Agroindústrias da Zona Sul se preparam para ganhar o mercado brasileiro

Beatris Sonntag Kuchenbecker é auditora fiscal do Ministério da Agricultura e Pecuária. (Foto: Álvaro Guimarães/JTR)

A Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) promoveram, na terça-feira (25), no auditório do Sicredi em Pelotas, a oficina do Projeto Ampliação de Mercados de Produtos de Origem Animal para Consórcios Públicos de Municípios (ConSIM) sobre o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA). O evento é o primeiro passo para a adesão do Consórcio Regional de Inspeção de Produtos de Origem Animal ao SISBI-POA, o que abrirá as portas do mercado nacional para a produção das agroindústrias da Zona Sul.

“O objetivo principal da oficina é passar orientações relativas aos requisitos e preparo que o consórcio e os sistemas municipais de inspeção devem ter para ingressar no SISBI-POA, pois há todo um arcabouço legal e normas para definir quais são esses requisitos observados pelo Ministério na hora de avaliar se o serviço está de fato apto para receber a chancela do SISBI”, explicou Beatris Sonntag Kuchenbecker, auditora fiscal do Ministério da Agricultura e Pecuária.

O Consórcio Regional reúne, atualmente, 109 agroindústrias de 20 municípios da região. A expectativa é de que, até o final de março, o número de empresas cadastradas chegue a 150. “É surpreendente a velocidade com que o Consórcio tem se preparado e avançado. Agora, está na caminhada para fazer a adequação das leis de inspeção, pois cada município tem que ter uma lei que cria o serviço de inspeção, e essa legislação tem que ser harmonizada entre todos os municípios, ficando equivalente para o Ministério. O Consórcio avançou muito nesse sentido, o que nos faz acreditar que, no início do segundo semestre, seja possível fazer a solicitação de integração ao SISBI”, comentou Beatris.

Conforme o coordenador do Consórcio Regional, o veterinário Carlos Henrique Schabbach, a possibilidade de comercializar seus produtos para todo o país anima tanto os empreendedores que, atualmente, três empresas já deram início à consultoria para fazer a adesão ao SISBI-POA. “Nós esperamos que, até o final do ano, os três primeiros estabelecimentos que estão recebendo esse processo de consultoria dentro do projeto ConSIM já estejam habilitados no SISBI”, afirmou.

Empresário de Rio Grande, Marcelo Hepp, da Mar Atlântico Comércio de Pescados, comercializa sua produção dentro do estado, mas mira o mercado lucrativo do sudeste do país, especialmente de São Paulo. (Foto: Álvaro Guimarães/JTR)

Uma dessas empresas é a Mar Atlântico Comércio de Pescados, de Rio Grande, que atualmente comercializa sua produção dentro do estado, mas mira o lucrativo mercado do Sudeste do país, especialmente de São Paulo. “Depois da enchente, o mercado gaúcho ficou limitado, pois muitos restaurantes fecharam e muitos mercados reduziram bastante a carta de clientes. Então, a gente quer expandir para um nível nacional e, nesse contexto, o bom seria poder ganhar São Paulo, que é o maior mercado do país e onde a colônia japonesa é grande, e o consumo de peixe é maior”, disse o empresário Marcelo Hepp.

A partir da certificação, Hepp calcula ser possível dobrar a produção atual da empresa, o que poderá ter reflexo tanto sobre a renda dos 30 colaboradores, que hoje trabalham entre três e quatro dias na semana e passariam a trabalhar até seis dias por semana, quanto na geração de novos postos de trabalho à medida que a empresa crescer.

Região celebra o novo momento das agroindústrias
Durante a abertura da oficina, o vice-presidente da Azonasul e prefeito de Canguçu, Arion Braga (PP), destacou a importância da adesão do Consórcio ao SISBI-POA, como uma ferramenta capaz de dinamizar a economia do sul do estado. “As nossas pequenas indústrias, enfim, poderão também expandir os seus negócios a nível nacional e, consequentemente, vão alavancar a condição de emprego, de renda e, principalmente, de desenvolvimento da nossa região e dos nossos produtores rurais”, declarou.

O vice-presidente do Consórcio Público do Extremo Sul (Copes) e prefeito de Cerrito, José Flávio Vieira (PP), destacou a força do trabalho conjunto feito pelos municípios e o Governo Federal, através do MAPA, para viabilizar as iniciativas. “Hoje é um dia marcante para a nossa região, pois, em conjunto, os municípios, o Estado e o Ministério da Agricultura e Pecuária possibilitam esse desenvolvimento de qualidade e a expansão das agroindústrias, que muitas vezes enfrentam dificuldades. Como setor público, temos que ajudar cada uma a levar os seus produtos para a mesa do consumidor, e hoje marcamos o início de um grande trabalho”, disse.

Orientações para os sistemas municipais e consultoria para as agroindústrias
Dividida em dois momentos distintos, a oficina teve, pela manhã, um momento dedicado a repassar informações aos representantes dos Sistemas de Inspeção Municipais (SIMs) sobre os passos a serem seguidos para que os municípios estejam aptos ao credenciamento no SISBI-POA.

Durante a tarde, foram repassadas informações direcionadas aos trâmites a serem seguidos pelas empresas, como, por exemplo, a implantação de programas de autocontrole. “É importante que todos estejam cientes da importância de implantar os programas de autocontrole, de forma que o estabelecimento consiga se autocontrolar, ter registros, organizar o seu estabelecimento e fazer a integração ao SISBI”, disse a consultora do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Solange Durigon.

Solange destacou que, ao todo, existem, em torno, de 12 programas de autocontrole que englobam áreas como, por exemplo, manutenção e higiene do ambiente e boas práticas das pessoas na manipulação de alimentos, cuja adoção e o autocontrole são essenciais para que as agroindústrias possam estar aptas a receber o selo SISBI-POA.
ntar.