
As projeções de o Rio Grande do Sul ser afetado pelo fenômeno La Niña e registrar chuvas abaixo do normal na reta final do ano tem animado os pescadores da região, que vislumbram nessa condição climática o cenário perfeito para boas safras de tainha e camarão a partir de fevereiro.
O presidente da Colônia de Pescadores Z8, em São Lourenço do Sul, Ivan Kuhn, comenta que, apesar da crise do seguro-defeso, a categoria está otimista. “As chuvas, durante a primavera, não foram de grande volume, de grande intensidade e os ventos também colaboraram bastante. Isso nos dá a expectativa de uma boa safra, principalmente da tainha. E, se espera uma boa produção de camarão, pois faz tempo que a gente não tem uma grande safra de camarão”, comentou.
No entanto, Kuhn observa que o período ainda não é favorável aos pescadores, pois a corvina – espécie liberada para pesca desde o início de outubro – não apresenta uma rentabilidade interessante e, o bagre, cuja captura poderia contribuir para incrementar a renda das famílias segue com a pesca proibida por determinação judicial.
Em 2014, após o Ministério da Pesca e Aquicultura considerar a espécie em risco de extinção, sua captura foi proibida no estuário da Lagoa dos Patos. Recentemente, a Colônia Z8 ingressou com uma ação contra a União solicitando a liberação da pesca do bagre na região sob a chancela da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), que ficaria responsável por normatizar a pesca para garantir a sustentabilidade da atividade. Porém, o governo federal afirmou não ter recursos para financiar o estudo necessário para viabilizar a ideia.
“Temos aí esse problema da normativa, coisa que atrapalha muito e que a gente não conseguiu resolver até hoje. Essas espécies proibidas, como o bagre, acabam aparecendo nas redes do pescador que tem que descartá-los para não correr o risco de ser responsabilizado por crime ambiental”, explicou.
Em Pelotas, safras podem ser a salvação da Z3
De acordo com o presidente do Sindicato dos Pescadores de Pelotas, Nilmar Conceição, a safra da corvina não representa grande ganho para os pescadores pelotense, pois a safra é curta – vai de outubro a janeiro – e os preços pagos não são significativos.
A situação, no entanto, muda de figura com relação a tainha e o camarão, apontados como os principais produtos pesqueiros da temporada de verão. A partir disso, a comunidade da Z3 deposita todas suas esperanças em uma boa safra para superar as crises causadas pela enchente de 2024 e a falta de pagamento do seguro-defeso em 2025.
As mais recentes observações dos pescadores mais experientes indicam que a água salgada – responsável por trazer as larvas do camarão e os cardumes de tainha – tem oscilado no estuário. “A situação ainda permanece como uma incógnita, mas a esperança de todos os pescadores é de que teremos uma boa safra”, disse.



