Emater atende mais de 400 famílias e 700 propriedades no Arroio do Padre

Escritório municipal da Emater/RS-Ascar é composto por quatro profissionais, sendo os técnicos agrícolas Ana Rita de Almeida Caniela, Cristian da Silva Vergara, Ricardo Bonini Afonso e a bióloga Luísa Meyer Iepsen. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

São pelo menos 420 famílias atendidas e mais de 700 propriedades acompanhadas pela equipe do escritório da Emater/RS-Ascar em Arroio do Padre. A informação é do engenheiro agrônomo e chefe da unidade no município, Ricardo Bonini Afonso.

Com uma demanda expressiva por crédito rural, como Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), da União, Fundo Estadual de Apoio aos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper), do Estado e programas municipais, o trabalho de crédito rural é uma das principais atividades que a Emater desenvolve no município.
Pelo Feaper, explica Bonini, o trabalho é dedicado às agroindústrias, o que inclui compra de todo o tipo de equipamentos para produção, reforma, construção e ampliação das unidades, além de ações de irrigação. O Estado subsidia 80% do investimento, com contrapartida em cinco anos e, dependendo do caso, três de carência. “Aqui temos já consolidadas agroindústrias de conservas e de embutidos, além de outras iniciativas em andamento, em processo de legalização, na área de panificados, setor que tem muita tradição pela qualidade reconhecida do produto, conservas e doces, mel e laticínios”, afirma o chefe da unidade. Segundo ele, a abertura e instalação de agroindústrias têm crescido no município por ser uma atividade muito associada ao turismo, que ganha cada vez mais destaque no Arroio do Padre.

Prioridades

A criação de bovinos de leite, segundo o chefe da Emater, volta a viver um bom momento no Arroio do Padre, após o forte baque provocado no setor com o fechamento da Cosulati. “Lamentável, era um patrimônio da região – muita gente se desmotivou, migrou pra outra atividade e parou de produzir, até porque a própria atividade passou por uma fase bem difícil”, diz. Atualmente, a instituição atende mais de 40 produtores de leite.

A olericultura é outra atividade que merece prioridade. Com a antiga Federeca (ERS 737) totalmente pavimentada, os 43 quilômetros que separam Arroio do Padre de Pelotas, o maior mercado consumidor da região, ficaram ainda menores. Com um sensível diferencial: sem praça de pedágio no meio do caminho, o que abre uma possibilidade imensa para aumentar a produção, que é bem diversa. Tem alface, brócolis, couve, cenoura, batata doce e muitas outras.

“Dá para colher num dia e no outro já estar disponível ao consumidor. Os produtores do Arroio do Padre têm boas condições de competir neste mercado”, reforça Bonini, que destaca ainda o aumento da área de produção de morango.

Mas nem tudo é promissor. Apesar de no Arroio do Padre não ser incomum ver jovens trabalhando nas propriedades familiares, encontrar mão de obra tem sido difícil no município – como em todos os outros – devido ao envelhecimento da população rural. Mesmo em uma localidade onde a sucessão familiar não vive uma crise, Bonini especula que a falta de empregos na zona urbana contribui para a manutenção dos jovens nas lavouras do município. No entanto, ele assegura, a Emater alerta sobre a importância de se qualificar para agregar tecnologia e produtividade. “Sair para estudar não significa abandonar a atividade rural”, diz.

Por esse motivo a Emater procura encaminhar a nova geração de agricultores para iniciativas de qualificação que promove na região. Pelo menos cinco jovens do município participam e já participaram do curso para Jovens Rurais em Canguçu, onde são ministradas atividades para trabalho com solo, irrigação e construção de açudes.

Estiagem

De novembro a fevereiro, a exemplo do que ocorreu praticamente em todos os municípios da região e do estado, Arroio do Padre viveu um período difícil, principalmente para armazenamento de água. De acordo com Bonini, algumas “chuvinhas”, literalmente, salvaram a lavoura. No entanto, em um índice muito abaixo do necessário.

Neste cenário, as hortaliças foram as que mais sofreram, por ser uma cultura que depende de irrigação. “Talvez seja o segmento que mais perdeu aqui no Arroio do Padre”, avalia. Além da falta d’água, houve também problemas de estresse nas plantas devido ao forte calor. Muitas não resistiram às altas temperaturas.

Neste mês, o panorama já não é tão desolador. Os impactos, porém, ainda são sentidos – e serão, provavelmente, ao longo de todo o 2023. “Esta seca trouxe um custo muito alto – os impactos momentâneos terão reflexos no longo prazo”, disse.

Outras atividades

Com uma equipe formada por quatro profissionais – três técnicos agrícolas (Cristian da Silva Vergara, Ana Rita de Almeida Caniela, além de Bonini) e uma bióloga (Luísa Meyer Iepsen), que atua na área social do Escritório – a Emater no Arroio do Padre também desenvolve atividades junto às famílias quilombolas, como acompanhamento de programas de saúde via 3ª Coordenadoria Regional (CRS). Dentre esses o monitoramento da qualidade da água, compra de óculos e próteses dentárias. A equipe também atua junto à associação que reúne 25 famílias quilombolas.