
“Neste ano especialmente, nós produtores temos um grande desafio que é o da informação”, destaca o presidente do Sindicato Rural de Pelotas, Fernando Rechsteiner, ao comentar sobre a 93ª Expofeira de Pelotas e a diversidade de assuntos oferecidos durante a Conferência Rural. “Não apenas informar o nosso produtor, mas a sociedade sobre os impactos da produção agropecuária em termos ambientais, pois se vê uma série de dados equivocados a esse respeito”, disse.
Rechsteiner ressalta que a expofeira deixou de ser local para se tornar regional, pois movimenta toda a região e a Conferência Rural se tornou o grande diferencial do evento. “Houve uma sensibilidade muito grande quando se criou a conferência, uma reunião de produtores, pesquisadores das nossas universidades, poder público, ensino e pesquisa, privada e pública, onde se discute todas as questões relativas à produção agropecuária”, afirmou.
Para ele, a feira além de ser um evento técnico, tem a função de informar ao cidadão urbano, de que forma é produzido o alimento que ele encontra na prateleira do supermercado, como ele chegou ali e a complexidade que se tem hoje dentro das atividades pecuária e agrícola. “É importante mostrar o cuidado que temos em relação ao uso dos insumos agrícolas e que esta relação é fundamental para a preservação ambiental”, comentou.
Conforme o presidente, o Brasil e o Estado possuem uma das mais rígidas legislações ambientais. “Eu sou favorável a esta legislação, só que ela tem que ser racional para que não inviabilize a produção”, ressaltou, e continuou: “Somos produtores de alimentos e uma Nação e Estado que preservam o meio ambiente”, destacando que poucos lugares no planeta têm mais de 60% de vegetação nativa como no Brasil, um grande produtor de alimentos.
De acordo com Rechsteiner, este é mais um desafio, que deve ser vencido com tecnologia, capacidade empresarial e muito trabalho do produtor. “Quando alguém for falar do nosso dia a dia e desconhecer a atividade agropecuária, provavelmente vai fazê-lo de uma forma equivocada”, acrescentou.
O atual formato da expofeira traz ao debate os mais diversos assuntos, desde questões ambientais, técnicas, legislação, desenvolvimento regional, enfim, é muito ampla em termos de assunto. Entre os eventos que têm a participação do Sindicato Rural, o presidente destacou dois que ocorreram na quarta-feira (9). O primeiro deles apresentou as novas regras de utilização do Herbicida 2,4D no Estado, cujo uso foi alvo de grande polêmica.
O engenheiro agrônomo Marcelo Camardelli Rosa, coordenador da Divisão de Estudos Avançados e Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS), abordou além do regramento de utilização deste herbicida, o projeto Deriva Zero, que vem sendo aplicado pelo Senar no estado com a intenção de orientar a aplicação do 2,4D e dos demais defensivos agrícolas. O objetivo é a aplicação que dê os melhores resultados produtivos para a lavoura causando o mínimo impacto ambiental possível, utilizando todas as regras de segurança e técnicas para o melhor uso destes produtos.
Na mesma data, o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, falou sobre as perspectivas e análise do mercado de arroz na região. “Ele tem uma vasta experiência nestas questões macroeconômicas relativas a mercado, gestão da atividade agrícola”, falou.
Ele ressaltou que pelo segundo ano consecutivo será realizada na região, em Capão do Leão, a Abertura da Colheita do Arroz. Por isso, o Sindicato, Associação Rural e Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), que é a entidade organizadora da abertura, fizeram um lançamento, da 30ª edição na quinta-feira (11). Após a apresentação, foi oferecido pelo Sindicato Rural, um coquetel com produtos à base de arroz, produzidos através de curso oferecido pelo Senar sobre a utilização da farinha do arroz.
Segundo o presidente, tanto a cadeia do arroz quanto do leite, dois setores que enfrentam sérias dificuldades na região, serão contempladas nos debates. “O grande problema da produção orizícola e leiteira não está dentro da porteira, pois os produtores são eficientes”. Para ele, a grande questão tanto no arroz quanto no leite são os custos de produção, bem mais alto se comparado aos demais países do Mercosul. “Temos preços cada vez mais internacionalizados e custos de produção regionalizados e mais altos”.
Um dos grandes trabalhos da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) junto ao governo do Estado tem sido de abrir a possibilidade do produtor gaúcho comprar seus insumos nos países vizinhos e com isso, equalizar os custos de produção, melhorando a competitividade da produção agropecuária da região e do Estado.



