Cerrito recebe novo mapa de suscetibilidades e reforça estudos sobre áreas

Estudos identificam áreas com maior propensão à ocorrência de alagamentos durante períodos de chuvas intensas. (Foto: Celestino Garcia/JTR)

Cerrito recebeu, na sexta-feira (3), um novo mapa de suscetibilidades, documento técnico que reforça as evidências sobre a vulnerabilidade de áreas às margens do Rio Piratini a eventos hidrológicos e amplia o conjunto de informações utilizadas pelo município no planejamento da gestão de riscos e das ações da Defesa Civil. A entrega ocorreu durante encontro na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, quando o prefeito Flavio Vieira (PP) recebeu o material do técnico Gardel Melo, representante da Associação Brasileira de Municípios (ABM).

Produzido pela Associação Brasileira de Municípios (ABM) em parceria com a Rede Clima Municipal (RCM) e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o levantamento apresenta análises de suscetibilidade a movimentos de massa, considerando a declividade do terreno, e de suscetibilidade a inundações, com base na altura do relevo em relação à drenagem mais próxima. Na prática, o estudo identifica áreas com maior propensão à ocorrência de alagamentos durante períodos de chuvas intensas, corroborando um cenário já conhecido pelo histórico de cheias registrado no município.

O novo diagnóstico converge com outro estudo concluído recentemente pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), por meio do Laboratório de Geoprocessamento Aplicado e Estudos Ambientais (LGEA), que realizou a modelagem hidrológica da bacia do Rio Piratini e elaborou mapas de isolinhas das cotas do linímetro do rio. Os dois levantamentos reforçam a necessidade de atenção às áreas próximas ao curso d’água e ampliam a base técnica utilizada pelo município para ações preventivas, planejamento territorial e gestão de riscos.

Divergência técnica impactou acesso a recursos estaduais

Apesar da convergência entre os estudos elaborados pela ABM, pela UFPel e outros levantamentos sobre a dinâmica do Rio Piratini, o entendimento ainda diverge da classificação adotada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). Atualmente, Cerrito não integra a relação de municípios com áreas suscetíveis constante nos mapas oficiais do órgão federal.

Embora o novo Mapa de Suscetibilidades e o estudo da UFPel reforcem as evidências técnicas sobre a vulnerabilidade do território, esses levantamentos não substituem o mapeamento oficial utilizado pelos governos estadual e federal para fins de enquadramento em programas públicos. Ainda assim, passam a integrar o conjunto de documentos técnicos que poderão subsidiar futuras revisões da classificação do município.

Essa divergência teve reflexos direto no acesso de Cerrito ao Programa Prepara RS, voltado ao enfrentamento dos efeitos do El Niño. Ao solicitar habilitação ao edital da Resolução nº 008/2026, a Prefeitura encaminhou à Defesa Civil Estadual um pedido de revisão dos critérios utilizados pelo SGB, sustentando que estudos técnicos recentes apresentam um diagnóstico diferente daquele considerado para o enquadramento do município.

Entretanto, em manifestação oficial emitida em 23 de junho de 2026, a Subchefia Estadual de Proteção e Defesa Civil informou que Cerrito não atendia aos requisitos previstos na Resolução nº 008/FUNDEC, permanecendo inabilitado para receber os recursos disponibilizados pelo programa.

A Administração Municipal reconhece que a habilitação ao programa dependia do cumprimento de mais de um requisito previsto no edital. Contudo, considera que a ausência de Cerrito nos mapas oficiais de suscetibilidade do SGB foi um dos fatores de maior impacto no processo e o que mais gerou questionamentos, diante do histórico de inundações registrado no município e da convergência entre estudos técnicos recentes desenvolvidos por diferentes instituições especializadas.

A situação chama atenção porque o município vizinho Pedro Osório aparece classificado pelo SGB como área suscetível a riscos. Além disso, uma análise preliminar de suscetibilidades e vulnerabilidades elaborada pela própria Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil e pelo Departamento de Gestão de Riscos menciona Cerrito ao abordar o comportamento do Rio Piratini e o histórico de cheias da região. Embora utilize o município como referência técnica em diferentes trechos, o documento não o enquadra oficialmente como área de risco.

Diante desse cenário, a Prefeitura de Cerrito afirma que continuará buscando a revisão da classificação junto aos órgãos competentes, utilizando os novos levantamentos técnicos como subsídio para demonstrar as características hidrológicas do território e sua vulnerabilidade a eventos extremos. A expectativa é que a consolidação dessas informações fortaleça o pedido de reavaliação da classificação oficial, contribuindo para ampliar o acesso do município a programas estaduais e federais voltados à prevenção, adaptação e mitigação dos impactos provocados por eventos climáticos extremos.

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