
Missão China foi o tema da reunião-almoço Tá na Hora ACP desta quinta-feira (9) em mais uma edição que lotou o Salão Mauá e reuniu empresários, lideranças e profissionais interessados em compreender as transformações que vêm impulsionando uma das economias mais dinâmicas do mundo. O encontro promovido pela Associação Comercial de Pelotas contou com palestras da advogada e corretora internacional de imóveis Marisa Leitzke Buss, do empresário Daniel Peglow e do jornalista e diretor do Jornal Tradição Regional, Adilson Cruz.
Abrindo a programação, Marisa Buss apresentou um panorama sobre a revolução tecnológica e a velocidade da construção civil chinesa, destacando como o país se tornou, nas últimas quatro décadas, um dos maiores laboratórios urbanos do mundo. Ela explicou a transformação da China, de uma economia predominantemente agrária para a segunda maior potência econômica global, impulsionada por um intenso processo de urbanização que deu origem a cidades inteiras planejadas do zero, como Shenzhen e Pudong.
Durante a palestra, Marisa apresentou exemplos da industrialização da construção civil, como a construção do Hospital Huoshenshan em apenas dez dias, o uso de edifícios modulares, estruturas metálicas e sistemas pré-moldados que transformaram os canteiros em verdadeiras linhas de montagem de alta precisão.
A especialista também abordou a integração entre tecnologia e sustentabilidade nas chamadas cidades inteligentes. Entre os exemplos apresentados estavam escavadeiras inteligentes, guindastes robotizados, impressão 3D, drones, domos infláveis para contenção de resíduos e ruídos, além da utilização de inteligência artificial, BIM (Building Information Modeling) e gêmeos digitais para o gerenciamento, em tempo real, da infraestrutura urbana.
Ao final, propôs uma reflexão sobre os caminhos que o Brasil pode seguir para aumentar sua competitividade, defendendo a industrialização da construção, a adoção de equipamentos inteligentes, a ampliação do uso do BIM, o planejamento urbano baseado em tecnologia e a incorporação da sustentabilidade desde a concepção dos projetos. “A China nos mostra que o futuro da construção não depende apenas de concreto e aço, mas de tecnologia, planejamento e inovação”, destacou.
Na sequência, o empresário Daniel Peglow apresentou uma análise sobre a evolução econômica e tecnológica da China, resgatando aspectos históricos do chamado “milagre chinês” e mostrando como a combinação entre planejamento de longo prazo, cultura de inovação e competitividade transformou o país em uma potência mundial.
A apresentação percorreu a transição entre o período de Mao Tsé-Tung e as reformas iniciadas por Deng Xiaoping, quando a China passou a priorizar a abertura econômica, o desenvolvimento industrial e a inserção no mercado global. Também foram abordados temas como os Planos Quinquenais, a organização das cidades por níveis de desenvolvimento (tiers), o incentivo à inovação, a busca pela autossuficiência tecnológica e a forte cultura de meritocracia e competição presente desde a educação.
Peglow destacou que o sucesso chinês está diretamente relacionado à capacidade de alinhar planejamento público e iniciativa privada. “A gente precisa entender a China como ela é. As oportunidades estão lá e precisamos trazer muitas tecnologias para cá, impulsionando nossas empresas a inovarem também. O governo pavimenta o caminho e o setor privado acelera esse movimento. Para gerar transformação é preciso planejamento de longo prazo e uma comunidade organizada. Vejo o futuro de forma positiva, mas ainda temos muito a aprender”, afirmou.
Encerrando a programação, o jornalista Adilson Cruz apresentou experiências vivenciadas durante missão empresarial à China e destacou como a inovação, a inteligência artificial e a automação vêm redefinindo setores estratégicos da economia mundial.
Segundo ele, o avanço chinês não resulta apenas da adoção de novas tecnologias, mas da construção de um ecossistema integrado, no qual governo, empresas e sociedade atuam de forma coordenada para promover desenvolvimento e competitividade.
Entre os destaques da palestra esteve a liderança da China em mobilidade elétrica e autônoma. Cruz mostrou como milhares de robotáxis e veículos de entrega autônomos já fazem parte da rotina de diversas cidades, transformando o automóvel em uma plataforma inteligente de mobilidade.
Outro exemplo apresentado foi a agricultura inteligente. A partir da visita técnica realizada à empresa AllyNav, em Xangai, foram demonstradas soluções baseadas em drones, inteligência artificial, máquinas autônomas, navegação por satélite e gestão inteligente de dados, tecnologias que ampliam a produtividade, reduzem custos, economizam insumos e tornam a produção agrícola mais sustentável.
A logística também foi apontada como um diferencial competitivo. O palestrante apresentou o funcionamento do Porto de Xangai, maior porto do mundo em movimentação de contêineres, onde guindastes automatizados, caminhões autônomos, inteligência artificial e sistemas digitais permitem ganhos expressivos de velocidade, eficiência e segurança. “A logística deixou de ser apenas transporte. Hoje ela representa uma vantagem estratégica”, ressaltou.
Por fim, Adilson Cruz apresentou o crescimento do live e-commerce na China, modelo que integra transmissões ao vivo às plataformas de comércio eletrônico, permitindo que empresas apresentem produtos, interajam com consumidores em tempo real e realizem vendas durante as próprias transmissões, revolucionando o varejo digital e movimentando bilhões de dólares anualmente.
Ao reunir diferentes experiências e perspectivas sobre inovação, tecnologia e desenvolvimento econômico, a Tá na Hora reforçou o compromisso da ACP em promover debates qualificados e estimular a reflexão sobre oportunidades e caminhos para aumentar a competitividade das empresas e impulsionar o desenvolvimento regional.



