
No inverno, com a intensificação do frio, o uso de aquecedores se torna comum nas residências. Além disso, a utilização de “benjamins” – mais conhecidos como “T” – extensões ou emendas para a ligação de equipamentos elétricos são frequentes, mas podem apresentar graves riscos. Segundo dados do Anuário Estatístico da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) de 2025, os incêndios de origem elétrica cresceram 102% nos últimos cinco anos, passando de 606 ocorrências para 1.304 em 2025. As mortes também cresceram 28%, saltando de 47 para 60.
Conforme o coordenador regional da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, coronel Marcio Facin, o período urge de maiores cuidados com esses equipamentos. “Sempre que há períodos de frio intenso, aumenta a utilização de aquecedores, lareiras, braseiros e outros equipamentos de aquecimento, o que exige atenção redobrada da população para evitar incêndios e intoxicações por fumaça ou monóxido de carbono. A prevenção é sempre o melhor caminho”, pontua.
De acordo com o 1º Tenente e Comandante do Pelotão de Bombeiro Militar de Pelotas, Fabrício Madruga, analisando a partir do dia 1º de junho, nove registros de incêndio foram realizados no município neste ano, em comparação com 10 no mesmo período de 2025. Nas ocorrências deste ano, as causas não foram divulgadas e não houveram vítimas fatais, no entanto, uma pessoa inalou fumaça.
Falhas e uso inadequado lideram ocorrências
Entre acidentes envolvendo lareiras, estufas, aquecedores e lençóis elétricos, segundo Madruga, as falhas nos equipamentos figura como o principal ponto para a causa de incêndios. “O acidente mais registrado é o incêndio em residências, geralmente provocado por falhas nos equipamentos, junto com o uso inadequado. Também são frequentes casos de queimaduras e intoxicação pela inalação de fumaça ou gases provenientes da combustão, especialmente em ambientes com pouca ventilação”, detalha.
Do ponto de vista da Proteção e Defesa Civil, os principais problemas estão relacionados ao uso inadequado desses equipamentos. “Entre os erros mais comuns estão utilizar aparelhos sem certificação, fazer ligações elétricas improvisadas, usar extensões ou benjamins para equipamentos de alta potência, posicionar o aquecedor próximo a cortinas, móveis ou outros materiais combustíveis, deixá-lo funcionando sem supervisão e não realizar a manutenção recomendada pelo fabricante”, aponta Facin.

Rede elétrica sobrecarregada gera riscos
Ainda segundo a Abracopel, em 2025, as instalações elétricas inadequadas lideraram o de principais causas dos incêndios do tipo no Brasil, com 706 ocorrências e 33 mortes. Facin ressalta que é importante respeitar a capacidade da instalação elétrica da residência, já que a sobrecarga da rede pode contribuir para incêndios.
Nesse sentido, o 1º Tenente explica que é recomendado que os aparelhos de aquecimento sejam ligados diretamente em uma tomada compatível com a sua potência. “O uso de extensões, adaptadores ou benjamins pode provocar sobrecarga elétrica, superaquecimento, derretimento dos componentes, curto-circuito e, consequentemente, incêndios”, enfatiza.
Segurança antecipa combate ao fogo
Em caso de princípio de incêndio ou ao identificar um cheiro de queimado em casa, Madruga alerta que o Corpo de Bombeiros deve ser acionado, juntamente com uma série de condutas. “A pessoa deve manter a calma e avaliar a situação. Se possuir conhecimento e dispuser de um extintor adequado, poderá combater o fogo ainda em sua fase inicial, desde que isso não coloque sua segurança em risco. Caso contrário, deve evacuar imediatamente o imóvel, desligar a energia elétrica, se houver condições seguras para isso, e acionar o Corpo de Bombeiros Militar pelo telefone 193”, afirma.
Para que isso não venha acontecer, ele pontua cuidados essenciais que contribuem para o uso seguro de lareiras, estufas e outros aparelhos. “Os principais cuidados são manter uma distância segura entre os equipamentos e materiais combustíveis, utilizar somente equipamentos certificados e em boas condições de funcionamento, ligar aquecedores diretamente na tomada, sem o uso de adaptadores ou extensões e realizar manutenção preventiva e limpeza periódica de lareiras e chaminés.”
Além disso, é importante nunca deixar aquecedores ligados e lareiras acesas sem supervisão ou durante o sono, inspecionar regularmente cabos, plugues e tomadas e, nas lareiras ecológicas, utilizar exclusivamente o combustível indicado pelo fabricante, realizando o reabastecimento somente com o equipamento completamente frio.
Recomendações e orientações de prevenção
Como orientação geral, Facin recomenda que as pessoas utilizem apenas equipamentos em boas condições de funcionamento. “Nunca improvisem instalações elétricas, mantenham aquecedores afastados de cortinas, móveis e materiais inflamáveis, não deixem equipamentos ligados sem supervisão, mantenham os ambientes ventilados quando houver combustão e realizem manutenção periódica em lareiras, chaminés e sistemas de aquecimento”, reforça.
Somado a isso, Madruga reforça a necessidade de seguir as informações e instruções das fábricas desses tipos de aparelhos. “A principal recomendação é utilizar qualquer equipamento de aquecimento com responsabilidade, seguindo rigorosamente as orientações do fabricante e realizando a manutenção preventiva quando necessária. Pequenos cuidados no dia a dia reduzem significativamente o risco de incêndios”, finaliza.



