
Os exemplares Jersey da Embrapa Centro de Pesquisa Agropecuária de Clima Temperado (CPACT) deram um show à parte nas pistas da 93ª Expofeira Pelotas com a conquista dos principais títulos da raça na exposição, como os de grande campeã e reservada, fêmea jovem, campeãs leiteiras até e acima de 36 meses, melhor úbere da exposição, além de vários campeonatos da categoria.
Tantos títulos são motivos de orgulho e resultado de mais de 20 anos de trabalho de seleção genética junto ao Centro de Recria de Touros e Novilhas Selecionadas da Raça Jersey (Certon), que tem sua base operacional instalada junto à Estação Experimental Terras Baixas (EETB), em Capão do Leão. “O objetivo básico é a participação em exposições ranqueadas em todo o Rio Grande do Sul, que além de divulgar os animais é um trabalho de difusão importante para a valorização da empresa”, ressalta o idealizador e coordenador do Certon, o pesquisador Darcy Bitencourt, que atualmente também preside a Associação de Criadores de Gado Jersey do Rio Grande do Sul (ACGJRGS).
Segundo ele, a campeã leiteira até 36 meses, possui 35 meses e produz 28 litros de leite por dia. “Em 12 dias, produz o equivalente ao peso dela”. Ainda, durante a expofeira ela produziu 37.800 litros, mesmo tendo entrado no cio, já que nesta fase a produção cai em torno de oito litros por dia. “A campeã leiteira acima de 36 meses tem uma produção de 38 a 40 litros por dia”, diz.
Conforme Bitencourt, uma produção diária de 20 a 22 litros é considerada uma média muito boa. “Um litro equivale a quatro xícaras de café, apenas uma vaca consegue abastecer um hotel”, compara.
O Centro foi criado em janeiro de 2008 na intenção de gerar tecnologias à pecuária familiar e desenvolver a atividade leiteira, melhorar a produtividade por animal e, consequentemente, gerar mais renda e sustentabilidade às propriedades. O local possui 18 hectares com pastagens perenes, de inverno e de verão, dividida em 33 potreiros, o que permite a rotatividade dos animais e a sua nutrição basicamente a pasto. “Nestes 18 hectares, trabalhamos com 66 animais”, destaca.
A água é abundante, com reservatórios com capacidade de 70 mil litros, com captação da chuva e de nascentes próximas e distribuição entre todos os potreiros. Permite ainda, a irrigação das pastagens em períodos de seca, num sistema denominado “molhação”. A produção de feno e silagem também é feita no próprio Centro.


O local ainda é dotado de um prédio principal, onde está localizada sua base operacional, com duas salas do coordenador e outra para palestras, além de outros três espaços para apoio logístico. Em outro prédio está localizada a cabana com acomodação para 15 animais, depósito de feno e ração concentrada. Uma área coberta adjacente abriga terneiros na primeira fase da recria, além de máquinas e equipamentos.
Desde 2011, o Certon é responsável pela recria de todos os terneiros nascidos no Sistema de Pesquisa e Desenvolvimento em Pecuária Leiteira da Embrapa (Sispel), machos e fêmeas, a partir dos 60 dias. A recria de fêmeas é composta por cinco fases e dos machos por três (veja quadro).
Segundo Bitencourt, as fêmeas são trabalhadas até 14 meses e após inseminadas, através de programa específico da área de recria. “A primeira cria serve como teste e se verificada a aptidão do animal, após 20 dias, se produzir 20 litros ou mais de leite, começam a ser preparadas para as exposições. As não selecionadas são enviadas para o rebanho geral do Sispel, assim como os machos. “Nosso foco são as exposições, e após as exposições passam por uma triagem e aquelas que se classificam com destaque recebem tratamento especial para participação nas ranqueadas da Raça Jersey”.
Os terneiros machos diferenciados ficam inteiros (não castrados) e são repassados para produtores para melhoria genética na região. “Um touro daqui foi o grande campeão da Expointer”, diz o coordenador e, segundo ele, a campeã leiteira até 36 meses é filha deste touro. “A intenção é contribuir com o desenvolvimento da raça na região e no Estado a custos moderados”, explica.
De acordo com Bitencourt, todos os animais são vendidos em remates oficiais e públicos. O último foi realizado em 2016. Segundo ele, a resposta dos produtores é muito boa e já foram vendidos de 50 a 60 touros para produtores da região e do Estado. O local está aberto para visitação de produtores e demais interessados. “No último dia de campo realizado aqui, recebemos a visita de mais de mil produtores”, finaliza.
Fêmeas
1ª fase – dos 60 aos 150 dias
– Estabulamento total por 90 dias
– Feno à vontade
– Água à vontade
– Complemento alimentar com concentrado (18 a 20% PB)
2ª fase – dos 150 aos 360 dias
– Potreiros ao ar livre
– Silagem de milho ou sorgo
– Pastagem de milheto ou azevém
– Feno à vontade
– Água à vontade
– Complemento alimentar com concentrado (18 a 20% PB)
3ª fase – dos 360 aos 420 dias
– Mesmo manejo alimentar
– Seleção pelo desenvolvimento e características da raça Jersey
4ª fase – dos 420 aos 720 dias
– Mesmo manejo alimentar
– Pré-parto 60 dias antes da previsão de parição
– Alimentação de pré-parto: silagem, feno, água, concentrado e mineralização específicos
5ª fase – a partir de 720 dias
– Alimentação de estímulo ao potencial produtivo da vaca (desafio), quando os animais são preparados pra participar de concursos leiteiros e julgamentos em exposições oficiais da raça
Machos
1ª fase – dos 60 aos 150 dias
– Estabulamento total por 90 dias
– Feno à vontade
– Água à vontade
– Complemento alimentar com concentrado (28 a 20% PB)
2ª fase – dos 150 aos 360 dias
– Potreiros ao ar livre
– Silagem de milho ou sorgo
– Pastagem de milheto ou azevém
– Feno à vontade
– Água à vontade
– Complemento alimentar com concentrado (18 a 20% PB)
– Seleção pelo desenvolvimento e características da raça Jersey
3ª fase – dos 360 aos 420 dias
– Mesmo manejo alimentar
– Preparação para exposições e comercialização em leilões públicos de venda de animais



