áreas com maior potencial eólico do país, condição que tem despertado o interesse de investidores nacionais e estrangeiros. “O melhor potencial de ventos do Estado está aqui. Hoje Piratini possui quatro projetos eólicos com licenças prévias concedidas ou em fase avançada de licenciamento, o que coloca o município em posição de destaque dentro desse processo”, ressalta.

Durante sua participação, Carter destacou que os empreendimentos projetados para a região possuem capacidade significativa de geração energética e podem representar um novo ciclo econômico para a Metade Sul. “Estamos falando de investimentos bilionários, geração de empregos, qualificação profissional e fortalecimento da infraestrutura regional. É uma oportunidade que beneficia não apenas Piratini, mas toda a região”, observa.

Entre os projetos citados está o Parque Eólico Serra de Santo Antônio, atualmente em fase de avanço para licenciamento de instalação. Conforme apresentado durante o encontro, o empreendimento prevê investimentos estimados em cerca de R$ 1,6 bilhão e poderá gerar mais de mil postos de trabalho durante a fase de construção.

Outro ponto destacado pelo vereador foi a capacidade da região de absorver novos empreendimentos em função da infraestrutura de transmissão disponível no Estado. “O Nordeste liderou esse mercado por muitos anos, mas hoje enfrenta limitações em suas linhas de transmissão. O Rio Grande do Sul possui condições para expandir a geração e entregar essa energia ao sistema nacional”, argumenta.

Além dos debates sobre energia eólica, o encontro abordou temas relacionados à sustentabilidade, licenciamento ambiental, inovação tecnológica e atração de investimentos. Empresas brasileiras e multinacionais ligadas ao setor participaram das discussões, reforçando o interesse crescente pelos projetos previstos para a Campanha e a Serra do Sudeste.

Para Carter, a assinatura da Carta de Piratini representa um passo importante para fortalecer a articulação política regional em torno dos empreendimentos. “Os ventos são o nosso ouro invisível. Precisamos transformar esse potencial natural em desenvolvimento, emprego e oportunidades para a nossa população”, afirma.

O documento firmado durante o evento estabelece o compromisso das lideranças regionais em apoiar políticas públicas voltadas à expansão das energias renováveis, acompanhar os processos de licenciamento e buscar condições para atração de investimentos que contribuam para o crescimento econômico sustentável da região.

Com a consolidação do evento em sua terceira edição, Piratini busca se firmar como um dos principais polos de debate sobre energias renováveis no Estado, reunindo governo, setor produtivo e lideranças políticas em torno de uma agenda voltada ao futuro energético da Metade Sul gaúcha.

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