Tradição gaúcha: a lenda do quero-quero

O colunista Paulo Souza.

Na coluna anterior escrevi sobre a lenda da Gralha Azul, que é a ave símbolo do Paraná. Pois bem, alguns leitores me cobraram porque ainda não escrevi sobre o quero-quero, que é a ave símbolo do nosso Rio Grande do Sul. Então ai vai a lenda do quero-quero, tenham boa leitura:

O quero-quero é um pássaro habitante das várzeas próximas a lagos e casas. Sua alimentação baseia-se em grilos e outros insetos. É conhecido por fazer seu ninho no chão e despistá-lo para que ninguém o encontre, se tornando agressivo e até atacando quem ousar se aproximar (numa feita eu andava no campo nos fundos da nossa casa no Laranjal quando eu, minha filha e as minhas netas chegamos perto de um ninho e um quero-
quero saiu bem louco atrás de nós fazendo com que corrêssemos muito).

Diz a lenda que lá no começo do mundo, quando a Sagrada Família, fugia para o Egito, perseguida pelos soldados do Rei Heródes, muitas vezes precisou viajar à noite e esconder-se nos matos e campos e durante o dia afugentar-se em grutas da montanha para fugir do sol escaldante e para não ser vista e morta pelos soldados. E quando os perseguidores chegavam perto, precisava estar escondida, em muito silêncio, para não ser encontrada.

Numa dessas vezes, Nossa Senhora, escondendo o Divino Gurí (Jesus), pediu aos pássaros e todos os animais que fizessem silêncio para que os soldados não os encontrassem, porque os soldados poderiam ouvir e vir atacá-los.

Prontamente, todos os bichos acataram o pedido de Nossa Senhora. Até o burrico parecia entender o perigo que a família estava correndo: não empacava e pisava macio. Não fazia o menor ruído ao mudar os passos, parecia que ele sabia de sua grande missão, conduzir a sua divina carga ao salvamento. As aves não voavam, ficavam inertes e nem batiam asas.

Mas o quero-quero, alheio aos acontecimentos e por ser uma ave alarmista, sempre alerta, querendo avisar cantando quando alguém se aproximava, não cessava de gritar a sua voz aguda. Não atendeu ao pedido de Nossa Senhora e permaneceu atacando e queria porque queria cantar, quero, quero, quero, quero… Por isso, foi castigado por Nossa Senhora e até hoje continua querendo e querendo… e sem nada encontrar.

Esta é uma adaptação de “A lenda do quero-quero”, publicada por Antônio Augusto Fagundes em Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul.

Espero que tenham gostado. Peço que continuem fazendo sugestões e compartilhando as nossas histórias.