
Em Morro Redondo, Daniel Reinhardt e seu filho, Rodrigo Klug Reinhardt, estão começando a implantação do Olival Cerro Cascalho. A iniciativa, realizada na avenida dos Pinhais, a 1 km da Prefeitura, representa a introdução da cultura de um novo produto que pode contribuir para o desenvolvimento da agricultura no município.
Daniel destaca que a escolha por Morro Redondo se deu por ser a sua terra e sua origem. Segundo ele, este ano será implantado um pomar de 15 hectares, contemplando cinco variedades de oliveira, sendo quatro para azeite e uma de duplo fim (azeite e conserva). Nesta etapa inicial, está ocorrendo a preparação do solo, com a correção do PH para o plantio, efetuado em setembro. Por enquanto, há somente um funcionário, mas a expectativa é que esse número aumente durante a produção e a colheita.
“O investimento que estamos fazendo é em longo prazo. A primeira colheita será só daqui há 4 anos, depois seguirá anual, tendo anos com mais produção e outros menos”, disse. Com o tempo ele pretende ainda montar um Lagar, local para extração do azeite.
Além da produção, Daniel indica como foco o turismo. “Pretendo, no futuro, abrir para visitações, integrar o Roteiro Turístico Morro de Amores. A ideia é fazer um grande jardim para contemplação”, projeta.

Nesse sentido, o produtor ressalta que o olivoturismo é uma forma de agregar valor através da apresentação dos pomares, dos lagares para extração de azeite, da degustação e do conhecimento das diferentes variedades, cada qual com seus distintos aromas e sabores em um produto fresco, o qual deve ser consumido preferencialmente o quanto mais novo. “Portanto, a cultura das oliveiras é mais um indicativo da vocação na produção primária do nosso município”, afirma.
Daniel destaca ainda que na propriedade terá outra atividade paralela. com a produção de Hidromel que será um fermentado de mel, também produzido no local, e que está, por enquanto, em pequena escala.
Para o diretor de Turismo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural e Turismo, Pedro Vieira, esse novo empreendimento irá beneficiar o município e o Roteiro Turístico local.
“Nossa região tem se destacado em diversos prêmios pela qualidade do azeite aqui produzido e, em breve, Morro Redondo poderá contar com seu primeiro azeite, plantado, colhido e produzido aqui, abrindo um grande leque para o turismo de experiência, já que este produto desperta a curiosidade de muitas pessoas. A construção de um lagar, que o projeto contempla, trará esta possibilidade, de turistas entenderem toda a produção e por fim, claro, provar um azeite feito aqui. Além do que, é uma nova cultura que o Morro de Amores começa a despertar, já que a mesma, tem ganhado centenas de hectares em todo estado e vem se mostrando promissora como uma nova fonte de renda para a agricultura familiar”, disse.
Daniel destaca que a cultura milenar das oliveiras possui indícios de seu início há pelo menos 6 mil anos, pelos povos da Ásia Menor, Síria e Palestina. Segundo ele, dentro do nosso contexto, a cultura foi introduzida no Brasil há várias décadas, sendo que nas últimas duas houve um incremento nas técnicas e variedades compatíveis ao nosso país, obtendo bons resultados.
Atualmente, o Rio Grande do Sul é o líder no cultivo, com 75% da produção nacional em uma área de cerca de 6 mil hectares, principalmente na metade sul do estado, produzindo neste ano quase 448,5 mil litros de azeite. Muitas dessas plantas ainda não entraram em produção (cerca de 50%), pois são jovens e isso só ocorre a partir do quarto ano pós-plantio. Ao todo, são 321 olivocultores em 108 municípios e 17 lagares em atividade. Os dados são da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEADPR), por meio da coordenação do Programa Pró-Oliva.
“Hoje já existem várias marcas de azeite no nosso estado que foram premiadas internacionalmente, o que traduz a qualidade deste produto, nas quais algumas já estão sendo exportadas”, ressalta.



