Prepara RS: municípios da zona sul recebem investimentos para ampliar prevenção climática

141 municípios poderão ser contemplados em três faixas que variam de acordo com o número de habitantes. (Foto: Clarissa Ribeiro/JTR)

O Governo do Estado apresentou, na manhã de sexta-feira (3), em Pelotas, as principais ações e objetivos do programa Prepara RS El Niño, que deve preparar os municípios diante dos alertas de novos eventos climáticos, como a intensificação do fenômeno. Na ocasião, a Defesa Civil do Estado pôde detalhar e especificar o cenário atual e as medidas de prevenção para reduzir os possíveis impactos dos eventos.

O projeto orienta ações para os municípios, como a atualização de planos de contingência, de áreas de risco e de populações vulneráveis, a execução de ações preventivas de limpeza, manutenção e a realização de capacitações. Também foi confirmada a instalação de três novos radares meteorológicos, que podem ampliar a cobertura do monitoramento climático no estado.

Atuação integrada é imprescindível

Ao todo, 141 municípios poderão ser contemplados em três faixas que variam de acordo com o número de habitantes – a primeira faixa de R$ 200 mil, a segunda, de R$ 250 mil e a terceira, de R$ 300 mil. Na zona sul, municípios como Arroio do Padre, Arroio Grande, Canguçu, Capão do Leão, Jaguarão, Pedro Osório, Pelotas, Rio Grande, São José do Norte e São Lourenço do Sul receberão recursos, sendo que os repasses de maior valor da região serão destinados a Pelotas e Rio Grande, com R$ 300 mil para cada um.

O governador Eduardo Leite (PSD) destaca que a iniciativa é mais um passo no processo de estruturação do Rio Grande do Sul, que já conta com uma série de ações implementadas. Além disso, para ele, a participação das cidades nesse alinhamento é fundamental. “A proteção é uma rede que integra o governo do estado e os municípios. O estado reúne dados e promove investimentos, mas precisamos dessa articulação com as cidades, com muita aproximação”, explica.

A prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira (PT), ressalta que a reunião oportunizou essa integração. Para ela, quando um desastre climático afeta um local, todos os outros do entorno sofrem o impacto. “É importante discutir as nossas principais demandas e as ações de mitigação, tanto as que faremos individualmente, como as que vamos fazer regionalmente. Precisamos pensar nos desastres de forma regional – quando eles afetam uma cidade, atingem todas as outras da região”, enfatiza.

Para o prefeito de Pelotas, Fernando Marroni (PT), o investimento significa maior segurança aos pelotenses e o fortalecimento da proteção da cidade. “Para a nossa cidade, o programa representa um convênio de 300 mil, que permitirá a compra de equipamentos, complementando a nossa secretaria de Defesa Civil para enfrentar esse período que vem pela frente”, pontua.

Preparar para proteger

Segundo o governador, a população não será mais surpreendida, diante da abundância de dados que antes não existiam. “É possível, com essa análise prévia, realizar uma estratégia de remoção de pessoas e definir quais equipamentos serão necessários. Reforçamos em quatro vezes nossas equipes, estamos atuando em todas as frentes”, assegura.

No entanto, Leite reforça que prevenir pode reduzir riscos, mas não significa imunidade absoluta ou garantia de bloqueio contra as consequências dos desastres. “Preparação não significa estarmos blindados. Observamos que em todo lugar do mundo, quando há um evento extremo com um grande volume de chuva e em um curto espaço de tempo, vai ter algum tipo de impacto. Hoje o nosso nível de preparação nos permite um diagnóstico para poder emitir os alertas e, a partir do plano de contingência, proteger a população”, reforça.

O coordenador regional da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, coronel Marcio Facin, reforça a importância do programa. Facin pontua que o Prepara RS representa uma mudança na cultura da proteção. “O maior legado do programa é transformar a prevenção em política pública permanente. Pela primeira vez, o estado não está apenas respondendo aos desastres, mas investindo antes deles acontecerem, fortalecendo os municípios, qualificando o planejamento e preparando as equipes para proteger vidas. É isso que fará a diferença nos próximos eventos climáticos”, diz.

Iconicidades

Ainda na reunião, foi realizada a assinatura do convênio Iconicidades, programa que formaliza o repasse do projeto arquitetônico para a requalificação da antiga sede do Banco do Brasil, localizada no centro histórico de Pelotas. O edifício faz parte de um conjunto arquitetônico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O convênio também promove novos cursos do Senac e a construção de uma edificação no largo do Mercado Público, destinada à implantação de um Centro de Gastronomia.

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