Fórum debate culturas populares, turismo e comunidade quilombola em Morro Redondo

Evento reuniu pesquisadores, gestores e moradores para discutir políticas públicas e protagonismo quilombola. (Foto: Diones Forlan/JTR)

Um fórum realizado na tarde do último sábado (25), na Câmara de Vereadores de Morro Redondo, reuniu pesquisadores, gestores públicos, estudantes e integrantes da Comunidade Quilombola Vó Ernestina para debater culturas populares, turismo e políticas públicas. O encontro teve participação expressiva de público e integrou diferentes áreas do conhecimento e da gestão.

Promovido pelo Centro Cultural Instituto da Capoeira Angola (ICA), em articulação com a Associação Quilombola Vó Ernestina, o evento contou com apoio da Prefeitura, da Associação Amigos da Cultura e dos Conselhos Municipais de Políticas Culturais e de Turismo.

O fórum teve como base o artigo “Esboço de Uma Arqueologia Quilombola”, do professor de antropologia e arqueologia da Universidade Federal de Pelotas, Lúcio Menezes Ferreira, resultado de cerca de dois anos de trabalho desenvolvido em conjunto com a comunidade. O texto serviu como ponto de partida para discutir a participação da comunidade quilombola no Roteiro Turístico Morro de Amores.

Encontro destaca protagonismo quilombola e propõe fortalecimento de políticas públicas no município. (Foto: Diones Forlan/JTR)

Também participaram como palestrantes a chefe do Núcleo de Cultura da Secretaria de Educação, Cultura e Desporto, Sabrina Waltzer; o diretor de Turismo, Pedro Vieira; a professora da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Mayara Roberta Martins; e o ativista cultural pelotense Paulo Pedrozo, que contribuíram a partir de diferentes perspectivas.

Um dos destaques foi o debate entre os convidados, com a participação do professor Lúcio, da professora Mayara, do gestor Pedro Vieira e da museóloga Andrea Messias, que participou de forma on-line. A discussão abordou desafios e possibilidades para a inserção da comunidade no turismo local, com ênfase no protagonismo comunitário e no respeito aos modos de vida quilombolas.

A presença de alunos do ensino médio do Colégio Bonfim, que participaram como atividade pedagógica, ampliou o caráter formativo do encontro, aproximando juventude, cultura e cidadania.

Para Camilo Barbosa, do ICA e organizador do fórum, o evento evidenciou a importância da articulação entre comunidade, instituições de ensino e poder público. “Esse tipo de iniciativa reforça a necessidade da participação ativa da comunidade quilombola, das universidades e dos gestores públicos na construção de políticas públicas efetivas, pensadas a partir do território e com escuta real dos sujeitos envolvidos”, afirmou.

Como encaminhamento, foi destacada a necessidade de reativar o Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra, criado por lei em 2016 e com membros indicados por portaria em 2021, mas que ainda não está em funcionamento. A proposta é fortalecer os instrumentos institucionais já existentes para ampliar a participação da população negra e quilombola na formulação de políticas públicas no município.