“Quando eu morrer, quero ser lembrado como aquele que cantou não somente Piratini, mas nossa gente em todo o RS”, diz jovem músico

Com apenas 28 anos, João Pinheiro, aposta de Cristiano Quevedo, tem sido presença constante em festivais nativistas. (Foto: Douglas Spohr)

Uma das apostas promissoras do músico Cristiano Quevedo no meio da música regional, João Pinheiro, de 28 anos, apesar de jovem, já acumulou muita experiência ao participar, geralmente com êxito, de dezenas de festivais nativistas pelo Estado. Graduado em Música pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pinheiro divide seu tempo entre repassar os conhecimentos adquiridos nos bancos acadêmicos, principalmente no violão, também para os aprendizes que integram as turmas da Escola de Música Arte e Ação, iniciativa do Rotary Clube Piratini. “Tenho, no momento, 60 alunos. E quando não estou ensinando, estou compondo ou estou acompanhando os cantores Juliano Moreno, de Livramento, ou o Alex Pereira, de Pelotas, ambos no gênero nativista”, contou.

Sobre a participação em festivais, o jovem é incisivo ao responder: “Já são tantos que agora eu não conseguirei lembrar todos em que estive no palco. O primeiro foi em 2010, na 15ª Quadra do Sesmaria da Poesia Gaúcha, em Osório, quando defendi a poesia ‘Guri da Gaita’, do conterrâneo Juarez Farias, o que me deu o prêmio de melhor intérprete.

Vertente, em Piratini, estive nas quatro últimas. Na 7º edição, interpretei ‘Flor do Agosto’, letra e música de minha autoria e uma das premiadas do festival. No ano seguinte, a escolhida foi ‘Engarupado’, também feita por mim. Estive ainda na XVII Jerra da Canção, de Santa Vitória do Palmar, onde cantei ‘Basilísco’. A letra é do Alex Moreira, mas a música foi eu quem fiz”.

Como referências no meio, Pinheiro citou o próprio Quevedo, além de Farias, e acrescentou mais um. “O Bebeto Luçardo, que vejo como um dos maiores compositores e intérpretes da nossa música foi quem me mostrou o caminho que hoje percorro”.

Quanto a Quevedo, a quem elogia e revela esbarrar com frequência pelas estradas da vida, o jovem disse estar surpreso em ter sido citado por ele como alguém que pode ir mais à frente na carreira. “Entendo que seu jeito único de compor e cantar o faz estar entre as raras exceções no nosso meio. Cristiano é ímpar no meio nativista, agrada a todos. Admiro a forma que usa para se comunicar com o público em seus shows, sabendo como transmitir o que sente e isso nem sempre é o que percebo em outros, pois entendo que, para alguns, o ego atrapalha”.

Sobre onde quer chegar com sua música, Pinheiro não se mostra ambicioso, mas autêntico. Para ele, a meta principal vai além de apenas ensinar aos seus alunos a melhor forma de tocar violão. Acima de tudo, ele pretende contribuir para a formação de bons cidadãos. “Quero influenciá-los a ter, inclusive, compromisso, honestidade, verdade, o que é possível a partir da música, pois ela nos permite o autoconhecimento”, opina.

Como meta profissional, Pinheiro responde usando um exemplo um tanto mórbido, mas que, segundo ele, sintetiza como quer ser lembrado quando morrer. “Imagine você, que me entrevista neste momento, dando a notícia da minha morte. Ao ouvi-la ou ler esta informação, espero que as pessoas digam: morreu João, aquele que cantou a nossa gente, nossa verdade e que cantou a realidade, não só de Piratini, mas do Rio Grande do Sul, e fez isso sempre ao lado dos amigos”, respondeu o jovem promissor, que finaliza com uma discordância sobre um dos motivos usados pelos farrapos na chamada Revolução de 35.

“Não concordo quando ouço que o RS deveria ser um Estado a parte. Falando exclusivamente da nossa música, Teixeirinha, Gildo de Freitas e Os Bertussi foram gravados por quem também gravou o Tango, o Choro. Digo isso porque entendo sermos nós, gaúchos, outros tantos a beber na fonte da música brasileira. Nos inspiramos ou até copiamos aquilo que é bom. Portanto, devemos continuar a nos alimentar dessa fonte”.

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