São Lourenço do Sul: A rotina de um transportador de leite

Fábio Radtke e a namorada Carla Garcia fazem a rota 25 da Coopar/Pomerano, que compreende os municípios de Morro Redondo, Canguçu e Cerrito. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

Toca o despertador e o relógio marca 2h30 da madrugada. É nesse horário que começa o dia de um transportador de leite, que um dia sim e outro não, está na estrada recolhendo a produção das propriedades, retornando para casa no final do dia com sua missão cumprida.

Essa é a rotina de Fábio Radtke e a namorada Carla Garcia, de São Lourenço do Sul, responsáveis por transportar o leite dos produtores da rota 25 da Coopar/Pomerano, que compreende Morro Redondo, Canguçu e Cerrito.

Radtke segue esse dia a dia há mais de dois anos. Ele conta que sempre foi apaixonado por caminhão, mas que não se via na profissão de motorista. Trabalhava na cidade, mas não estava satisfeito com a função. Seus pais são produtores de leite e, desde pequeno, o caminhoneiro os acompanha na lida. Certo dia, Radtke conta que um transportador que atende a propriedade pediu a indicação de um motorista e ele se ofereceu.

“Estar em um trabalho que se gosta é bem melhor, não tem tempo e horário ruins”, afirma. Carla ajuda o namorado há cerca de cinco meses, sendo responsável por testar a qualidade do leite antes da coleta, um trabalho imprescindível para não contaminar o restante do leite da carga.

Para ela, tem sido uma experiência diferente dos outros trabalhos que já teve. Ela conta que seus avós também vendiam leite e que ela observava o trabalho do sogro. Nesse sentido, ela aponta que poder ajudar o namorado e fazer parte da produção de alimentos tem sido gratificante.

O casal aponta que quando vão aos supermercados e veem os produtos Pomerano nas gôndolas sentem muito orgulho por terem um parcela na contribuição, porque sem eles o leite das propriedades não chegaria na indústria.

O transporte é uma das etapas mais importantes. É necessário ter cuidados desde o recebimento na casa do produtor até a entrega na indústria. Radtke conta que os principais cuidados são com a higiene e a manutenção, para manter a qualidade que os produtores colocam em sua propriedade, fazendo o produto chegar da forma correta na indústria. Outro cuidado essencial é com a temperatura do leite, para que ele esteja sempre com a temperatura ideal na indústria, gerando melhores derivados.

Ele também relata que a principal dificuldade que enfrenta é a qualidade das estradas, grande parte delas não asfaltadas, e que na maioria das vezes se encontram sem manutenção. Nos dias de chuva a situação piora. O excesso de barro e buracos acabam atrasando o trabalho e causando prejuízos. Mas o dia a dia na estrada também pode trazer coisas positivas. Radtke diz que ao longo dos anos como motorista em diversas rotas possui muitos amigos pela região.

Seu trabalho como transportador é muito elogiado pelos produtores, segundo o técnico da região, Richard Timm. Por ter sido criado na lida da produção de leite, o motorista reconhece os problemas dos produtores e, sempre que possível, os ajuda. Por estar nas propriedades quase todos os dias, os transportadores se tornam um dos principais elos com a cooperativa, identificando as insatisfações e dificuldades dos produtores.