CADERNO AGRONEGÓCIO: Desenvolvimento regional da agricultura familiar camponesa é assunto de seminário da Azonasul

Paulo Peres abordando a implantação do programa no município de Canguçu (Foto: Vitória Leitzke/JTR)

Na manhã da última terça-feira (26), a Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) junto ao Consórcio Público do Extremo Sul realizou o seminário regional “Fortalecimento da Agricultura Familiar Camponesa”, com painéis e debates, além do relato do secretário de Desenvolvimento Econômico e Agrário de Canguçu, Paulo Peres, falando sobre o programa no município, em atividade há quase um ano. Além dele, os coordenadores do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Frei Sérgio e Adilson Schuch e o cientista político e assessor do senador Paulo Paim (PT), Ottmar Teske também palestraram no evento.

Segundo o secretário Paulo Peres, Canguçu foi o primeiro município da Região Sul a construir ações e um programa, junto aos movimentos sociais, para a agricultura familiar camponesa. “Vim hoje para dar o testemunho que esse programa é viável, já está sendo executado no município há um ano, e para nós foi muito bom. Temos a lei que os ampara, uma prestação de serviço direto aos nossos agricultores na questão da semente de milho, feijão e a cooperativa Cooperat-Sul que presta um serviço direto para nosso pequeno agricultor, isso é muito importante porque é feito uma avaliação de como eles trabalham e o apoio necessário do governo”, destaca.

O coordenador do MPA, Adilson Schuch, destacou a importância da proposta de criação do Programa de Desenvolvimento Regional da Agricultura Camponesa, debatida no seminário. “O seminário tem como objetivo resgatar a importância dos camponeses e de recuperar essa expressão da agricultura familiar camponesa. Essa expressão ela foi durante muito tempo ridicularizada e hoje tem uma força hegemônica em relação à agricultura, que é o agronegócio, mas os pequenos agricultores estão fora desse processo”, afirma.

“Hoje, infelizmente, o subsídio do estado é estendido para grandes corporações, que integram e que criam as cadeias. A maioria das cadeias de produção do leite, do frango, do próprio fumo, acabou criando critérios de produção que excluíam muitas famílias. Hoje, as rotas do leite estão todas esvaziadas e nós entendemos que o camponês preserva pela liberdade dele”, explica Schuch.

Com isso, de acordo com o coordenador, a ideia do projeto de produção é ter como base a agroecologia, produzindo alimentos saudáveis e visando o conhecimento do público sobre o que está consumindo. Ainda, o programa contempla ações que vão além das dimensões técnico-produtivas, comercial e econômica, abrangendo também alternativas para melhorar o acesso dos camponeses à educação, saúde, moradia, dentre outros obstáculos enfrentados pelas comunidades.