Emater incentiva a produção de morango de mesa em ambiente protegido

Trabalho da Emater é responsável pelo auxílio à diversos produtores na cidade. (Foto: Divulgação)

Cultura tradicional em terras leonenses, a melancia, que já foi tema de Festa Regional no município vem perdendo seu protagonismo e ocupa hoje 15 hectares distribuídos entre cinco produtores. Mas, uma nova fruta é promessa de maiores rentabilidades nas pequenas propriedades locais. “Com 12 produtores e meio hectare de área, a renda bruta anual do morango, por seu alto valor agregado, já é o dobro dos 15 hectares de melancia”, afirma o chefe do escritório municipal da Emater, extensionista Edenilson de Oliveira.

O município tem 25 mil mudas plantadas, conforme estudo realizado no ano passado, em que foram entrevistados todos os 12 produtores, diz. Considerando a produtividade de um quilo por planta e o preço entre R$ 25,00 e R$ 30,00 o quilo, a renda obtida fica em torno de R$ 700 mil, divididos entre os 12 produtores, explica. “O nosso maior produtor tem 8,3 mil mudas e o menor tem 500”, ressalta.

Segundo Oliveira, o número de produtores e área de melancia começou a diminuir há pelo menos dez anos. Entre os principais entraves da cultura, ele cita a mão de obra escassa e a penosidade da atividade, devido ao envelhecimento dos produtores. “É mais fácil erguer um morango do que uma melancia, uma queixa recorrente dos produtores que consideram o trabalho bastante penoso”, diz.

A produtividade média da melancia é de 25 a 30 toneladas e a comercialização da fruta, que é produzida no verão, nos meses de janeiro e fevereiro, se dá basicamente dentro do município, diz. “O nosso produtor não tem problema em vender melancia, praticamente toda a fruta é vendida dentro do município, em feiras, pequenos comércios e nas margens da BR”, salienta.

A Madrigal está produzindo cachaças
e licores à base da fruta. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

No entanto, os produtores que investem hoje no morango não têm dissidência da cultura da melancia. “A produção de melancia se concentra na região da Capela da Buena, enquanto o cultivo do morango está espalhado por todo o município”, ressalta. Ele conta que o morango é plantado no município há quase 30 anos, e começou pelo assentamento e no parque Fragata, com plantios ainda no chão. Os cultivos atuais se dão em ambiente protegido, em bancadas e com fertirrigação, salienta. “Não existem mais plantios no chão, o que tornou a atividade menos penosa”, destaca.

A venda do morango destinado ao consumo in natura é feita pelo próprio produtor, que tem seus clientes cativos. “Tem muita venda de porta em porta e alguns comércios também compram”, diz. O bairro Jardim América, um dos maiores do município, é o que mais absorve a produção, que neste sistema de bancadas e ambiente protegido, pode ser produzido o ano inteiro, com produtividades maiores a partir do final de agosto até o mês de novembro, explica. “Após um descanso nos meses de dezembro e janeiro, o produtor consegue uma nova produção a partir do mês de março até a entrada do inverno”. Os bons resultados motivaram os produtores a começar a planejar a realização de uma Festa do Morango local, a exemplo do que já ocorre em municípios como Pelotas e Turuçu, grandes produtores da fruta.

Força do agro

O município do Capão do Leão possui 950 propriedades com tamanhos variados, de dois hectares a três mil hectares. Destes, são assistidos anualmente 265 famílias, conforme contrato firmado com a prefeitura. Em torno de 420 produtores possuem Cadastro de Agricultor Familiar (CAF). O chefe do escritório ressalta ainda os bons resultados obtidos com as agroindústrias familiares. “Regularizamos uma de panificados no ano passado e outra de doces e conservas, a Campeiro Doces e Conservas e Panificados Campeiro, que já estão incluídas no Programa Estadual de Agroindústrias Familiares (PEAF) e estão habilitadas a participar das feiras. Estamos prestes a inaugurar uma Cachaçaria, a Madrigal Cachaça de Alambique, com instalações em fase de conclusão, na localidade de Figueirinhas”, conta. O produtor César Clasen possui dois hectares de cana estabelecidos e mais de dez variedades. Segundo ele, os produtos das agroindústrias familiares conquistaram os consumidores da região e vêm apresentando excelentes resultados.

Está em tratativas a criação de uma agroindústria de embutidos, para a produção de linguiça defumada e frescal, diz. A Emater está dando assistência ao casal empreendedor, com a elaboração de planta e outros trâmites. Também está em construção a Casa do Mel no município, que deve ser inaugurada ainda este ano, conta.

Oliveira destaca ainda, a participação dos assentados nas atividades produtivas do município. Capão do Leão possui dois assentamentos, com total de 36 famílias assentadas, entre eles, produtor modelo de hortaliças. Três famílias de assentados são produtores de morango e um deles é o maior produtor local, diz. “A primeira agroindústria de mel que vamos inaugurar este ano e o maior produtor de hortaliças para a merenda escolar são assentados”, ressalta.

Três famílias assentadas são produtoras de morango, e uma delas é a maior local. (Foto: Divulgação)

O extensionista ressalta ainda a execução do programa Terra Forte, do Governo do Estado, que prevê atividades de melhoria do solo e utilização dos recursos hídricos em propriedades familiares entre as principais atividades do município, como leite, gado de corte, hortaliças, grãos entre outras. Superada a fase da inscrição, o programa está na fase de elaboração dos planos, quando encaminha para a Secretaria de Desenvolvimento Rural, que manda confeccionar o cartão de crédito para o produtor adquirir os insumos pactuados, explica. “Os recursos são de R$ 30 mil sem reembolso para oito famílias em duas etapas, quatro em cada”, diz. “Temos o compromisso de transformar estas propriedades em três eixos, que envolvem as questões produtiva, ambiental e social”, assegura, uma resposta do Governo aos recentes eventos climáticos.

Equipe da Emater responsável pelos auxílios nas produções. (Foto: Divulgação)

Outro destaque no município, que tem a assistência da Emater, são os números do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), iniciado há dez anos com apenas um produtor de abóbora japonesa. “Hoje estamos com 20 produtos e saímos de R$ 5 mil de vendas para quase R$ 200 mil”, ressalta. Segundo ele, os números só crescem, tanto em número de famílias quanto de produtos e valor destinados para a agricultura familiar local.

Dos 44 anos de existência do município do Capão do Leão, a Emater/RS-Ascar está presente há 41 anos, com ações de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters). Com escritório localizado na avenida Narciso Silva, nº 1620, conta atualmente com equipe formada pelos extensionistas Edenilson de Oliveira, chefe da unidade, o médico veterinário Hector Silva Diaz, a assistente administrativa Liziane Pereira Cunha e o Jovem Aprendiz Deivyd dos Santos.