Projeto com jovens pelotenses valoriza saberes da pesca

Iniciativa coordenada pela Furg reúne 20 jovens das comunidades pesqueiras da Z3 e do Pontal da Barra. (Foto: Álvaro Guimarães/JTR)

Aconteceu no sábado (24), no Salão Paroquial da Z3, a aula inaugural do projeto Saberes da Pesca, que tem como objetivo valorizar os saberes tradicionais da pesca artesanal como ferramenta de produção de alimentos ambiental e socioambientalmente sustentáveis e saudáveis. A formação, coordenada pela Fundação Universidade do Rio Grande (FURG), reúne 20 jovens selecionados nas comunidades da Z3 e do Pontal da Barra.

O projeto foi estruturado em três frentes de atuação, sendo a primeira voltada para os jovens e buscando resgatar o interesse pela atividade da pesca artesanal entre as novas gerações, incentivando o reconhecimento das práticas e dos conhecimentos transmitidos de geração em geração.

“Hoje, muitos jovens das comunidades pesqueiras não querem mais permanecer na atividade. A ideia é que, com o projeto, eles passem a valorizar os saberes dos seus familiares e da comunidade”, comenta a professora Liandra Caldasso.

Os alunos, com idades variadas, foram selecionados por meio de edital público e participarão de um ciclo de formação de dez meses, com encontros quinzenais aos sábados. “O trabalho pretende desenvolver técnicas de formação e produção audiovisual, para que eles desenvolvam um olhar crítico sobre a realidade da pesca, identificando de que forma podem, no futuro, contribuir com a atividade, sem necessariamente estarem pescando”, explica o professor Éderson Silva, responsável pelas aulas.

“O trabalho pretende que desenvolvam um olhar crítico sobre a realidade”, diz Silva. (Foto: Álvaro Guimarães/JTR)

Para Wesley Teixeira Costa, 23 anos, filho de pescador, a iniciativa surge como uma oportunidade não apenas de conhecer mais sobre a atividade profissional que sustenta sua família, mas também de buscar alternativas para mudar a realidade à sua volta. “É aquela coisa de aprender para poder também ajudar no que for preciso. Viver da pesca é muito difícil hoje: às vezes pega alguma coisa, às vezes não. Tem que contar com a sorte. Toda safra é uma incerteza, então é um trabalho no qual só fica quem não tem outra opção”, comenta.

A segunda frente de atuação do projeto trabalha com as mulheres pescadoras, resgatando saberes da gastronomia e da manipulação do pescado, muitas vezes repassados informalmente ao longo das gerações. Já a terceira trata dos aspectos sanitários na manipulação do pescado, orientando as famílias para garantir a segurança alimentar e a qualidade dos produtos oferecidos.

Apesar de ter começado com um número limitado de participantes — devido ao orçamento restrito —, a expectativa é ampliar o projeto para outras colônias e municípios da região. “O recurso é baixo, então ainda não conseguimos expandir, mas a ideia é levar essa iniciativa para outras comunidades pesqueiras no futuro”, afirma Liandra.