Entre traços e sorrisos, caricaturas mantêm viva a arte na Fenadoce

Caricaturista integra a programação da Fenadoce há 16 anos. (Foto: Divulgação)

Em meio aos estandes de doces, atrações culturais e milhares de vi­sitantes que passam diariamente pela 32ª Fenadoce, a arte também encontra espaço para emocionar e criar memórias. Há 16 anos partici­pando da Feira, o caricaturista Figuer Maia transforma telas em branco em lembranças personalizadas, apro­ximando o público do processo ar­tístico e mostrando que, mesmo na era das imagens digitais, o desenho feito à mão continua despertando encantamento.

Natural de São Paulo, o artista de 50 anos conta ter conhecido a Fenadoce após ouvir falar do even­to durante outra Feira, no Paraná. A aposta em trazer o seu trabalho para Pelotas rapidamente se consolidou em uma parceria de longa duração. “Eu vim para cá, comprei meu espaço, e o que me fez retornar foi a aceita­ção do meu trabalho. O pessoal gos­tou demais e eu fui retornando até agora”, relata.

Ao longo dos anos e de cada edi­ção, Maia acompanhou as transfor­mações do evento e expõe guar­dar consigo lembranças de uma Fenadoce repleta de atrações cul­turais. Para ele, parte dessa atmos­fera que marcou a identidade da Feira se perdeu um pouco com o passar do tempo. Apesar disso, o artista reforça o carinho que man­tém pelo evento, o que motiva seu retorno anual. “Eu respeito mui­to, sempre falo bem dessa Feira por onde eu vou e continuo sempre fa­lando, é a melhor Feira do Brasil. As pessoas são diferenciadas”, afirma.

Clientes fiéis

Mais do que produzir caricaturas, o artista revela que um dos pontos mais marcantes do trabalho realiza­do é a relação de proximidade com os visitantes que param em seu es­tande, mesmo que seja apenas para observar um retrato sendo feito. Ao longo de mais de uma década, ele viu crianças crescerem, famílias aumen­tarem e clientes retornarem ano após ano em busca de um novo desenho: “Às vezes eles vêm direto no meu es­tande, às vezes não acham, porque todo ano eu estou em algum lugar diferente. Eles ficam desesperados e chegam com ‘Meu Deus, te encon­trei’, querendo fazer”.

Nesta edição localizado na saída do pavilhão principal para o pavilhão Estância Princesa do Sul, entre as histórias que coleciona, o caricaturis­ta relata que algumas ganharam sig­nificado permanente. “Algumas pes­soas tatuaram o meu desenho. Tem gente que eu desenho desde que era criança, agora eu já desenhei com namorada, já desenhei com casal, já desenhei com filho. Então o meu tra­balho tem uma história aí na Fenado­ce”, destaca.

Em um período em que filtros, aplicativos e ferramentas de inteli­gência artificial fazem parte da ro­tina, o contato direto com o artista desenhando diante do público con­tinua sendo um diferencial. E segun­do Maia, justamente por viver cerca­das de recursos digitais, as pessoas parecem valorizar ainda mais o pro­cesso manual.

“Por ter muita coisa digital, quan­do as pessoas veem algo sendo feito à mão, elas se encantam. Então, por isso que no meu estande, quando eu estou trabalhando, fica muita gente à volta vendo. Elas ficam elogiando a rapidez, a habilidade. Hoje todo dia você joga num ChatGPT e já faz uma caricatura ou um texto, e você ver uma pessoa fazendo ao vivo, dese­nhando, fazendo uma arte ali, é bem diferente”, pontua.

A interação, por sua vez, também faz com que o trabalho do artista ul­trapasse os limites da Feira, vez que as caricaturas produzidas em Pelo­tas acabam viajando para diferentes cidades, estados e até países, carre­gando consigo histórias e lembran­ças dos visitantes. “É muito legal saber que o meu trabalho está indo para todos os lugares. Já aconteceu de eu estar chegando em outra cida­de e olhar pela janela e estar o meu quadro lá. Uma vez eu estava abaste­cendo em um posto e, no caixa, esta­va um quadro meu. Tem uma docei­ra que fez o quadro e mandou para a Austrália para um parente. Então tem bastante coisa assim, é bem le­gal”, conta.

Doces reencontros

Para esta edição da Fenadoce, o caricaturista afirma que retorna mo­tivado não apenas pelo trabalho, mas pelo reencontro com amigos e visi­tantes que acompanham sua trajetó­ria há anos: “As expectativas sempre são as melhores porque eu venho de longe, é uma Feira especial para mim, foi uma das primeiras feiras que eu fiz na vida e eu fiz grandes amigos, então sempre que eu venho é um reencontro.”

Maia destaca que cada desenho representa uma história única e car­rega uma responsabilidade que vai além da técnica. Para ele, esse im­pacto pode, inclusive, despertar no­vas vocações. “Tem criança que eu já desenhei e que hoje eu sei que tra­balha com desenho, com arte. A pes­soa cria coragem e fala: ‘Poxa, então dá para viver disso’. Então é isso, a gente não sabe o impacto que causa, por isso a responsabilidade é imensa”, acrescenta.

Espaço de tradição doceira, en­contro com a cultura e a arte, en­quanto os visitantes levam para casa sabores que remetem à memória afe­tiva, os 16 anos do estande de artes de Maia na Fenadoce, são a prova de que muitos também escolhem eterni­zar a passagem pelo evento em for­ma de caricatura, com uma obra cria­da diante dos olhos, traço por traço.

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