
Na última segunda-feira (9), o Instituto João Simões Lopes Neto, celebrou os 161 anos de nascimento do escritor pelotense com uma aula magna ministrada pelo biógrafo de Simões, o pesquisador Carlos Francisco Sica Diniz. Na ocasião, também foram comemorados os 20 anos de abertura da instituição ao público, que aproveitou a celebração para divulgar os cursos que deverão ser promovidos ao longo de 2026.
O auditório do espaço reuniu pesquisadores, estudantes e admiradores da obra de Simões. Durante a palestra, Diniz abordou momentos da trajetória do escritor, destacando sua contribuição para a literatura e para a construção da identidade cultural do Rio Grande do Sul. “Para homenageá-lo, procurei fazer uma abordagem sistemática e abrangente sobre seu impacto como escritor e homem público, que participava ativamente de atividades culturais. Ele acreditava muito nesta cidade”, detalha.
Preservação de memória
O imóvel que hoje abriga o Instituto foi residência do escritor e de sua esposa por 10 anos. Em 1999, o local foi reconhecido como patrimônio cultural do estado, por meio do projeto de lei nº 138/99. Em dezembro de 2005, o instituto foi inaugurado, sendo aberto oficialmente à comunidade no dia 9 de março de 2006, aniversário do escritor, com o objetivo de valorizar e divulgar a memória do pelotense.
Ao longo do tempo, a instituição tornou-se um centro cultural com a realização de diversas ações e atividades. Além dos eventos promovidos, segundo Paulo Marques, presidente do Instituto, o local destaca-se por dispor de um amplo e raro acervo relacionado à obra do autor. “Durante esses 20 anos a casa se transformou em um centro de referência da obra e vida do Simões, como também da cultura gaúcha. Temos uma série de itens à disposição, como o acervo, a biblioteca e o auditório”, ressalta.
Entre as iniciativas desenvolvidas estão o “Teatro Mostra Simões”, envolvendo grupos teatrais de escolas públicas e privadas de Pelotas em 2005 e 2008, seminários de estudos em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e o Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas (IHGPEL), além das participações em feiras do livro e a construção da estátua do escritor na Praça Coronel Pedro Osório.

Clássicos atemporais
Em vida, Simões escreveu três livros que são considerados ícones não apenas da literatura regionalista, mas também da nacional: Contos Gauchescos, Lendas do Sul e Casos do Romualdo. Conforme Marques, as obras do autor possuem a característica de serem atemporais –
não são datadas e possuem impacto social em qualquer época. “Os ‘Contos Gauchescos’ tratam de temas relacionados à psicologia humana, à sociologia, à história, marcadas pela utilização do dialeto gaúcho. ‘Casos do Romualdo’, por exemplo, é uma obra de comédia. Simões foi também pioneiro em fazer livros didáticos pra crianças”, explica o presidente.
O autor possui uma forte influência para projetos atuais. Conforme Nikolas Corrêa, participante do evento e fundador do “Pelotas Mal-Assombrada”, proposta que investiga a história da cidade, lugares como estes são uma forma de potencializar os escritores pelotenses. “Eu vejo muito potencial nesses autores locais, Lobo da Costa, João Simões Lopes Neto, como uma maneira de entendermos a nossa cidade por outros vieses e narrativas. Pelotas tem um potencial absurdo, porém, é necessário contar e recontar essas histórias. Vim aqui justamente pra tentarmos estreitar esses laços e unir forças pela valorização do município”, salienta.
Ensinar é perpetuar legados
Com a finalidade de aproximar as novas gerações dos seus escritos e cumprir a função social do Instituto, o curso “Vida e Obra de Simões” foi lançado oficialmente no evento. As aulas ocorrerão durante três meses, com turmas de 20 alunos e carga horária total de 22 horas, contando com os módulos “Vida”, “Obra” e “Estudos Simonianos – descobertas e redescobertas”. O curso deve ocorrer duas vezes ao ano, sendo a primeira edição em abril, disponibilizando certificado ao final para os alunos que obtiverem 75% de frequência.
Segundo o presidente, “estamos propiciando uma formação para professores, formadores e pesquisadores da própria obra. Um dos objetivos do Instituto, que é um centro cultural, é formar uma nova geração de leitores, formadores e conhecedores da obra dele”.

O local também sediará a Semana Cultural Simões Lopes Neto dos dias 10 a 14 de junho, data que marca o falecimento do escritor, com uma série de atividades abertas ao público. Para a secretária de Cultura da cidade, Carmem Roig, a programação será uma oportunidade de disseminar a história do autor gaúcho. “Estamos cheios de ideias para celebrar Simões, principalmente para colocar as crianças em contato com a sua obra por meio de vários projetos. Queremos música, arte e todas as formas de manifestações e expressões”, afirma.
As inscrições do curso ocorrem de 9 de março a 8 de abril. O espaço, localizado na rua Dom Pedro II, nº 810, está aberto para visitação de segunda a sexta, das 14h às 18h. Também se inclui a possibilidade de pré-agendamento para visitas guiadas.



