Associação dos Produtores de Doces de Pelotas fortalece tradição doceira e impulsiona crescimento do setor na Fenadoce

Simone Bica é presidente da Associação e proprietária da Dona Xica Doces de Pelotas. (Foto: Divulgação)

Criada em 2008 a partir da união de dez doceiras da cidade com o objetivo de perpetuar a tradição e o saber-fazer doceiro, a Associação dos Produtores de Doces de Pelotas se consolidou como uma das principais responsáveis pela valorização da cultura do doce no município. Composta por 22 empresas associadas, a entidade contribui para a preservação da identidade dos doces tradicionais e no fortalecimento do setor, especialmente durante a Fenadoce – principal período de comercialização do produto.

A presidente da Associação e proprie­tária da Dona Xica Doces de Pelotas, Si­mone Bica, explica que a entidade nasceu da necessidade de garantir o reconheci­mento dos doces produzidos na cidade. “A Associação surgiu da união de dez do­ceiras com o objetivo principal de buscar o selo de Indicação Geográfica, a Indica­ção de Procedência, para salvaguardar a nossa tradição”, destaca.

Com o passar do tempo, o trabalho conjunto resultou em importantes con­quistas para a cidade e sua cultura do­ceira. Entre elas estão a obtenção da In­dicação Geográfica, o reconhecimento do saber-fazer doceiro como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, o título de Capital Nacional do Doce concedido a Pelotas e o fortalecimento das empresas que atuam nesse segmento.

Segundo Simone, a certificação não é apenas um selo de qualidade, mas tam­bém uma oportunidade de crescimento para os empreendimentos. “O certificado contribui com o crescimento de empre­endedores doceiros, valorização e enten­dimento do nosso trabalho, compreen­dendo que não é só sobre um produto, mas sim uma cultura e tradição, além do valor econômico do produto”, ressalta. Ela explica, ainda, que a Indicação de Pro­cedência também garante a autenticida­de dos doces clássicos produzidos na ci­dade. “É ela que assegura que o doce de Pelotas realmente foi produzido aqui”, diz.

Movimento e novidades

Durante a Fenadoce, a Associa­ção atua em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), organizadora da Feira, garantindo que apenas os do­ces certificados com o selo de Indica­ção Geográfica sejam comercializados como doces tradicionais. Atualmente, as 22 empresas integrantes da Associa­ção participam da Fenadoce. As doçarias que não possuem estande próprio pro­duzem da mesma forma e abastecem o expositor da entidade.

Ela destaca que, entre os produtos mais procurados pelos visitantes, o clás­sico quindim figura na liderança das ven­das, seguido pelo bombom de morango. Ao mesmo tempo, as doceiras apostam em sabores novos para conquistar ainda mais o público. “As pessoas procuram as novidades que preparamos a cada edição. Neste ano, trouxemos brigadeiro de ba­con, caramelo salgado e variações com pistache”, conta.

Apesar do início da Feira ter sido im­pactado pelas previsões de chuva, a ex­pectativa é de crescimento no fluxo de visitantes ao longo da programação. “As previsões e a própria chuva acabaram assustando um pouco o público nos pri­meiros dias, mas temos certeza de que, nos próximos, o movimento vai aumen­tar”, afirma a presidente.

Desafios e planos para o futuro

Mesmo com a tradição doceira bem fortalecida e consolidada, os produtores ainda enfrentam desafios significativos para manter a atividade. Entre eles, Si­mone reforça a dificuldade para contra­tação de mão de obra, especialmente durante o período da Feira, quando a demanda por produção aumenta. Ain­da, a elevação dos custos dos insumos também preocupa. “A mão de obra é bem complicada, principalmente nesta época, porque aumenta muito a pro­dução. E a suba de valores de insumos e tributação nos pesa bastante”.

Outro ponto que precisa de atenção é a sucessão familiar, fundamental para garantir a continuidade dessa cultura. “Ela ainda acontece, mas já diminuiu. Por isso é importante inserir as crianças no cotidiano da produção dos doces, para que essa tradição não se perca”, enfa­tiza. Segundo Simone, a Associação já tem pensado diferentes formas de atrair as novas gerações para a produção dos doces. “Estamos pensando em uma ma­neira, junto ao poder público, de iniciar estudos sobre os doces nas escolas de Pelotas”, comenta.

Safra para a economia

Muito além de um evento gastronô­mico, Simone define a Fenadoce como o período de maior movimentação econômica para as empresas do setor e para o município como um todo. “A Fenadoce é a nossa época de safra. É o momento em que a economia cres­ce não apenas para as nossas empresas, mas para toda a cidade. O impacto é sentido nos hotéis, postos de combus­tíveis, fornecedores, na contratação de funcionários e em diversos outros seg­mentos”, garante.

Para os próximos anos, a expectativa é ampliar ainda mais o fortalecimento do segmento e atrair novos empreen­dedores para a Associação. “Esperamos que a nossa tradição continue viva por meio do nosso trabalho, que as empre­sas se fortaleçam e que aquelas que ainda não são regularizadas possam se ajustar e passar a fazer parte da entida­de”, conclui.

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