Especial JTR: Busca da Chama Crioula, uma cavalgada para manter viva a tradição em Piratini

Luiza foi a responsável por transportar o candeeiro com o fogo tradicionalista (Foto: Nael Rosa/JTR)

No dia 6 de setembro, 60 cavalarianos partiram de Piratini em direção a Canguçu na missão de apanhar uma centelha da Chama Crioula que fica acesa e é guardada pelos piquetes durante as rondas, no Centro de Eventos Erni Pereira Alves, na Semana Farroupilha. A aventura durou seis dias, quatro deles de poncho molhado por conta da chuva.

Na praça Inácia Machado da Silveira, no último dia 12, a 1ª Prenda do 20 de Setembro CTG, Luiza Perret, de 15 anos, entregou a centelha. Antes do concluir o objetivo final, o grupo montou acampamento e a reportagem acompanhou o momento.

Durante a janta, reforçada para aqueles que cavalgaram até cinco horas contínuas antes da parada de descanso de homens, mulheres e animais, o clima era de satisfação, regado ao bom chimarrão, carreteiro e arroz com galinha, que de vez em quando davam lugar para a costela assada na brasa. Tudo isso, é claro, com um violão, acompanhado de uma gaita, com objetivo de divertir, o que se faz também com um jogo de truco ou de pife.

Lá estava o recordista de buscas da Chama Crioula: Verli Borges, de 52 anos, contabilizou 31 cavalgadas em 2019. “Meu filho está com 21 anos, mas desde os quatro ele me acompanha. Minha esposa às vezes viaja no apoio, às vezes a cavalo, mas vão e voltam comigo há muitos anos”, conta Borges, que, no caso do filho, entende ser importante repassar os costumes do pago.

“Este ano aumentamos o grupo, mas não foi somente em quantidade, foi em qualidade, pois os que chegam estão no mesmo ritmo dos mais velhos, o que se faz necessário não só para manter disciplina exigida numa cavalgada dessas, mas porque eles, assim como meu filho, terão a missão de dar continuidade no que há décadas nós fazemos. Este ano contamos com muitos jovens, e a eles caberá a responsabilidade de manter a tradição quando nós não pudermos mais ir em busca da centelha, o que só farei quando não tiver mais saúde”, garante Borges.