Afroturismo é tema do 2° Seminário Regional de Turismo em Canguçu

O evento reuniu extensionistas, empreendedores do setor, representantes de prefeituras e lideranças quilombolas no CTG Tropeiros da Amizade. (Foto: Elise Souza/Emater/RS-Ascar)

O 2° Seminário Regional de Turismo, promovido na segunda-feira (17) pela Emater/RS-Ascar, em Canguçu, teve o afroturismo como foco principal. O evento reuniu extensionistas, empreendedores do setor, representantes de prefeituras e lideranças quilombolas no CTG Tropeiros da Amizade, com espaço para trocas de experiências de iniciativas turísticas bem-sucedidas na região.

Uma dessas experiências foi apresentada pela quilombola Maria Emilia Soares, coordenadora do Quilombo Rincão da Faxina, em Piratini, o primeiro da região a desenvolver ações de afroturismo. Segundo ela, a comunidade está organizada para receber visitantes mediante agendamento e oferecer uma imersão na cultura e nos saberes quilombolas, incluindo comidas típicas preparadas com base em práticas ancestrais.

Além de valorizar sua história, o quilombo vê nas visitas uma oportunidade de comercializar produtos locais. “Criamos o Café Quilombola como um projeto dentro das rotas existentes e tem dado muito certo. Toda a alimentação fornecida é produzida nas próprias comunidades. É uma geração de renda incrível”, observa Maria Emilia.

O evento também contou com a palestra da turismóloga Macleidi da Luz, que apresentou características do afroturismo e o potencial regional para sua ampliação. Ela destacou que o segmento resgata a ancestralidade quilombola e valoriza conhecimentos dos povos tradicionais, inserindo narrativas afrocentradas nas rotas turísticas. “O afroturismo exige que o turista esteja presente nessas narrativas. No turismo tradicional, o foco está na paisagem e o visitante observa; no afroturismo, as histórias do lugar são o centro e os visitantes se tornam participantes”, explicou.

A escolha do tema buscou ampliar o debate sobre roteiros afrocentrados e evidenciar a relevância dessas iniciativas. “Esse momento é importante para estimularmos um tipo de turismo que ainda não temos, destacando as riquezas dos quilombos”, afirmou a extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Regina Medeiros.

A abertura do evento ficou por conta do grupo de danças da Escola Presidente Getúlio Vargas, que apresentou coreografia tradicionalista que ressaltou o patrimônio e as belezas de Canguçu, através de quadros fotográficos integrados à música dedicada ao município. Ao longo da tarde, representantes de Canguçu, Piratini, Pelotas, Morro Redondo e Arroio do Padre relataram a realidade dos empreendimentos turísticos já em operação em cada localidade.