
Em meio a uma semana criada especialmente para celebrar os patrimônios do país, do estado e do município, prédios e monumentos de Pelotas seguem com marcas de vandalismo e destruição. Nos principais pontos da cidade, grande parte das personalidades eternizadas não podem ser identificadas por quem visita ou apenas passa pelos locais, pois as placas feitas em metal há muito se foram.
Apenas na Praça Coronel Pedro Osório, situada no coração do Centro Histórico, diversas esculturas apresentam avarias que vão desde a ausência de placas metálicas – furtadas por conta do valor material, às pichações e colagens de panfletos.
No ponto da praça logo atrás do famoso banco onde encontra-se o autor pelotense João Simões Lopes Neto, o busto de Doutor Amarante, esculpido pelo célebre Antônio Caringi – criador da estátua do Laçador – encontra-se sem a placa de identificação. O item, feito em bronze, continha os dizeres “Preito de gratidão ao Dr. Francisco de Paula Amarante. Há um único meio de vencer a morte: é a consciência de ter feito o bem. 1950”. Até mesmo parte da representação do óculos do médico foi arrancada do monumento. O próprio Pedro Osório, que dá nome ao local, exibe há anos as mesmas pichações e é utilizado como expositor de cartazes.

Conforme levantamento feito pela Secretaria de Cultura, desde o início de 2023 foram vandalizados cinco monumentos, representações do Negrinho do Pastoreio, o Bombeador, Bento Gonçalves, Dr. Rasgado e Dr. Miguel Barcellos. Além das estátuas, o arrombamento da garagem do Casarão 6 também foi registrado.
Segundo o secretário de Cultura, Paulo Pedrozo, todos os casos são comunicados à Polícia Civil e a Polícia Federal, uma vez que a chamada Pelotas Histórica é um patrimônio material tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan). “Além disso, tentamos sensibilizar a população sobre a necessidade de preservar o patrimônio cultural da cidade e denunciar os casos de furtos e vandalismos”, diz.
O secretário de Segurança Pública, José Apodi Dourado explica que a Guarda Municipal vem intensificando o patrulhamento nas praças e parques da cidade. “Do ano passado para cá, aumentamos em 30% este tipo de atividade e, em paralelo, realizamos também ações de fiscalização dos estabelecimentos que recebem material reciclável, com o objetivo de combater a receptação de materiais furtados”, afirma.
De acordo com o Iphan, a fiscalização destes patrimônios é compartilhada entre município, estado e União. A fim de garantir um melhor atendimento nas questões da região e se aproximar a população, a instituição está em tratativas para a abertura de um escritório técnico em Pelotas. Atualmente, por conta da distância entre o município e a sede da Superintendência, localizada em Porto Alegre, a fiscalização é feita através de vistorias mensais, ou após denúncias pontuais. Tendo em vista a distância entre Porto Alegre, sede da Superintendência, e Pelotas, atualmente, a fiscalização ocorre por vistorias mensais ou por denúncias pontuais.
A Polícia Federal informou que há duas investigações em curso na delegacia de Pelotas. A primeira acerca do furto do busto de Bento Gonçalves de seu pilar na Praça Coronel Pedro Osório, no dia 28 de julho, e a segunda pelo furto da placa de bronze colocada na estátua do Dr. Miguel Barcellos, localizada na mesma praça. A identificação feita em bronze continha os dizeres “Dr. Miguel Rodrigues Barcellos, Barão de Itapitocay, gratidão do povo de Pelotas. O pae dos pobres” e foi levada no dia 12 deste mês. Denúncias e informações sobre vandalismos contra o patrimônio podem ser encaminhadas para o telefone (53) 3309-9000, diretamente na Delegacia, na avenida Duque de Caxias, 1049, no Fragata, ou através do e-mail [email protected].
Medidas
Sobre as medidas que estão sendo executadas para reverter a situação, Pedrozo explica que os restauros são feitos por profissionais especializados contratados pela Secretaria de Cultura e que, atualmente, a equipe trabalha no projeto de restauro do Obelisco Republicano, localizado no Areal. Ainda segundo o secretário, a equipe do Museu da Baronesa realiza uma avaliação da situação da estátua do Negrinho do Pastoreio e a Secult busca firmar parceria com o curso de Conservação e Restauro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), para projetos de recuperação de monumentos vandalizados.



