Morro Redondo: Cooperativismo é alternativa para agricultores familiares

Reunião teve como objetivo avaliar a cooperativa (Foto: Diones Forlan/JTR)

Com o objetivo de melhorar as condições de produção e comercialização de seus produtos, agricultores familiares – apoiados pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural e Turismo (SMDRTUR) e pela Emater/RS-Ascar – fundaram em 28 de setembro de 2017, a Cooperativa dos Agricultores Familiares do Morro Redondo (Coopamor). De lá para cá, a cooperativa já participou de algumas chamadas públicas e editais, comercializando mais de R$ 100 mil, incluindo o último edital da Marinha que será executado neste ano. Atualmente, há 31 sócios, tendo como presidente o jovem agricultor familiar Abel de Oliveira Soares.

Logo após a sua fundação, a Coopamor foi incluída na lista das 18 cooperativas da agricultura familiar que são assessoradas pela Unidade de Cooperativismo de Pelotas (UCP) da Emater/RS-Ascar, recebendo orientações técnicas nas áreas de gestão, administração e contabilidade. Também recebe assessoria da equipe dos órgãos envolvidos, nas áreas de produção e comercialização. Um exemplo foi o curso de agroecologia ocorrido em 2019, visando à transição agroecológica por ser um importante mercado a ser explorado, além de incluir aspectos de saúde e qualidade dos alimentos.

No último dia 24, o zootecnista Edson Nascimento, da UCP, esteve mais uma vez no município para junto à Emater e à SMDRTUR fazer uma avaliação da Coopamor. Embora fique evidente que ainda existem áreas que precisam ser melhor trabalhadas, como principalmente a logística de transporte dos produtos – tanto para sair da propriedade, quanto para chegar nos locais de venda – também fica claro o avanço que a cooperativa tem tido nos poucos anos de existência.

A diversidade e qualidade dos produtos ofertados, o acesso aos mercados institucionais, como os quartéis e a Marinha, e o preço recebido pelos produtos são avanços que somente com a cooperativa os agricultores familiares poderiam ter, pois individualmente está cada vez mais difícil acessar os mercados. Na visão de Nascimento, foi por meio da construção de um plano que a Coopamor norteou suas ações para a busca de mercados.

“Com toda essa crise, vemos que os grupos organizados, como associações e cooperativas, são que estão conseguindo obter mais espaços formais e informais de comercialização. Por isso, convidamos os agricultores familiares que ainda não são sócios, que venham conhecer a cooperativa, sua forma de organização, reuniões e capacitações”, comenta.

Além da venda de hortifrutigranjeiros que já está acontecendo, a Coopamor está reformando um espaço que lhe foi repassado em comodato pela Prefeitura, para o estabelecimento de uma selecionadora/classificadora de ovos, que poderá comercializar a produção dos agricultores familiares. Da mesma forma, os agricultores que tem interesse nessa produção, estão organizando suas propriedades para produzir ovos coloniais, ou seja, as galinhas ficam soltas, aumentando a qualidade do produto e reduzindo problemas sanitários na criação.

Outra importante ação é a máquina selecionadora e embaladora de feijão, que no ano passado beneficiou com quatro toneladas os sócios, segundo informa o técnico agrícola Jeferson de Llano, da SMDRTUR, e também sócio da cooperativa.

“São muitas ações que podem ser pensadas a partir da organização dos agricultores e Morro Redondo já demonstrou a sua vocação. Um belo exemplo é a Associação de Desenvolvimento Comunitário dos Produtores de Morro Redondo (ADCPR), que há 30 anos vem contribuindo para o desenvolvimento municipal. Morro Redondo demonstra na prática que a união faz a força e sabemos que a união vai ser vital para a permanência da agricultura familiar, que vem sofrendo tantos reveses nesses últimos anos”, acredita a extensionista rural Adriane Lobo.

Neste sentido, Llano se coloca à disposição para conversar com os agricultores que tenham interesse de conhecer mais a cooperativa e fazer parte do quadro de sócios. “É uma forma do agricultor familiar se desenvolver e junto desenvolver o município com novas ações e ideias. O cooperativismo, apesar de antigo, é uma forma muito moderna de organização”, finaliza.

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