
Motivos não faltam para comemorar mais um aniversário de emancipação de Cerrito. No ano em que o município comemora 26 anos, no dia 22 de outubro, o prefeito Douglas da Silveira (Progressistas), em segundo mandato, para o qual foi reeleito com quase 80% dos votos em 2020, celebra, além da 16ª Festa Municipal do Leite Jersey, a entrega de obras de infraestrutura, num total de investimentos de mais de R$ 4 milhões somente no atual ano fiscal.
Mas para além de números, essas obras, que envolvem dezenas de quilômetros de pavimentação em avenidas e ruas importantes, reforma no ginásio municipal e revitalização da Praça Central, se incluem no cumprimento de compromissos de campanha assumidos junto à população cerritense, estimada em 2021 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 6.005 habitantes.
“Peguei o município com 30% de ruas pavimentadas, hoje são 70% – 40% a mais do que recebemos em 20 anos”, comemora o chefe do Executivo municipal e presidente da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul).
“Existia um anseio muito grande da comunidade por ter uma rua pavimentada, com asfalto, sem terra ou pedra irregular”, explica Silveira, que complementa: “Quem conhece Cerrito sabe como era. Estamos zerando esse tipo de via. Vai ficar muito pouca rua de pedra irregular ou terra”, garante ele.
Conclusão do acesso asfáltico
De todas as realizações na área até agora, o prefeito não esconde que a mais importante foi a conclusão da pavimentação dos últimos três quilômetros do acesso oficial ao município – pela BR 293 – obra que teve início em 2010, último ano da gestão da ex-governadora Yeda Crusius (PSDB). Foram oito quilômetros pavimentados desde a rodovia federal em direção à área central de Cerrito.

A governadora deixou o cargo com outros cinco quilômetros licitados – cumpridos na gestão seguinte, no governo Tarso Genro (PT). A última etapa, no entanto, só foi retomada após dez anos de paralisação.
“Uma pauta da nossa região que conseguimos com apoio do governo do Estado, com apoio do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER), da Secretaria de Transportes e do próprio governador [Eduardo Leite (PSDB)], que se empenhou pessoalmente na execução da obra”, reconhece o prefeito.

PPCI, placar eletrônico, e melhorias na estrutura. (Foto: Pedro Luiz Guerreiro)
Apoios bem-vindos. Orçada em R$ 4 milhões, a finalização do tão aguardado acesso asfáltico não saiu por menos de R$ 6 milhões, 50% além do previsto no orçamento inicial. Mais caro, mas certamente menos oneroso. E quem transita pelo trecho sabe o motivo. Os últimos três quilômetros de pavimentação foram concluídos com asfalto quente, o mesmo utilizado nas rodovias. O projeto inicial previa tratamento superficial, o que, segundo Silveira, traria problemas de manutenção pelo alto fluxo de veículos pesados.
“Era nossa prioridade número um, foi no nosso primeiro mandato e seguiu sendo no segundo”, disse o prefeito, que não foi poupado de problemas ao longo das duas gestões – a anterior e a atual – para ver a obra sair do papel, o que incluiu a necessidade de uma segunda licitação.
O esforço, no entanto, valeu a pena. Com a conclusão do acesso asfáltico, Cerrito agora oferece 100% de vias pavimentadas em suas duas principais ligações com as BRs 293 e 116. Caberá à prefeitura agora a gestão da iluminação da via e manutenção dos canteiros centrais. Sem problemas. A incumbência não assusta o chefe do Executivo municipal: “Importante é que a cidade agora conta com acesso facilitado nas suas duas entradas principais, por onde passa todo o trânsito do município”, disse.

em estradas para escoamento da produção. (Foto: Divulgação)
O prefeito já pensa também na cereja do bolo – a construção de um pórtico no trevo de acesso pela BR 293, o que, segundo ele, já está protocolado.
Mesmo com um orçamento anual de R$ 31 milhões, recursos não têm faltado para a execução de obras e melhorias. Nem poderia diante dos compromissos assumidos, que versam, a maioria deles, em infraestrutura e revitalização da zona urbana – “a marca do nosso plano de governo”, reforça.
Vários projetos estão em andamento. A pavimentação da rua Elda Dias, por exemplo, com orçamento em torno de R$ 500 mil, “deve estar licitada daqui a poucos dias”, completa. Serão necessários ainda R$ 1,2 milhão para pavimentar a avenida Flores da Cunha no sentido bairro São Miguel. Ainda teve o Largo Canguçu (R$ 300 mil) e a rua José Barnabé de Souza (R$ 600 mil). Há ainda a reforma do ginásio municipal – outros R$ 600 mil investidos. Não se pode esquecer também da revitalização da praça Professora Elizeuma, de recreação infantil, entregue “praticamente nova” dia 4 de outubro.
O prefeito garante: não houve mágica, mas sim gestão – administrativa, com recursos próprios e financiamento, e política, via emenda parlamentar. E, aqui, ele ressalta a articulação com três deputados da bancada gaúcha: Afonso Hamm (Progressistas), Daniel Trezciak (PSDB) e Mauricio Dziedricki (Podemos). “Foram nossos parceiros, para dizer o mínimo” – elogia.

em diversas áreas, por meio das gestões administrativas e políticas ao longo do mandato. (Foto: Adilson Cruz/JTR)
Essa parceria se faz necessária diante de um perfil socioeconômico que tem no setor primário a principal fonte de recursos – 75% do bolo orçamentário, com produção de soja, de leite e gado de corte, nesta ordem. “A agropecuária é nossa base”, admite Silveira.
Dentro desta produção, a soja tem papel cada vez mais proeminente. Se há dez anos o grão representava dez mil hectares de área plantada, em 2022 são quase 20 mil.
Promessa de campanha
Inaugurado em 29 de dezembro de 1979 pelo então prefeito de Pedro Osório, Genes Leão Bento, que hoje dá nome ao ginásio municipal, o bem público finalmente recebeu a reforma que merecia – e precisava. Foi a primeira obra de melhoria desde que ficou pronto, há longos 42 anos. “Quando começava a chover durante uma partida tinha que cancelar o campeonato”, conta o prefeito.
Ainda faltam colocar os assentos e o sistema de sonorização. Muito pouco perto do que foi necessário para Cerrito voltar a abrir as portas do seu próprio ginásio. “Trocamos toda estrutura, a quadra ganhou um novo piso, PPCI [Projeto de Proteção Contra Incêndio] novo, rede elétrica nova, placar eletrônico, tudo concluído”, disse.
Ele não esconde a alegria por ter entregado o ginásio, que foi promessa de campanha, à comunidade após dois anos e meio fechado em razão de obras e pandemia. A cerimônia de reinauguração ocorreu no feriado de 12 de outubro, com amistoso entre a seleção de Cerrito contra a de Pedro Osório.
Uma nova atração esportiva já está marcada para o local: dia 13 de novembro o ginásio de Cerrito será a sede do primeiro torneio Taça Azonasul, com participação estimada de 16 municípios. O campeão terá direito a disputar a Série Bronze do Estadual de Futsal em 2023. Além disso, a partir de março, serão retomados os campeonatos municipais de futsal no ginásio. Agenda cheia.
Zona rural
Se os principais compromissos de campanha do prefeito se concentram na zona urbana, onde vive pouco mais de 50% da população de Cerrito, engana-se quem pensa que a zona rural do município não recebe atenção equivalente.
A manutenção, diz o chefe do Executivo, de nada menos do que 500 quilômetros de estradas, “é constante, principalmente no verão”, emenda ele. Durante a safra, a prefeitura disponibiliza uma equipe apenas para atender o escoamento. Além disso, a população conta com quatro patrulhas agrícolas com cinco tratores para atuar em mais de mil propriedades – 95% delas de agricultura familiar. São serviços prestados em plantio, colheita, silagem [a principal demanda do setor leiteiro, juntamente com o plantio de milho), entre outros.
Há ainda um programa permanente de distribuição de calcário. Com essa ferramenta, no valor de R$ 40 mil, a prefeitura atende todas as propriedades. “O beneficiado paga o frete e recebe calcário de graça”, explica o prefeito.
Educação
Se obras de infraestrutura são a marca da administração do prefeito nestes seis anos à frente da prefeitura de Cerrito, a gestão da Educação não é menos digna de nota. O município é um dos poucos na Zona Sul do estado a pagar o Piso Nacional do Magistério, que em fevereiro deste ano passou para R$ 3.845.
Este é o salário de todos os professores da rede pública municipal de ensino, segundo o prefeito, que aponta ser outro compromisso de campanha assumido junto ao magistério que está sendo cumprido.
Três fatores motivaram a perseguir o objetivo: valorizar o professor, cumprir a lei e estancar a sangria produzida pelos precatórios – que já estavam em quase R$ 2 milhões quando Silveira tomou posse como chefe do Executivo, em janeiro de 2017.
O pagamento do Piso Nacional consome quase a totalidade dos recursos que cabem a Cerrito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) – 96% do total.
Silveira reconhece que se por um lado o cumprimento da lei que impõe o pagamento do Piso Nacional do Magistério valoriza a categoria, por outro gera problemas em outras pontas, como manutenção de escolas e aquisição de veículos para transporte escolar.
“Mas não tínhamos escolha, se estamos aqui temos que cumprir a lei”, afirma. “Se não paga gera uma ação em cima de outra ação, chega o momento em que o município vai ter que pagar um precatório imenso, e além disso era uma demanda do programa de governo atendida junto ao magistério – acaba que é bom para todos”.
Além de 72 professores, atualmente a rede municipal de ensino de Cerrito conta com 642 alunos divididos em seis escolas. A política de governo na área prevê expansão, com a ampliação do Ensino Fundamental e da Educação Infantil.
“Estamos aumentando a capacidade da escola Regina Alves – a maior do município, que era só voltada para a Educação Infantil e já terá 5º ano do Ensino Fundamental no ano que vem”, promete.
Os planos são audaciosos. A meta, segundo o prefeito, é oferecer o Fundamental completo, até o 9º ano. Nesta perspectiva estão em construção mais duas salas de aula, investimento de quase R$ 200 mil. “É a única escola central do município da rede municipal, tendo em vista a demanda dos pais, inclusive com alunos de Pedro Osório, vale o esforço”, diz Silveira.
No quesito transporte escolar, Cerrito possui 16 linhas. Objetivo em curto prazo é adquirir um novo ônibus com recursos próprios e R$ 300 mil de emenda parlamentar do deputado federal Maurício Dziedricki (Podemos). “Depois da pandemia um ônibus hoje custa quase R$ 500 mil”, lamenta.
Com todas as salas de aula da rede municipal climatizadas, a estrutura está pronta para Cerrito encarar talvez seu maior desafio no setor: melhorar a nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – hoje em 5.5 – posição 317 em 497 municípios. A meta é chegar em seis e subir alguns degraus no ranking. O prefeito atribui a baixa performance à pandemia: “Nos prejudicou muito”.
Saúde
Com políticas que incluíram testagem em massa e outras medidas de prevenção, Cerrito está saindo da pandemia com marcas importantes. Proporcionalmente, é um dos que mais testou a população e também um dos que ostenta os menores números de mortes por Covid 19 – 15 óbitos desde março de 2020, quando a pandemia chegou ao Brasil. A informação é de Silveira.
Ex-secretário de Saúde na gestão do ex-prefeito José Flávio Vieira, do qual foi feito sucessor a partir de 2016, o atual mandatário elenca benfeitorias no setor: de acordo com ele, Cerrito dispõe de duas unidades “bem estruturadas” no interior do município – em Alto Alegre e Vila Freire, “com equipe completa”, e oferece 100% de cobertura no Programa Saúde da Família bem como no de agentes comunitários – com 15 profissionais no total.
“Implantamos também prontuário eletrônico, programa de valorização dos profissionais, discutimos questão salarial”, discorre.
No pós-pandemia, a parceria com a 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ª CRS) tem produzido bons resultados no encaminhamento de pacientes para atendimento de alta e média complexidade aos municípios referências. Na véspera do feriado de 12 de outubro foram encaminhadas 23 cirurgias de catarata para Pinheiro Machado, quase zerando a fila, segundo Silveira, e 12 para cirurgia geral em Canguçu.
O prefeito lembra ainda do aumento de R$ 30 mil para R$ 40 mil do convênio com a Santa Casa de Pedro Osório já a partir de novembro. “A Santa Casa é nossa também, se abrir um pronto-atendimento aqui vou deixar de repassar recursos para um hospital que atende muito bem os dois municípios – é política de reciprocidade”, justifica.
Assistência social
Cerrito distribui a 120 famílias todos os meses três toneladas de hortifrutigranjeiros, em um programa permanente de distribuição de alimentos em parceria com o governo federal, por meio do programa Alimenta Brasil. Nele, a Secretaria de Desenvolvimento Rural contribui com o transporte e a Emater com a extensão. A prefeitura compra os alimentos e faz a entrega. Também distribui cestas básicas via Secretaria de Cidadania, Assistência Social e Habitação. Foram 300 apenas neste mês.
Apesar do empenho, o prefeito admite que o município enfrenta gargalos na área. A habitação é o principal. Em um projeto avaliado em R$ 2 milhões, o governo de Cerrito busca parceria com o governo do Estado no programa “A casa é sua” para construir 20 unidades. Além disso, atende dez famílias em um programa permanente de aluguel social.



