Após reativação, Observatório Social do Brasil em Pelotas busca acompanhar aplicação de recursos públicos

Patrícia Osório, Ana Maria Silva e Gelci Martins retomam as atividades do Observatório em 2026. (Foto: Clarissa Ribeiro/JTR)

Sustentado por valores como ética, compromisso com a justiça social, transparência e voluntariado, o Observatório Social do Brasil (OSB) em Pelotas procura contribuir para a melhoria da gestão pública na cidade desde 2013. Após ter suas atividades suspensas em 2023, a organização sem fins lucrativos passou recentemente por uma reativação, com o objetivo de observar o desenvolvimento da administração pública e, assim, construir uma sociedade mais justa.

A história do Observatório Social do Brasil teve início em 2006, em Maringá, no Paraná, com a iniciativa civil de observar gastos públicos, ação que resultou na criação do primeiro observatório local. Em 2008, as experiências vividas pelos voluntários da organização paranaense levaram à fundação do OSB nacional, mantendo o foco em promover a transparência por meio de capacitações, expandindo-se, assim, para diversas cidades do país.

Na atualidade, mais de 3.000 voluntários contribuem para a causa em todo o Brasil, em cerca de 100 cidades brasileiras. Conforme dados da entidade, estima-se que entre 2013 e 2019 houve uma economia superior a R$ 4 bilhões para os cofres municipais. Só no Rio Grande do Sul, além de Pelotas, mais nove cidades contam com a contribuição do Observatório, sendo elas Bento Gonçalves, Cachoeirinha, Carazinho, Caxias do Sul, Farroupilha, Gravataí, Glorinha, Guaíba e São Leopoldo.

A sede pelotense foi fundada pela professora Ana Maria Silva, atual presidente do espaço democrático. Após uma Assembleia Geral Ordinária realizada em 19 de dezembro de 2025, a nova diretoria provisória foi deliberada e já está em atuação no município novamente. A entidade é composta por voluntários, os quais observam a aplicação de recursos governamentais na cidade e, assim, aprimoram seu exercício de direitos e deveres.

Segundo Ana Maria, a maior dificuldade no momento encontra-se na integração de novos voluntários, já que na pandemia do COVID-19 uma quantidade significativa se afastou da entidade e não retornou. “Na pandemia perdemos um número expressivo de voluntários. Hoje a grande dificuldade é a captação deles, que geralmente são desde jovens até idosos aposentados”, contou a presidente.

De acordo com Patrícia Osório, arquiteta e vice-presidente para assuntos de voluntariado e capacitação, os voluntários recebem um treinamento para o exercício das funções, que são divididas entre o grupo nas reuniões semanais. Caso tenham percebido algo que não está de acordo com os contratos de bens e serviços, algumas etapas são realizadas. “Primeiro vamos conversar com os responsáveis para que seja ajustado, se for, segue o processo resolvido. Se a situação não se resolver, o Observatório pode fazer uma denúncia para o Ministério Público. Esse é o nosso alcance”, explicou.

Educação fiscal amplia atuação

A organização contribui para o exercício da cidadania para além do monitoramento. Uma das frentes mais atuantes do Observatório é a educação fiscal, realizada em escolas e universidades por meio de palestras e atividades, conforme Gelci Martins, contadora e vice-presidente para assuntos de educação fiscal e cidadania, que atua desde 2019 na entidade.

Segundo ela, escolas pelotenses já foram captadas para a elaboração de projetos educacionais, os quais pretendem levar a importância social dos tributos aos alunos. “Escolhemos escolas da rede pública estadual e municipal, além da privada. Nós já temos escolas, diretores e professores prontos para nos receber”, afirmou Gelci.

Para Ana Maria, junto ao acompanhamento e a observação, a organização possui um propósito essencial: desenvolver o sentido de cidadania e de pertencimento. Dessa forma, a percepção de direitos e deveres é exercida, já que cada direito corresponde a um dever, e esse equilíbrio deve ser trabalhado dentro da população para sua evolução.

Interessados em atuar como voluntários devem ter mais de 18 anos, não possuir filiação partidária e podem procurar a sede da organização em Pelotas, localizada na rua General Argolo, nº 593, sala 2.