
Nesta semana houve uma visita de auditoria dos representantes da Comissão de Produção Orgânica do Rio Grande do Sul (CPOrg/RS) órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Adair Pozzebon, secretário executivo da Associação Gaúcha Pró-Escolas Famílias Agrícolas (AGEFA) e da Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (EFASC), Simone Azambuja, vice-presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN), Roberta Coimbra, coordenadora da Cooperativa Central dos Assentamentos do Rio Grande do Sul (COCEARGS) e Pedro Ricardo Corrêa da Silva do Laboratório Nacional Agropecuário (LANAGRO) foram os membros da CPOrg/MAPA-RS que estiveram no município para verificar a conformidade orgânica da Organização de Controle Social (OCS) Renascer de Morro Redondo e se os membros estão seguindo os regulamentos e princípios da produção afim de emitir um parecer que será apresentado aos demais membros da Comissão na sua próxima reunião.
As propriedades de Joaquim Duarte e Leonor Dutra, Djanira Nizolli e Marcio Nizolli, Maria das Dores e Elton Alves, Sidinei Lopes e Cleunice Lopes e Maria Helena e Aliomar Duarte foram visitadas entre os dias 9 e 10 de agosto para que a comissão pudesse conhecer as suas áreas, seus entornos, a forma de produção e a relação com o meio ambiente. As famílias receberam os membros da Comissão apresentando a propriedade e explicando como fazem a sua produção, já que toda a parte documental que é exigida pela legislação e que consolida a recomendação para os mecanismos de certificação, já havia sido apresentada na reunião virtual ocorrida em novembro de 2021.
A quinta-feira (11) foi reservada para o retorno aos agricultores da OCS Renascer sobre as impressões dos auditores no decorrer das visitas, bem como para realizar uma reunião com lideranças do município para explanar sobre a Política Nacional de Produção Orgânica e o Plano Nacional de Produção Orgânica e também expressar suas impressões do que viram nas propriedades, o que ocorreu em duas reuniões na Câmara de Vereadores.
Estiveram presentes vereadores e o Presidente da Câmara, Secretários Municipais da Saúde e do Desenvolvimento Rural, Diretores do Departamento de Meio Ambiente e do Turismo, Presidente da Associação de Empreendedores de Turismo de Morro Redondo, representantes da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto e Equipe da Ascar/Emater-RS.

Conforme a CPOrg/RS a avaliação foi muito positiva. Nas visitas a impressão foi muito boa, perceberam um grupo de agricultores muito unido, que segue na produção com todos os requisitos que solicitam por parte da regulamentação da produção orgânica.
O ponto central das recomendações foi o cuidado para preservação desta cultura de produção orgânica e cuidados com agrotóxicos oriundo das propriedades próximas, pois uma contaminação por deriva pode inviabilizar a produção orgânica de uma propriedade que nunca usou agrotóxico em seus cultivos e levar à perda do registro de orgânico. O medo da contaminação externa é uma constante em seus dia a dia e disseram que ouviram relato que ano passado um avião lançou algo em lavouras muito próximas de suas propriedades, o que até hoje não ficou esclarecido o que seja. Salientaram a necessidade de ser ampliado o apoio do órgão público municipal que já existe, mas em outras formas de incentivo seja no trabalho com as escolas, no acesso de políticas públicas do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Destacaram também o apoio fundamental que a EMATER local, sendo essencial para o fortalecimento deste grupo.
“Vimos um grupo esforçado, com muita dificuldade de produzir por falta de recursos para melhorar estruturas e adquirir equipamentos, mas que assim mesmo estão cumprindo com todas as exigências para conformidade da qualidade orgânica. Sentimos que eles precisam de mais apoio técnico para desenvolver suas produções, pois em termos de organização eles estão muito bem. Também nos preocupou as produções de monoculturas que costumam utilizar agrotóxicos muito próximas das propriedades, o que exige a formação de barreiras vegetais”, disse Adair em sua explanação.
Muitas autoridades se manifestaram positivamente e se colocaram à disposição do grupo para auxiliar na superação das dificuldades. O presidente da Câmara, Márcio Zanetti, sugeriu um mapeamento das propriedades de produção orgânica e criar um mecanismo de legislação onde o uso de agrotóxico seja proibido em determinada área para minimizar os riscos de contaminação. “Creio que possa ser uma forma de proteger a produção orgânica”, sugere.
O Secretário de Desenvolvimento Rural e Turismo, Antônio Martins, além de parabenizar os participantes, também colocou a secretaria à disposição da OCS Renascer.
Ao final, Djanira Lopes lembrou aos participantes o porque do nome da OCS e disse que eles precisam renascer todos os dias para ter força para trabalhar quando muita coisa que acontece acaba por desestimulá-los, pois além de toda a dificuldade de produção, eles também enfrentam a dificuldade de comercialização. Pediu mais apoio dos programas de compra da produção como PAA e PNAE e encerrou pedindo mais empatia das lideranças: ”se buscamos produzir sem a utilização de venenos e agroquímicos é porque somos a favor da vida, produzimos com amor e somos gratos por ter essa oportunidade, de tirar da terra o nosso sustento e de muitas famílias que consomem nosso produto que é limpo e cheio de vida”, declara.



