Sondagem do varejo de óticas indica que cenário segue desafiador para o segmento no RS

Ainda que perceba o futuro das vendas com otimismo, mais da metade dos entrevistados não atingiu suas expectativas de vendas nos últimos seis meses e não tem intenção de realizar novos investimentos. (Foto: Divulgação)

A Fecomércio-RS realizou entre os dias 16 de abril e 12 de maio a sondagem do Segmento de varejo de Óticas. Ao todo, foram realizadas 385 entrevistas junto a estabelecimentos que optam pelo regime do Simples Nacional, em todo o território gaúcho. O objetivo é captar as principais percepções de gestores, executivos e proprietários acerca do andamento das vendas, da organização das finanças, da estrutura de gestão e das expectativas para o curto prazo. A sondagem ainda investiga impactos remanescentes das enchentes de maio de 2024.

A análise dos dados revelou que a maioria dos estabelecimentos da amostra (60,8%) estão a mais de 10 anos no mercado. Além disso, mais de dois terços desses estabelecimentos (69,6%) funcionam com até 4 funcionários, com a venda de artigos óticos representando a maior parte do faturamento para 69,1% dos entrevistados.

Com relação às avaliações atuais para o segmento, os resultados revelam que mesmo depois de passados 2 anos da tragédia climática de 2024, ainda há efeitos remanescentes. Foram 57,7% que sofreram danos, diretos ou indiretos da tragédia, desses, apenas 31,1% se recuperaram totalmente, sendo que 12,2% afirmaram não ter se recuperado. A redução de faturamento (70,6%) e as perdas de clientes (52,9%) são os principais efeitos que ainda infligem perdas ao segmento.

Mesmo com um cenário pós-tragédia que segue impondo desafios ao setor, quando questionados acerca da situação atual das finanças, 45,7% afirmaram que a situação é “boa” e 14,5% que é “muito boa”. Para 33,5% a situação financeira é regular enquanto os demais 6,2% se distribuem entre “ruim” (4,4%) e “muito ruim” (1,8%).

Já o desempenho das vendas nos últimos 6 meses tem sido moderado, com vendas avaliadas como regulares para 49,4% dos entrevistados. Em 24,7% (bom) e 4,7% (muito bom) dos casos, as avaliações foram positivas, já para 15,6% foram ruins e 5,7% muito ruins. Para mais da metade dos entrevistados (60,8%), no entanto, as vendas ficaram abaixo das expectativas.

No âmbito interno, os principais empecilhos ao crescimento das vendas citados foram a fidelização de clientes (30,4%), junto com marketing (26,8%) e gestão de equipe (24,9%). Já as questões externas que mais impactam o setor vem da carga tributária (34,5%) seguido pela concorrência informal (18,4%).

Esses dados corroboram uma conjuntura desafiadora para o segmento, em que os consumidores se encontram mais cautelosos e os custos financeiros, em função das taxas mais elevadas de juros, assim como a maior restrição ao crédito e maior endividamento e inadimplência das famílias, dificultam a ampliação das vendas. No entanto, existe certo otimismo com as perspectivas futuras com 54,0% dos estabelecimentos esperando alguma melhora nas vendas nos próximos 6 meses, apesar de não esperar o mesmo para a economia gaúcha e brasileira.

Essa percepção positiva para vendas, porém, não se traduz em intenção de realizar novos investimentos (64,9%) para a maior parte dos respondentes, refletindo cautela dos empresários consultados. Segundo o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, “vivemos um tempo desafiador, de taxas de juros elevadas e consumidor altamente cauteloso diante de um contexto de renda, na média, bastante comprometida com dívidas. Nesse cenário, no âmbito da empresa, além da avaliação criteriosa do próprio balanço financeiro, a gestão não pode falhar. Entender quem é e como está o seu público-alvo precisa ser a base da formulação de estratégias de vendas e das condições de pagamento a serem ofertadas, que sejam compatíveis com a estrutura financeira do negócio. Resultados melhores não virão de fora.”

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