
Investimentos imobiliários de grande porte têm atraído novos negócios para outras áreas da cidade, criando pontos estratégicos para o comércio e a prestação de serviços em Pelotas. Percorrendo as principais avenidas da cidade é possível ver que as antigas áreas vazias estão sendo preenchidas principalmente por pequenos e modernos centros comerciais, que procuram abastecer os consumidores de diferentes bairros.
Por outro lado, as startups ganham novos espaços no mercado, a partir do uso de tecnologias que avançam com a formação de mão de obra especializada pela expertise das instituições de ensino, que cada vez mais se voltam para a criação de produtos que visam abastecer outros mercados, inclusive do exterior. Abrigadas pelas incubadoras das diferentes universidades locais, instaladas no Parque Tecnológico de Pelotas (PPT), elas encontram o apoio para se desenvolverem, dentro dos modernos conceitos de inovação. Pelotas é um reconhecido polo educacional voltado à inovação e à pesquisa.

O estudo gaúcho Tech Mining Report coloca Pelotas em quinto lugar entre as cidades do Estado em número de startups, atrás apenas de Porto Alegre, São Leopoldo, Caxias do Sul e Santa Maria. Presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas) de Pelotas e diretor da Federação do Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio) gaúcha, Renzo Antonioli frisa que a Tecnologia da Informação (TI) é, na verdade, uma prestação de serviço, que pode ser traduzida, hoje em dia, como a melhor parte da economia de uma cidade.
Diferentemente do comércio, que apenas faz girar o mesmo dinheiro, que vive de “dinheiro velho”, como define Antonioli, a TI traz “dinheiro novo” para a cidade, através da prestação de serviços das empresas locais para outros mercados, por vezes muito distantes, através de contratos com grandes grupos empresariais de fora do País. São profissionais que antes precisavam sair de Pelotas para desenvolverem suas carreiras, mas hoje conseguem mostrar seus talentos em endereços na cidade, ocupando salas comerciais e não mais instalados em grandes prédios. “São os mais difíceis de serem percebidos”, reconhece o empresário. “Precisam mais da propriedade intelectual que de uma sede física”, completa.
Mas quando se fala em inovação, não é necessário deixar de lado traços da economia tradicional da cidade, como é a pecuária e a agricultura. Pelotas, além de polo comercial de uma região formada por mais de duas dezenas de municípios, é também reconhecida como produtora e beneficiadora de arroz, além de sede para uma trajetória de sucesso da indústria conserveira do País, abastecida pelos agricultores locais e de cidades vizinhas. São essas indústrias que também trazem mudanças para seus parques fabris, buscando atender às exigências do consumidor.
Hoje, na área médica, existe um Arranjo Produtivo Local (APL) voltado para desenvolver o setor através de ações conjuntas, que garantam maior comercialização em novos mercados. Projeto de um novo Distrito Industrial está em estudo para atender a uma demanda maior de novas áreas para a instalação de indústrias na cidade e também para criar condições mais atrativas à captação de novos investimentos, a partir de oportunidades que surgem na região, impedindo que busquem cidades vizinhas.
Mudanças geográficas
É inegável que as áreas comerciais das cidades estão ganhando novos contornos, com a expansão das zonas residenciais através de novos condomínios tanto populares, como os do Programa Minha Casa, Minha Vida, como de alto nível, que ocupam novos espaços no entorno da praia do Laranjal e no próprio balneário. Para o Parque Una, que acaba de completar uma década desde seu lançamento, já migraram muitas empresas do comércio e de serviços, que mudaram seus endereços para o bairro planejado, que une moradia, trabalho e lazer, ou criaram nele uma nova opção de negócio. O mesmo começa a ocorrer no Bairro Quartier, para onde o Grupo Guanabara priorizou o funcionamento de um atacarejo.
Localizados em áreas opostas da cidade, ambos estão com grande expansão de empreendimentos imobiliários para atender a diferentes tipos de moradores e, consequentemente, recebem investimentos que facilitam seus hábitos de consumo pela proximidade. Foi para garantir maior acesso de clientes a caminhos de seus lares que as empresárias Roberta e Renata Gorgot abriram a loja de roupas infantis no Caminito Comercial, um dos primeiros centros comerciais instalados na avenida Adolfo Fetter, nas proximidades da Rio Grande do Sul.

Na área central, os muitos prédios vazios com placas de vende-se ou aluga-se chamam a atenção. E cada vez que uma loja fecha as portas, os comentários são negativos, com tom de pessimismo. No entanto, é preciso considerar a migração de empreendimentos para outras zonas da cidade, como as próprias ruas após a avenida Bento Gonçalves em direção à Dom Joaquim, onde o estacionamento é de mais fácil acesso.
“A área central está no limite da decadência”, alerta Antonioli, que mantém sua loja em ponto estratégico nesse mesmo local. Muitos lojistas reclamam do custo alto dos alugueis em prédios que precisarão de investimentos também na sua restauração. Dos calçadões, também são muitas as queixas sobre o abandono, com calçamento sucateado, lixeiras quebradas, falta de uma limpeza regular e de segurança permanente.
Para eles, existe um estudo em andamento, numa iniciativa das entidades empresariais com o Executivo. Segundo o vice-presidente da Associação Comercial de Pelotas (ACP), Fabrício Cagol, dentro da proposta de revitalização do Centro Histórico de Pelotas, existe inclusive um projeto-piloto que contempla com detalhes a ideia de uma rua coberta, que ainda não se concretizou pela existência de gargalos que precisam ser resolvidos administrativamente.



