Museu do Doce amplia atendimento durante a Fenadoce e reforça preservação da tradição doceira

Com horários estendidos, visitas mediadas e novas ações de pesquisa, espaço fortalece seu papel na valorização do patrimônio cultural de Pelotas e da região. (Foto: Arquivo/JTR)

A Fenadoce movimenta os pavilhões do Centro de Eventos, mas também impulsiona outro importante patrimônio da cidade: o Museu do Doce, instalado no histórico Casarão 8 da Praça Coronel Pedro Osório. Durante o período da Feira, o espaço amplia o atendimento ao público e desenvolve atividades voltadas à preservação da tradição doceira, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Criado em 2013 e vinculado à Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o Museu do Doce nasceu com a missão de preservar, pesquisar e difundir a história da produção doceira da região. O acervo reúne utensílios, documentos, fotografias, receitas e relatos que ajudam a compreender como a tradição dos doces se consolidou ao longo de mais de dois séculos e se tornou um dos principais símbolos da identidade pelotense.

Segundo a diretora do Museu do Doce, Nóris Leal, professora do curso de Bacharelado em Museologia da UFPel e integrante da organização do museu desde sua criação, o período da Fenadoce representa um aumento significativo na procura pelo espaço.

“Durante a Fenadoce, o Museu do Doce está funcionando de terça a domingo, das 10h às 18h. Temos recebido muitos grupos de escolas e também grupos de turismo, que fazem visitas mediadas pelos nossos educadores ao longo de todo o período”, explica.

Patrimônio vivo

Mais do que apresentar a história da doçaria pelotense, o museu desenvolve pesquisas e projetos voltados à preservação dos saberes tradicionais.

Uma das iniciativas será apresentada na quarta-feira (29), no estande da UFPel dentro da Fenadoce. O projeto foi contemplado em edital do Iphan e busca atualizar o levantamento dos detentores do saber-fazer doceiro na região.

“Estamos realizando um novo inventário de doceiros e doceiras dos cinco municípios que compõem o território histórico de Pelotas: Pelotas, Morro Redondo, Capão do Leão, Arroio do Padre e Turuçu. Essa é a primeira etapa do projeto e vamos apresentar os resultados iniciais durante a Fenadoce”, afirma Nóris.

Segundo ela, o trabalho busca identificar quem mantém viva a tradição da produção artesanal dos doces, registrando histórias, técnicas e conhecimentos transmitidos entre gerações.

Saberes compartilhados

As atividades do museu também ultrapassam os limites de sua sede. Em parceria com os cursos de Gastronomia e Nutrição da UFPel, serão realizadas oficinas durante a Fenadoce, aproximando o público dos processos tradicionais de produção.

Uma das ações reúne a doceira Deise Loeck Kuhn, moradora de Morro Redondo e uma das participantes do inventário conduzido pelo museu.

“A oficina faz parte das ações do projeto aprovado pelo Iphan. A Deise foi uma das doceiras entrevistadas nesta primeira etapa e vai compartilhar seus conhecimentos na produção de geleia de morango”, comenta a diretora.

Nóris Leal é diretora do Museu do Doce. (Foto: Arquivo)

Memória que se renova

Para Nóris, a Fenadoce representa uma oportunidade de aproximar ainda mais a comunidade do patrimônio cultural ligado à doçaria pelotense.

Enquanto milhares de visitantes percorrem os corredores da Feira em busca dos doces tradicionais, o Museu do Doce trabalha para preservar aquilo que não está apenas nas vitrines, mas também na memória das famílias, nas receitas transmitidas entre gerações e no conhecimento de quem mantém viva uma tradição reconhecida nacionalmente.

“Nosso objetivo é valorizar os detentores desse saber-fazer e garantir que essa tradição continue sendo conhecida e preservada pelas próximas gerações”, conclui.

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