História: Aos jovens conto, aos mais velhos recordo! Terceira edição

Sérgio Corrêa, jornalista e radialista.

VOTO É O EXERCICIO PERMANENTE DA DEMOCRACIA, ASSIM COMO QUALQUER CONQUISTA É DECORRENTE DA BUSCA PERMANENTE.

A proposta da coluna é produzir conteúdo para uma boa conversa entre os jovens, seus pais e professores.

Dando continuidade a nossa linha temporal, voltamos a 5 de outubro de 1992, quando Fernando Henrique Cardoso é nomeado Ministro das Relações Exteriores. FHC permaneceu no cargo até 19 de maio de 1993, quando o presidente Itamar Franco o nomeou Ministro da Fazenda.

Como Ministro da Fazenda FHC convidou economistas que já haviam participado da elaboração de outros planos implementados em governos anteriores oportunizando a estes, a correção dos erros até então cometidos, e assim, criar um plano diferente do que já havia sido feito.

O Plano Real foi implantado em três etapas durante os anos de 1993 e 1994 e precisou aprovação do legislativo, contudo, havia certa desconfiança de que o plano poderia prejudicar os trabalhadores mais pobres, por isso, alguns partidos, dentre eles o PT, Partido dos Trabalhadores, não deram apoio.

Naquele momento, não só os políticos, mas toda a população brasileira tinha um forte motivo que justificava a desconfiança em qualquer plano que fosse apresentado, isto porque, no início do governo de Fernando Collor de Mello, Zélia Cardoso de Mello, Ministra da Economia, Fazenda e Planejamento no dia 16 de março de 1990, um dia depois da posse de Fernando Collor, deixou milhões de brasileiros estarrecidos com o que assistiam pela TV.

A própria ministra e sua equipe declarando o confisco dos valores depositados em contas correntes, aplicações e poupanças. A justificativa para aquele sequestro monetário era acabar com a inflação com um único golpe. Um capítulo da história difícil de ser esquecido, pois muitas pessoas, dentre elas proprietários de empresas cometeram suicídio ao verem seus recursos retidos pelo governo.

Voltando ao Plano Real, as três etapas eram as seguintes: estabilizar as contas públicas com redução de gastos e aumento da arrecadação; lançamento de uma moeda virtual para preparar a transição do cruzeiro real para o real e, por fim, lançar a nova moeda, o real.
O plano apresentou ótimos resultados, uma vez que, fez cair consideravelmente a inflação que no ano de 1993 alcançou o patamar de 2477%, caindo para 916% em 1994 e 22% em 1995, estabilizando a economia. Desta forma o Plano Real pavimentou o caminho de Fernando Henrique Cardoso para a presidência da república.

Em 1993 FHC deixou o Ministério da Fazenda e lançou sua candidatura a presidência da república pelo PSDB, tendo como principal adversário e favorito na eleição Luiz Inácio Lula da Silva do PT.

Sem favoritismo, mas beneficiado pelos efeitos do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso venceu as eleições assumiu a presidência em 1994 para um mandato até 1997. Eleito presidente, Fernando Henrique Cardoso, Cientista Social que na década de 1960 em decorrência do regime militar teve que se exilar no Chile e posteriormente na França, sabia mais do que ninguém a importância do exercício do voto, voto que elegeu Collor de Mello e o próprio Fernando Henrique após uma lacuna de 25 anos sem escolher de forma direta o presidente da república (1964 a 1989) em razão do período de governo militar.

A população brasileira precisava exercitar o voto, isto é, votar e votar o maior número de vezes possíveis e principalmente para a presidência da república, pois o exercício do voto nos leva a gostar e participar da política, confirmar ou corrigir nosso voto a cada eleição. Hoje consciente disso, Fernando Henrique Cardoso assumiu publicamente o erro de propor o instituto da reeleição, possibilitando que o presidente da república caso reeleito permaneça oito anos no cargo.

Se FHC não tivesse proposto e o congresso aprovado o instituto da reeleição, hoje não estaríamos vivenciando os conflitos atuais, poderiam ser outros, contudo as discussões se dariam no campo das propostas e não sobre os candidatos.

Este ano, infelizmente, o país não vai discutir propostas, vai discutir o histórico de duas personalidades na política, Jair Messias Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. A polarização estabelecida, não concede espaço para o debate de ideias e propostas aos outros candidatos, tornando a eleição uma disputa minimalista.